A DISFUNCIONANTE


Ia por ali fora, cabisbaixa,


Vivendo por viver, sem já ter meta,


Deixando atrás de si, em linha recta,


Pegadas que gravara numa faixa.


 


Não estava aberta, nem à caridade,


Nem ao fluir do seu imaginário...


Vivia, no momento, o seu contrário


Caminhando por força de vontade.


 


Funcionava tão mal, enquanto gente!


Perdera os meios de seguir em frente


Na azáfama, na dor, no burburinho...


 


"Disfuncionantemente" prosseguiu,


Embrenhou-se, por fim, nesse vazio


Que tão longe a levara do seu ninho...


 


 


Imagem retirada da internet


 

Comentários

  1. Finalmente, minha amiga, posso puxar de uma cadeira e sentar-me um pouco para "ouvi-la". Há solidão neste poema mas os poetas são particularmente solitários. Mas entendo-a muito bem.
    Queria desejar-lhe umas boas entradas só amanhã. Passarei por aqui, esprando sinceramente que já tenha escrito um novo soneto.

    Um enorme abraço

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    1. Olá Poeta. Já tenho vários, mas confesso que hoje ainda não nasceu nenhum. Eu gosto da minha solidão... mas este personagem não está a viver o drama da solidão e sim o do afastamento. O do afastamento físico o que, para mim me parece mais terrível, em relação ao pedacinho de mundo em que habito, semi levitando ao nível de um 4º andar. Mas este meu hábito de acreditar ainda não morreu... nem ele, nem a esperança que nele existe .Não sei... mas quero continuar a acreditar. Por isso esta disfuncionante está assim mesmo, disfuncionante.
      Abraço grande!

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  2. Querida Amiga Poeta, noto por aqui alguma desilusao. Só espero que o que quer que seja passe rapidamente. Beijinhos

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    1. Olá Maria. Esta é uma das minhas novas personagens... mas confesso que está meia tristonha, como eu... o que lá vem não é bom e promete durar... vamos a ver.
      Abraço grande e boas entradas!

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  3. Desejo que o ninho saiba sempre a quem pertence e não deixe um disfuncionamento negar-lhe a pertença. Faço votos para que tudo se relaccione de forma a que supere os problemas que o sistema cria a pensar que todos temos que ter os mesmos meios de defesa perante o que nos impõe.

    [Disfuncionantemente" prosseguiu
    regressou ao curso do seu rio
    sorriu encontrando seu caminho.]

    Perdoe-me alterar o final do seu soneto tão só e desesperançado.

    Abraço e boas energias.

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    1. Está bem, Ki. Eu aceito esse final. Obrigada por mo desejares. Eu sempre acreditei em milagres... vamos a ver...
      Abraço grande e boas entradas em 2009!

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  4. ciao joão

    , amargurada ???mas sempre aberta, pelo menos á poesia. É uma excelente porta de saída. Um dia não é melhor nem pior que outro. É diferente. Ciao, Bacio.

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    1. São os meus personagens, Peter, não sou eu.
      Eu estou a enfrentar alegremente a ideia de passar a ter estatuto de sem-abrigo...
      Baci!

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  5. Se acaso não viste o meu último post, expresso aqui o desejo de uma boa Passagem de ANO e que o NOVO DE 2009 te traga a concretização de todos os teus desejos,
    Cumprimentos,
    Carlos Alberto

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    1. Ó Carlos, eu ando mesmo "atarantada" de todo! Um 2009 cheio de Paz, Saúde e Amor, para ti e todos os teus!

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  6. Boa noite! Que grande disfunção que para ai vai, tanta amargura e desencanto.
    Espero que o ano de 2009 afaste essa amargura e lhe traga mais esperança. Quem faz o que a minha amiga faz merece ter uma vida mais segura, para poder criar e dar-nos a todos estes belos sonetos que nos fazem sentir tão bem. Espero que alguma "Força" vinda de "Cima" a ajude e lhe dê a segurança que tanto precisa e a que tem direito.
    Um grande abraço, e espero que essa nuvem negra passe depressa, e que o Sol volte a brilhar no seu Céu.

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    1. Obrigada, minha amiga. Eu penso que já ando meia desmemoriada... acredita que estive todo o dia sem acesso à net por me ter esquecido de pagar ontem a conta da banda larga? Só hoje a paguei e claro, como já estava cortada, tive de ir ao Oeiras Park. Ontem, nos CTT também pagueia água e, de repente, vi umas letrinhas diferentes na factura. Quando pus os óculos e li, descobri que deixei, algures, outra conta atrasada por pagar... estou sujeita a corte e tenho de ir amanhã aos SMAS! Nunca me tinha acontecido esquecer-me completamente das coisas rotineiras, de todos os meses...
      Também já me esqueci, mais do que uma vez, de tomar um medicamento que tem mesmo de ser tomado todos os dias... só espero que isto passe quando a gripe melhorar! eu sei que estes 14 "miúdos" me dão muito, muito trabalho, mas já estou a achar que isto são esquecimentos a mais!
      Abraço grande e uma boa noite!

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