ANACRONICA(MENTE)


Quantas vezes abraço o mundo, a vida,


E o Universo e eu somos só um!


Quantas vezes sou tantos e nenhum,


Dispersa, em esparsa névoa diluída?


 


Quantas vezes tão só e acompanhada


Me sinto, mais do que eu, árvore, flor,


Cometa em voo raso, Ursa Maior,


Terra, água, fogo e ar... ou mesmo nada?


 


E, nesta fantasia, que não sei


Se é mesmo fantasia ou se é real,


Me encontro, me defino e justifico.


 


De tudo o que fui dando, o mais que dei


Foi esta elevação do que é banal


À dimensão de um Eu que sacrifico.


 


 


Imagem retirada da internet


 


 


 

Comentários

  1. Olá, minha amiga:

    Acabei de vir da livraria Bertrand, um dos melhores lugares para encontrar algum silêncio, mas nesta Betrand, na altura do Natal há tudo menos silêncio. Lembrei-me do diccionário do Fernando Pessoa e lá estava a fotografia do seus avós António e Alice (os mesmo nomes que os meus queridos pais).

    Bem, este soneto está dentro do que nos habitua: Fantástico!

    Enorme Abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É uma obra magnífica, não é? Mas é bom! É muito bom que as livrarias estejam apinhadas!
      Melhor seria se fosse todo o ano assim!
      Um grande abraço!

      Eliminar
  2. And so this is Christmas... tomorrow at oo.oo :)

    Este soneto é muito Espanca, relembra-me de momentos em que eu tb penso assim. Anda muito existencial esta sua poesia não? Eu gosto!

    A imagem é belíssima.

    FeliZ NaTaL

    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta anda mesmo como eu estou naquele momento, Ki. Tenho escrito quase sempre em directo nestes últimos tempos. Mas para a Fábrica de Histórias vai uma narrativa já escrita, O Comboio. Nem eu mesma sei se não foi a coisa mais próxima de mudar o mundo que eu já fiz em toda a minha vida... olha, agora que falaste nisso, penso que este soneto foi inspirado por essa ideia da Fábrica...
      Obrigada pelo aviso. A essa hora deixo, como post, um link para o Xmas!
      Abraço.

      Eliminar
  3. APROVEITO PARA DEIXAR O CONVITE PARA O LANÇAMENTO DO MEU PRÓXIMO LIVRO "A MONTRA DAS VIDAS ERRANTES", QUE TERÁ LUGAR NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO, PELAS 21H30, NA BULHOSA DO OEIRAS PARQUE. A SUA PRESENÇA. E A DE QUANTOS QUEIRA TRAZER CONSIGO, SERÁ MAIS DO QUE BEM-VINDA. QUERENDO E PODENDO, PASSE PALAVRA, ESTE SEU AMIGO AGRADECE.
    MIGUEL SANTOS TEIXEIRA

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Migalhas! Fico tão feliz por saber que vai publicar! Eu estou numa figura muito imprópria para aparecer em público, mas garanto que farei os impossíveis para lá estar, uma vez que nem é assim tão longe de minha casa. E na Bulhosa! Vou tentar "cravar" uma amiga para me levar. Ela é uma pessoa muitíssimo interessada por estas coisas!
      Ainda não o linkei? Mas que burra que eu sou!
      Agora é que vi que há imensos amigos que ainda não linkei! Mas estou contente por si! muito contente!
      Abraço e parabéns!

      Eliminar
  4. Olá minha querida Mulher Coragem. Como estás? Perdoa a minha ausencia escrita mas deve-se a uma gripe estonteante que até me tolda as ideias e a visão.
    Mas não penses que não venho visitar-te e ler-te. Claro que ando sempre por aí, nas sombras. Apenas não me tem ocorrido vontade de escrever.
    Beijinho enorme e abraçado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Minha querida Flor,claro que sei isso... só não sabia da malvada da gripe! É que eu também ando com uma que não é mesmo nada simpática e dá umas dores de cabeça tremendas. Além do mais sou a primeira a falhar às visitas... é inconcebível o quão esta "bicheza" é absorvente - e exigente! -em termos de tempo e desgaste físico. Ando cada vez mais com "a língua de fora" e o pobre do Spirit veio virar tudo do avesso... agora há portas fechadas nesta casa. Nesta casa que parecia nem ter portas internas... cada vez o atrito entre ele e os outros é maior. Tem mesmo de estar separado e com muita cautela para evitar confrontos violentos.
      Um grande, grande abraço.

      Eliminar
  5. Não podia deixar de vir a este estabelecimento e beber um pouco das suas palavras. São sempre refrescantes. Um abraço.

    ResponderEliminar
  6. M João
    De facto só vivendo enganando a vida. Os portugueses especialmente. Quanto eu sonho com uma vida no estrangeiro. Ser estrangeira do seu próprio ser. Quebrar as amarras da comunicação. Frustar a interação. Viver só no meio dos outros. Máxima ambição...
    Fico a olhar o resultado. Qual criança olhando
    os cacos do cristal partido. Vai-me sair caro. Mas vou dar a volta à questão. Amanhã.
    Gostei da terra,fogo,ar e água. Uma abordagem simples e natural. Universal.
    Eu não me atrevo. Sou saturno. Estou a morrer mas não desarmo.
    Bjs

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Minha Nati! E sabes que somos todos um bocadinho assim? Esse cristal quebrado é só metafórico, não é? É que nós podemos partir o nosso próprio espelho quando ele nos está a limitar... eu faço-o constantemente, de forma serena.
      Mas tens razão, não está a ser fácil viver neste país... e eu também não desarmo. Nem podia... quem cuidava da minha abelhinha Maia? E dos outros todos? Quem se ia rir por mim para a mesinha do café? Quem iria beber os meus "pingados"?
      Um grande abraço e vai continuando a abraçar as pequeninas coisas. Mais um dia, mais um sorriso!
      Até amanhã.

      Eliminar
  7. Cá estou eu para a visita do costume , este seu soneto está muito bonito, muito pessoal, vê-se que anda a lutar contra a adversidade com muita garra, e está a conseguir manter-se num patamar bastante elevado, isso é muito bom, fico contente por si, minha amiga
    Um abraço e até amanhã

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, minha amiga! É uma etapa um pouco mais dura do que o habitual, mas estou apostada em sobreviver-lhe. Pelo menos garanto que não me entrego sem "luta".
      Um grande abraço.

      Eliminar
  8. Oi Maria

    Está lindo teu soneto
    E os entrelaçaemtos de idéias também.

    Um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Esta imagem está magnífica.
      E o sono não me deixa nem ler direito

      Votlo aqui posteriormente
      Um abraço

      Eliminar
    2. Obrigada, Velucia. Estive no teu blog e vi que fizeste uma boa reportagem sobre a tragédia de Santa Catarina.. Não cheguei a comentar porque a net falhou entretanto. Devem estar
      as "linhas" entupidas por causa dos emails de Natal. Nem sei... eu cada vez descubro que sei menos disto...
      Abraço grande.

      Eliminar

Enviar um comentário