A PERFEITA OCUPAÇÃO DAS HORAS

picasso-the-source-001.jpg


 


No corpo inacessível de um poema


Mora o ritmo, sereno ou agitado,


Que fala da virtude,  ou do pecado,


E faz com que escrevê-lo valha a pena.


 


Essa alma musical que assim me acena


A seduzir-me o corpo já cansado,


Virá trazer-me o verbo inesperado


Que me preenche e torna mais serena


 


E vai-se esse  vazio que então crescia


Mas fica-me o fruir do que se faz


Nas noites renovadas como auroras


 


Em que me torno amante da Poesia


E concebo o poema que me traz


Uma perfeita ocupação das horas...


 


 


Maria João Brito de Sousa - 30.01.2009 - 23.58h


 


 


Tela de Pablo Picasso


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Isto não vale Maria!

    Chorei ao ler este soneto.

    Sinto-me

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) ... mas já passou, ou não?
      É assim mesmo a poesia, Velucia. Tem dias em que é tão envolvente que nem dá para explicar.
      Abraço grande!

      Eliminar
    2. O choro passou, mas as emoções e os sentimentos que dizemos (dentro do coração) ainda não.
      Os amigos a gente nunca esquece e nunca passam, eles ficam e ficarão sempre...


      Abraço.

      Eliminar
    3. Desculpa só responder agora, Velucia. Penso que adormeci sentada. Ontem só dormi 2 horas e hoje estou um pouco mais cansada do que o habitual... vou ter saudades, sabes? Tu sempre foste o "anjinho das madrugadas". Mas a vida flui sempre, é assim mesmo e é bom que assim seja.
      Abraço.

      Eliminar
  2. Olá amiga Maria João. Está simplesmente espectacular, Desculpa o atraso, mas eu estou a cada dia que passa mais gago das mãos, estou a pensar aprender a escrever com os pés, não sei se ainda vale a pena. Um abraço Eduardo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Eduardo! Também eu tenho esse problema, sabes? Para começar só escrevo com dois dedos, depois vêem as cãimbras... fico só com um dedo para escrever e, se dão nas duas mãos... nenhum! E a casa está um desastre... também tenho saudades dos anos em que pintava deitada no chão... agora é muito mais difícil e vejo-me "grega" para me levantar depois. São os condicionalismos da nossa humana condição...
      Abraço grande.

      Eliminar
    2. Amigo Fisga

      Que é que se passa amigo?!?!?! está a deixar-me preocupada.
      Vamos lá ver amigo, vamos fazer movimentos a esses dedos, para eles não ficarem preguiçosos.
      Beijinhos amigos

      Eliminar
    3. Somos os dois, Maria. Eu e o Fisga. No meu caso tem a ver com o problema auto-imune e não melhora com o exercício.
      Beijinho grande.

      Eliminar
    4. É isso amiga, são as mazelas do tempo. São os carimbos, com que os dias nos marcam o corpo em cada manhã. Quando estes começam a ser muitos, nós sentimos o peso, Eu penso, que também estas mazelas são necessárias, para que nós a pouco e pouco nos vamos despegando da vida, para na hora certa não custar tanto. Estarei certo ou errado? Um abraço Eduardo.

      Eliminar
    5. Estamos certos, amigo. Eu também sinto assim. A Mãe Natureza é sábia... leva anos a preparar-nos...
      Abraço grande.

      Eliminar
    6. Olá amiga Maria. Eu agradeço imenso a sua preocupação, mas o problema, não está nos dedos, o problema está em mim, Eu já devia estar a descansar, mas não tenho paciência. Mas não se preocupe que isto é fruta do tempo. Um beijo Eduardo.

      Eliminar
  3. Devias pensar melhor em acertar o teu relógio biológico com a lua e o sol.
    Dormir durante a noite, deixa-nos mais libertos para o raciocínio e para o pensamento racional. Só para tua informação: não sou capaz de trabalhar à noite, e custa-me a levantar de manhã.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu sei Nati! Mas sempre houve perídos na minha vida em que tive mesmo de trabalhar de noite e disso dependeram vidas. Essa é uma parte da minha vida que ainda não conheces. Sabias que nascem mais seres vivos à noite do que de dia?
      Além disso não sou particularmente fã do pensamento racional. :) E funciono bem em termos de inteligência abstracto-conceptual... mas prefiro a intuitiva. Depois não seria minimamente possível cuidar de 14 animais e escrever a este ritmo se eu dormisse as oito horinhas da praxe. Nem pouco mais ou menos. Sou um daqueles malucos que vão até onde podem e, às vezes, tentam ir aonde não podem.
      Abraço grande.

      Eliminar
  4. Amiga JOÃO descanse um pouquinho mais querida, tente descansar, precisa muito disso.

    Bjs querida amiga

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não dá para descansar lá muito, minha querida Maria. Penso sempre que tenho de escrever mais antes de deixar de o poder fazer... e a minha bicheza também não pode parar. Mas vejo que abrandei muito o ritmo e que ando a falhar muito aos vossos blogs... não gosto nada que isso aconteça mas, por enquanto, tem de ser... é só porque já não consigo mesmo.
      beijinho!

      Eliminar
  5. Bonito este soneto, eu também acho que a poesia é uma boa forma de ocupar-mos as horas, e deixa-nos muito mais libertas de certos pensamentos menos bons
    Mas também devia descansar mais um pouco.
    Eu também durmo pouco, cinco ou nu máximo seis horas chegam-me perfeitamente.
    Até amanhã e bom fim de semana, um abraço

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Quando passei no seu blog ainda estava lá "O retrato". O meu também já está pronto. Sabe bem escrever um pouco de prosa, para variar, mas esta saiu-me com uns poemazitos pelo meio... agora vou ver os seus desenhos!
      Abraço grande!

      Eliminar
  6. aurora,aurora, como vai plena
    a luz que me acendia dia a dia
    a aurora, joão, era uma pena
    em penas a chorar se desfazia.

    amachucava lágrimas serenas,
    pareciam ser, que tanto se fazia
    em ternuras de amor, afinal cenas
    vim a saber, o pão do dia a dia.

    e dei-me eu embestado a tanto engano
    que hoje me revolvo indignado
    nos neurónios subtis onde fui nado

    a construir imagens de meu dano
    por tanto me sentir blasfemado
    por quem de mim fez escravo e suserano.

    bacini poetiza , buona domenica.






    ResponderEliminar

Enviar um comentário