DECRETOS LEI (soneto muito surrealista)

LEGISLAÇÃO 


*


Decreto o fim-do-dia ao pôr-do-sol


E o nascer do sol a cada aurora...


Proíbo as agressões a fauna e flora


E as almas conservadas em formol.


*


Legislo quanto baste... e pouco basta!


Decreto ser quem sou, não sendo mais


Do que os gatos, os cães ou os pardais:


Decreto a abolição de raça e casta!


 


Decreto a felicidade entre os humanos,


Fomento a reinvenção do pacifismo


E declaro a extinção de dor e medos!


 


Imponho, ainda, o fim dos desenganos


E a prática legal do socorrismo


A toda e cada mão que tenha dedos.


*


Mª João Brito de Sousa


Janeiro, 2009


***


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Respostas
    1. Epah!!! Como é que tu fazes isso? Esquece, esquece! Eu jamais aprenderia! Ja foste espreitar os nomes? eheheh
      BOM ANO PARA TI, FREE!!!

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  2. Bom decreto, Srª Ministra ! Assim é que é. Mas para cumprir, não há fugas á lei .Não podem existir tribunais nem advogados, senão, estamos logo tramados. Nem politicos ! Criamos um gene para matar ladrões, vigaristas, criminosos, logo á nascença.Não, logo no embrião, assim é que é.
    A meu ver, só falta aqui uma coisa, acrescentar paraíso e amor.E pronto. bacio.

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    1. Venham então o Paraíso e o Amor, Peter! Eu estava só a criar uma "manobra de diversão" para me tentar esquecer de algumas realidades menos boas e mais imperiosas...
      bacini!

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  3. Que tirania o fim do dia ao pôr-do-sol!! Este é daqueles complicados que ficamos a pensar e se o mundo pudesse ser mesmo assim... o Ernesto tb dá voltas ao relógio e não se decide... Convido-a a ouvir os Deolinda no Trapézio nomeadamente esta música q toca lá e q tem algo a ver connosco porque...porque descobrirá :)

    E note a ironia da útlima frase da canção. Bom Ano para si flora e para a fauna toda tb < ;)

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    1. Pode ser um ataque de tirania, mas logo a seguir ele volta a nascer... já lá vou. Já lá vou!
      :)

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  4. Minha querida Maria Joao, vamos lá candidatar-se aí para 1ª Ministra. No minimo...
    Com esses decretos vai ser tao bom viver no nosso (agora tao triste) país.
    O poema em si, lindo como sempre.
    Beijinhos

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    1. Era bom, não era, Maria? Se fossem estes os únicos decretos lei... mas isto saiu-me ontem à noitinha, enquanto dava voltas à minha rica vidinha que se está a complicar um bocadinho. E deve ter resultado alguma coisa, porque fiquei menos stressada depois!
      E esses traquinas? Já lá vou saber deles!
      Abraço grande!

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  5. Não me comentaste os ACERTOS.....ora vai lá!

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    1. Os Acertos?! Tens razão! Pensava que esse era só de Outono...
      Vou já!

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  6. Tenho lido os seus poemas, embora nem sempre tenha uma palavra a dizer-lhe, porque durante meses faltaram-me todas as palavras... mas ao ler este soneto fiquei, novamente, rendida às palavras de elogio, de elogio que tenho a dar-lhe..toda a melodia, toda a fluidez de palavras, de ideias de sensações...está lindíssimo o soneto.

    Espero que neste novo ano, alcance tudo a que se propõe, desejo-lhe sorte, coragem e mestria nessa tarefa.

    Beijinho**

    http://visserofelici.blogs.sapo.pt/

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    1. Obrigada, Princezinha! Uma vénia!
      Vou já visitar esse novo blog!
      Um abraço!

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  7. Boa Noite, que decretos originais , mas nem se podem estranhar, porque saem decretos para serem cumpridos mais surrealistas que estes, e nós temos que os seguir á risca.
    Até amanhã

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    1. Ah, pois saem, saem! Ao menos estes avisam logo que são surrealistas...
      Um grande abraço!

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  8. Olá Maria

    E quanto é solidário os teus dedos a dar-nos um soneto tão maravilhoso.
    Também gostaria muito de decretar os enganos, desenganos e a extinção das mentiras, do abandono...

    Um abraço.

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    1. Mas vamos podendo, à nossa maneira, Velucia! Se continuarmos a afirmá-lo se muitas vozes se juntarem às nossas, alguma coisa há-de mudar...
      beijinho!

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    2. Oi Maria

      Faz uma visita ao meu blog e verás que também a minha voz fala sobre nossos pequenos...

      Um abraço

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    3. Já lá vou, Velucia! Só agora cheguei do banco...
      Abraço!

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  9. Só para lhe dizer que adorei o final deste soneto e que o verso "Na ponta solidária dos meus dedos" é brilhante!

    Um abraço

    António

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    1. Obrigada, Poeta. Ando um tanto ou quanto explosiva, ultimamente... ou melhor, implosiva! Este soneto foi mais ou menos a válvula de escape da panela de pressão...
      Abraço grande.

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  10. Gostei muito deste soneto.
    bj

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    1. Uma boa semana para ti, Estrelinha... já vai atrasadote, mas eu ando um bocadinho desgovernada por imposições externas...
      beijinho!

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