UMA PONTE SOBRE A SOLIDÃO


Paguei o preço desta solidão


Com sangue - do real... - e muito choro


E esta velha casa, aonde moro,


É a ponte que ergui sobre a paixão.


 


Já velha, tem do tempo uma erosão,


Tão cheia do amor com que a decoro,


A casa onde escrevendo me demoro


Nas horas de viver nesta ilusão.


 


Onde começo eu e onde finda


Esta casa já gasta mas tão linda


Que ergui num espaço-tempo sem fronteiras?


 


Parece que respira, que tem vida,


Esta pequena ponte construída


Entre afectos, poemas, brincadeiras...


 


 


Imagem retirada da internet


 

Comentários

  1. Rosa Silva ("Azoriana")8 de janeiro de 2009 às 11:43

    Bom Ano amiga!
    Que continues a brilhar qual Estrela sonetista pelos dias que Deus quiser. És um ponto de referência na blogosfera. Quando sai um livro teu? Imagino que seria um dos melhores.
    Beijinhos.

    Não me esqueci de ti mas ainda não chegou o momento. Um dia será.

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    1. Olá companheira de poemas! Sabes que me cheguei a afligir por tua causa? Olha, nem eu ainda sei quando irá sair o livro... só posso dizer que é todo tiradinho deste blog.
      Um grande, grande abraço para ti!

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  2. E é, sem sombra de dúvida uma líndissima casa, minha amiga. Quantas vezes utilizei a expressão "este soneto é dos meus preferidos?" Já não consigo contar.

    Um grande abraço

    António

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    1. Obrigada, Poeta. Acredita que estão 8º c nesta casa, a esta hora, com sol e tudo? Estou literalmente congelada... mas tenho de ir ao veterinário com a ET. Levo a transportadora embrulhada num cobertor e duas garrafinhas de água quente em jeitos de botija. Pelo menos ela vai quentinha.
      Abraço grande e muito obrigada!

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  3. Mª. João

    Há quanto tempo não te encontro? Não sei,
    mas sinto a saudade do teu dizer e o teu silêncio quando te pedem ..."Calem as vozes"
    Poeta amiga, como entendeste a necessidade do silêncio? Como sabias da minha dor tão forte?

    A Solidão paga-se com dor e sangue;

    O Amor dos que nos amam, sem nada pedir,
    paga-se com dor e sangue...

    Conheces alguma coisa que não se tenha de pagar?...
    Eu não conheço!...

    Lindo o teu soneto,

    Maria Luísa

    p.s. ainda estou no Brasil! Beijos.

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    1. Entendi muito bem o teu pedido de silêncio, Maria Luísa. Já passei, várias vezes, por situações semelhantes e sei que, em breve, vou voltar a passar. Sei que dói no mais fundo de nós... sei que por momentos o nosso único companheiro é mesmo o silêncio Gosto mais de imaginar os intercâmbios como "trocas de complementaridades", mas tens razão. Tudo se paga. E, por mais aflições económicas em que me veja, continuo a acreditar que há pagamentos bem mais valiosos do que os que se fazem com dinheiro. Não há dinheiro nenhum que possa comprar o amor, a amizade e a criatividade... podem "fabricar-se" sucedâneos", mas nunca se poderão comprar esses valores. E tu perdeste a presença física de uma grande amiga. Um grande abraço consolador.

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    2. Mª. João

      Sim - há coisas que se pagam com "sangue, suor e lágrimas".

      Não acredito que não a torne a encontrar! Calem-se os que não creem e deixem-me só ,com o meu silêncio, a minha dor, a saudade forte , como um gigante a abarcar tudo ... mas eu torno a encontrá-la, um dia ...
      Cedo ou tarde - isso não sei - mas torno a ela e ela a mim!...

      Beijos,

      maria Luísa

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    3. Foi só a presença física que acabou, amiga. Abraço.

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  4. Minha amiga:
    concerteza que tens uma casa linda!
    És tu, os teus bichos e as tuas recordações...
    Não vais ficar sem ela que eu não vou deixar!
    E quando eu chegar, para além do banco, vamos outra vez à CMO, pedir um subsídio cultural.
    Tou contigo. Vamos ter que ter esperança.
    A imagem da ponte é fabulosa!...

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    1. É linda esta imagm, não é Nati? Estava a lembrar-me da minha casa e fui ao Google, à pesquisa de imagens... subitamente a casa "era uma ponte" e foi assim que a encontrei, numa fluência de palavras e imagens que iam povoando o meu imaginário e que os meus dedos, quase inconscientemente, iam fazendo surgir no ecrã. Sei que parece maluquice o que te estou a dizer, mas são as palavras que melhor descrevem o que se passou quando "encontrei" esta imagem e soube, no mesmo instante, que era dela que andava à procura.
      Um grande abraço para ti e não te preocupes. Eu estou convencida de que vou conseguir resolver este problema.

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  5. Mª. João

    Fui buscar um dos teus desenhos e coloquei junto com a Maggie e o meu Silêncio - desculpa não ter pedido - aconteceu - Beijos,

    Maria luísa

    p.s. ainda estou no Brasil!

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    1. Já fui ver e ficou muito bem, Maria Luísa. Ainda bem que aconteceu porque esta tela também fala disso. A gatinha branca que está no topo da mancha, a Angel, também partiu em 2005. Os outros ainda estão comigo e eu com eles, mas a Angel habita agora o topo de uma tela e um lugar enorme no meu coração.
      O poema que te foi oferecido é lindíssimo! Obrigada!

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    2. Mª. João

      Obrigada pela oferta; foi tirada sem saber que a gatinha também desapareceu ...

      O poema oferecido pelo Neo é excepcionalmente belo - só tu comentaste o facto.
      Ele é uma pessoa de várias facetas, mas quando escreve a "sério" é "MUITO BOM".

      Tem escritos que eu não comento (ele sabe)
      mas tem sido um bom amigo, um óptimo poeta ... Conheço-o há cerca de 1 ano virtual

      Beijos,

      Maria Luísa

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    3. Estou sem tempo para o visitar, mas o poema é, de facto, muito bom! A ET tem estado outra vez doente e eu não páro quieta. Agora tenho de ir à farmácia. Depois voltarei, quando acabar de tratar os animais todos, para responder a mais comentários e tentar postar o resto de um prémio que está no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/
      Ficas já avisada de que foste contemplada com o prémio! Podes ir buscá-lo!
      Abraço grande!

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  6. Respostas
    1. Minha querida Ligeirinha! Sabes que eu, apesar de ser uma "amante da palavra" gosto imenso desses íconezinhos? Ora deixa cá ver... esperança... ainda muitas florinhas coloridas... de novo esperança... uns cházinhos (lembras-te do chá de tília?) tudo muito bem agasalhado, alguma boa disposição... mas ainda estás fraquita, não é? Muito cansada? Isso vai passando quando começares a reduzir o tratamento. Eu hoje estou "de serviço" à D. Lupa que está num daqueles dias de sobe e desce. Está aborrecida porque jantou ração seca e está habituada a comidinha cozinhada para o jantar... mas tem de ter paciência. Nem sempre consigo ter tudo o que sua alteza quer...
      Um grande abraço cheio de miminho!

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  7. Olá Maria João, este seu soneto é bonito como sempre ,mas "Leio" muita tristeza e desilusão nos seu ultimos trabalhos, espero que consiga ultrapassar esta fase menos boa da sua vida.
    Espero tambem que a "ET" melhore, já está doente há muito tempo, coitada.
    Um abraço e até amanhã

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    1. Tem razão, minha amiga. Eu mesma tenho notado alguma tristeza nos meus poemas. Esta é uma fase realmente difícil... muitas coisas menos boas estão a acontecer ao mesmo tempo e eu não me sinto tão feliz quanto é habitual. Tenho mesmo alguns momentos em que me sinto muito triste, mas acredito que vou aprender a viver e a conviver com estas novas solicitações. Olhe, o melhor é encararmos isto como uma fase menos boa... eu própria já tenho dito estas palavras para comigo mesma.
      Um abraço grande.

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  8. buon giorno poetisa. Há sempre uma ponte, sempre.Não se sabe é para onde...Quanto a esses prémios, não se preocupe, não sou sensivel a essas coisas. Julgo que em sonetos, neste pequeno mundo é a João que merece distinção, de resto ...não me pronuncio.Bacio e boa disposição...

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    1. Longe de mim pressionar seja quem for no sentido de aceitar as regras do prémio! Eu mesma já "meti água" em dois prémios por falta de tempo! Vou, esta noite, tentar remediar o Master Blog Award... se ainda conseguir mexer as mãos que parecem estar congeladas!!!
      Bacini, Peter!

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  9. Bom dia Poeta...

    Antes de mais nada tenho um pedido de desculpas a fazer pelo facto de te dever uma montanha de visitas, sabes é mesmo falta de tempo, por vezes arranjo um bocadinho e começo pela lista de links a visitar e a comentar o ppl, mas hà sempre algo ou alguem que me impede de continuar, é por isso que às vezes parece que ando ausente.

    O post, bem....até doi ver que no nosso Portugal ( que nós emigrantes aqui no estrangeiro defendemos com unhas e dentes ) hajam ainda situaçoes destas, faz até tremer o coraçao, mas que fazer?.

    Qto ao soneto, é como sempre sublime, pk so tu sabes tratar os sonetos como uma grande maestra que és.

    Parabens.


    Abraço with Style

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    1. Pronto! Até me derreteste o gelo das mãos!!!
      E fiquei toda babada!!!
      Também ando um bocadinho atrapalhada (anda mais do que o costume...) por causa da ET e destes problemas todos... mas melhores dias virão!
      Abraço grande!!!

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  10. Grande Maria, Poeta!
    Já parou para pensar que esta ponte pode ser você mesma? As pontes, quaisquer que sejam elas, têm, a meu ver, duas importantes funções. A primeira, ser a estrada que, na sua humildade, regozija-se do valor de receber os passos dos irmãos em sua caminhada. A segunda, talvez a mais importante, ser elemento de união. Pelos comentários que li de seus amigos, é como a vejo: aquela que une e, por isso mesmo, encanta.
    Abraços.

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    Respostas
    1. Olá Sandra. Muito obrigada pelas palavras. Se estou a servir de elemento de ligação (união) fico muito feliz por isso. Já vi que também é poeta!
      Abraço grande.

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  11. Boa noite, se puder passe no patacuriosa que tem lá um prémio á sua espera.
    Até amanhã.

    http://patacuriosa.blogs.sapo.pt

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    1. Vou já e agradeço, minha amiga! Mas provavelmente não será hoje que o publico... estou mesmo "de gatas" e esta odisseia do veterinário promete prolongarse umas boas semanas , embora ela esteja um pouco melhor. Está a fazer um tratamento novo que é prolongado...
      Um abraço!

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