MÁSCARAS DE VIDA
DIABO À SOLTA
*
Eu sou a mascarada hipocrisia:
Na minha inglória forma de estar viva
Assumo-me em postura defensiva
E escapo-me às questões como uma enguia
*
Outras vezes, porém, vou disfarçada,
Apenas a brincar… sou teatral!
Logo mostro quem sou porque, afinal,
Pretendo tudo ser e não sou nada…
*
Por vezes, de mimética que sou,
Torno-me natural porque me dou
A tudo o que encontrar à minha volta
*
Noutras, porém, sou mesmo traiçoeira
E tento dominar a vida inteira
Tal qual fosse eu o velho demo à solta…
*
Mª João Brito de Sousa
2009
***
Definido para http://fabricadehistorias.blogs.sapo.pt/
NOTA - Há um desafio à vossa espera no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/. Queiram ter a bondade de ir espreitar....
Talvez por andar-mos sempre mascaradas, eu não aprecio o carnaval, já me basta ter que andar disfarçada , e fingir que está tudo bem quando ás vezes só me apetece é estar longe de tudo e de todos, e ser eu mesma mas sem ninguém ver. Até logo
ResponderEliminarEu também não aprecio o carnaval, minha amiga, embora muito raramente use máscara. Penso que não uso há anos.
EliminarAbraço.
Olá poetisa! Acho que há sempre um momento na vida em que nos vemos na necessidade de usar máscara, que mais não seja, para que não vejam o quanto nos afecta certas e determinadas atitudes. Abraço.
ResponderEliminarFoi isso mesmo que eu preteni dizer na minha resposta ao comentário da Maria de Jesus, Manu. Ao longo desta minha vida não me foi totalmente possível não as usar... é aí que está a génese da série Maria-Sem-Camisa.
EliminarAbraço grande.
Eu sei que o momento não é o mais feliz mas foi-me proposto um desafio que se encaixa na perfeição no tema das máscaras. Quando estiver com disposição para tal veja no manulomelino. Abraço.
EliminarPeço desculpa pelo atraso na resposta, Manu.
EliminarA Lupatem um único grande sinal de desconforto, nesta sua longa despedida: as trmendas crises de náuseas e vómitos. Estou a tentar aliviá-la com a administração de Primpéran injectável, mas o fármacoparece estar a durar cada vez menos...
Vou já.
Não tenho blog mas vou-me movimentando na blogosfera passando de uns para outros. Foi assim que já há algum tempo cheguei ao seu. Gosto muito da forma poética que é o soneto mas não me atrevo a fazê-la.
ResponderEliminarEste, por exemplo é muito belo, â semelhança de outros seus que tenho lido. Desenvolve muito bem o tema. Tem ritmo e as palavras flúem naturalmente.
Deixo-lhe uma pequena escrita que tenho, sobre as máscaras
Máscara
Oh! Quantas vezes a máscara!
Quantas vezes o sorriso assoma
para impedir que a lágrima caia!
Quantas vezes o riso e a gargalhada
mascaram o som dum soluço!
E nos papéis também:
Quantas vezes a mãe,
canta aos filhos suaves canções,
para esconder que o sangue dói!
Quantas vezes a máscara
serve a hipocrisia!
Quantas vezes a máscara
sublima os sentimentos!
Voltarei
Seja bem vinda Maria de Jesus. Muito obrigada pelo seu lindíssimo poema. As máscaras são, com efeito tudo isso, na minha humilde - mas irredutível, neste aspecto - opinião. Quando se opta por não as usar ou por usá-las o mínimo possível, surgem as inevitáveis rupturas com a normalidade. Nunca gostei muito de máscaras e sempre procurei não as usar, mas o certo é que nem sempre o consegui, fosse por uma questão de sobrevivência, fosse por uma questão de optar por não magoar os que me rodeiam. São um tema vastíssimo, as máscaras.
EliminarUm abraço.
Oi Maria
ResponderEliminarTambém já usei, ou talvez usamos inconscientemente. Muitas vezes mentimos pra nós mesmos, isso também é uma forma de máscara. Mesmo meu consciente dizendo que não a uso há muito tempo, ainda pego-me querendo usar. E disse algo verdadeiro, fujimos da normalidade e isso incomoda as pessoas.
Este poema vai de encontro ao carnaval que também já não brinco há muitos anos, nem neles nunca usei máscara e acredito que este objeto esconde a verdadeira face.
Parabéns pelo soneto!
Abraço.
Obrigada, amiga. Muita força e muita coragem.
EliminarÉ nestes momentos que mais precisamos delas.
Beijo.
Beijinho Mulher coragem e que a despedida seja tranquila. Sou daqueles que sabe que os animais são seres como nós...ás vezes bem mais conscientes do bem e do mal que muitos humanos.
ResponderEliminarForça....
Obrigada Flor. Os animais têm profunda consciência de muita coisa. O facto de as não verbalizarem exactamente como nós, não os remete, de forma nenhuma, para o estatuto de "objectos". A Lupa está resistir de uma forma algo inesperada. Está no seu sétimo dia sem comer e no terceiro sem beber nem urinar. Mantém uma relativa consciência, responde a alguns estímulos e, por vezes, consegue levantar-se e mudar de posição. A decisão de não-ocisão foi do veterinário. A ver vamos. Não está a ser fácil.
EliminarAbraço grande.
Mais um lindo soneto, como não podia deixar de ser, já que para mim és uma " mestra" a escrevê-los,
ResponderEliminarparabens, este vou levar cmg,
beijito e bom fim de semana.
Obrigada, Estrelinha. Desculpa - desculpem-me todos vós - as minhas ausências. As coisas nunca foram muito fáceis daqui, deste lado ecrã e agora estão particularmente difíceis.
EliminarAbraço.
Olá M. João!
ResponderEliminarEntrei e… repousei meu olhar na sempre bela poesia que apresenta neste seu blog! Parabéns amiga e muita força. Tenha um bom final de semana! Um enorme xi coração! António
Obrigada, meu amigo. Está a ser um pouco mais difícil do que eu imaginei... ou sou eu que ando demasiado cansada.
EliminarAbraço grande.