"UM SORRISO NOS OLHOS" e "ASPIRAÇÕES"


UM SORRISO NOS OLHOS


*


 


 


Apaguei um sorriso iluminado


Porque ao sorrir pecava por excesso...


Fiquei toda virada do avesso


Com este meu sorriso sufocado.


*


 


Ficou, dele, este esgar semi-esboçado


De um riso a qu`rer sair sem ter acesso;


Sorrio ainda à espera de regresso,


Porque o sorriso, a mim, me foi negado...


*


 


Quem quer este sorriso por nascer,


Este sorriso que se vem esconder


Por detrás dos meus olhos indiscretos?


*


 


Quem quer este sorriso que sufoca,


E vos sorri dos olhos, não da boca,


Feito focos de luz sempre directos?


 


 


Maria João Brito de Sousa - 2009


 


*


 


 


ASPIRAÇÕES


*


 


Há coisas que eu não dou porque só dou


As coisas que esta chama em mim comanda


Quando estou debruçada na varanda


Olhando uma avezinha que passou.


*


 


Às vezes, já esquecida de quem sou,


Quero voar também, mas logo abranda,


Esta minha ilusão, esta demanda,


De chegar onde alguém jamais chegou...


*


 


Depois, a chama em mim, volta a acender,


Lembro essa  ave que, sem perceber,


Por instantes guiou meus pensamentos;


*


 


Reflicto, paro e volto a debruçar-me


Com a chama, cá dentro, a empurrar-me


E a ave lá em cima, em voos lentos.


*


 


Maria João Brito de Sousa - 2009


 


 


 


Imagem retirada da internet


 


É com um "sorriso nos olhos" que vos convido a todos para uma definição de AMOR.


 


http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/


 


 


 


 

Comentários

  1. Bonitos estes sonetos ,mas um pouco tristes, sinto neles alguma desilusão, e talvez falta de apoio, para poder chegar ao sitio que chegaria se tivesse esses apoios, e que sabe muito bem onde é, e o que poderia fazer se conseguisse lá chegar.
    Mas não perca a esperança que pode ser que o nosso"Deus" esteja a pensar no seu caso e lhe dê uma "mãozinha"Até logo

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    Respostas
    1. Tem razão, minha amiga... há um prenunciozinho de tristeza nesses sonetos. Dois dos meus amigos - cães - estão a morrer lentamente de velhice e estão comigo há muitos anos. Sei que, desta vez, é inevitável. Reajo o melhor que posso, mas fico com o coração muito apertado quando vejo a Lupa a emagrecer e a perder o imenso apetite que sempre teve. Pode ser questão de dias ou meses, mas dezesseis anos é muito para um cão grande. Faz doer, por muito positiva que eu seja. Além do mais estou com outra enorme crise de cãimbras nas mãos e nas pernas e tenho muitas dores físicas. Para estás dores tomo magnésio, mas sinceramente, os ionogramas (análises de sangue) continuam sempre muito desequilibrados no magnésio, potássio e cloro.
      Ainda nem entendi se vale muito a pena tomá-lo...
      A Lupa, agora, também não segura a urina, por mais que vá à rua fazer xixi. Vai ser um período que me vai custar muito...
      Um grande abraço.

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    2. Tenho muita pena que os seus cães estejam doentes, eu sei que isso custa muito que eu quando os meus cães morrera eu sofri muito, um até o tive muitos anos embalsamado, porque morreu atropelado e eu estava com ele e agarrei-o e ele morreu-me nos braços, até fiquei doente e estive de cama por causa disso, por isso sei dar o valor ao que está a sentir.
      Até amanhã

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    3. Está a custar-me bastante, sim. Tenho andado a brincar com os anos, a pensar que eles não passam, mas a Lupa já mostra bem os sinais deles.
      Abraço grande.

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  2. Que bom existires, para nos dares estes momentos.Como te admiro! Ao ler estes
    poemas fico sem palavras... são estrelas!

    Que a Vida te sorria
    Um abraço

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    Respostas
    1. Um grande abraço, amiga! Tenho muito prazer em vos dar um momentinho de contentamento, se assim o conseguir.

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