O RIO E A VIDA


O RIO
*


 


Mede-se a vida no fio


De uma linha equidistante


Entre a nascente de um rio


E a sua foz, a jusante…
*


 


Às vezes o rio, teimoso,


Quer subir uma montanha


Que não pode e, furioso,


Lança-se em fúria tamanha
*


Contra pedras e arribas,


Que acaba por ir passando:


Encontra as alternativas


Que antes não estava encontrando...
*


Flui depressa ou flui sereno,


Mas prossegue a caminhada


E constrói sobre o terreno


Um simulacro de estrada...
*


Já mais calmo, encontra a foz,


O ponto no qual, espraiado,


Vai mergulhar… como nós


Quando o fim tiver chegado
*


 


Mas lá em cima, a montante,


Continua inda a caminho…


Tudo é mudança constante,


Nenhum rio morre sozinho!
*


 


Mª João Brito de Sousa


Março - 2009


***

Comentários

  1. Oi Maria

    Que lindo!


    O rio e a vida caminham sem parar,
    No caminho encontram obstáculos
    Pedras grande ou pequenas...
    Todas elas a ultrapassar.
    Não são fáceis bem sabemos!
    E temos de caminhar,
    O rio vai correndo
    E a vida percorrendo
    Com saltos e sobressaltos
    Ele há de nos mostrar...
    Que as pedras nos caminhos
    São belezas a olhar
    E sem elas no caminho
    Seria sem graça nosso caminhar.

    Eu adoro escrever para você esses poemas, pois você é também uma inspiração para mim.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, Re-nascer. É uma honra poder inspirar alguém.
      Abraço grande.

      Eliminar
  2. Maria

    Estarei alguns dias com esses poemas dedicados à você, além de outros textos que não são meus, como o de hoje que postei, a divulgar seu livro, já que não aceitas ajuda.
    O Manulo está fazendo da mesma forma.
    Consideramos muito você, este teu caminhar sobre os obstáculos da vida e que muitos não entendem. Só quem passa por isso sabe.
    Hoje enviei um e-mail à um amigo que mora aí solicitando colaboração para seu blog continuar. Não sei se terei resposta, mas o fiz com muito carinho.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ai, amiga. E eu que não tenho mesmo feito visitas! Tenho sido muito indelicada. Hoje vou tentar dar um pulinho aos vossos blogs...
      Agradeço teres divulgado o poetaporkedeusker, mas não poderei aceitar outro tipo de contribuições. Quem sabe eu volto a conseguir pintar, estabilizo um pouco e as coisas correm com menor dificuldade? Às dificuldades já eu estou muito habituada... estas é que foram muitas e parece que chegaram todas ao mesmo tempo. Penso que qualquer pessoa, na minha situação, por muito alegre e optimista que fosse, iria ressentir-se. Daí este blog ter ficado bastante tristonho de há uns tempos para cá... depois eu não escondo os meus estados de espírito. Se estou triste, os poemas reflectem essa tristeza, porque nunca me preocupo muito em torná-los rebuscados... saem de forma espontânea. E é um blog pessoal, como a maioria dos escritos poéticos.
      Abraço e muito obrigada.

      Eliminar
    2. Tudo bem Maria.
      Não há problema da não visita. Sei que está a cuidar dos amigos bichos. P que postar no meu blog ainda estarei divulgando seu livro.
      Faço como você, procuro escrever o que me vêm na alma e nem percebo os erros, só depois de postado.

      Abraço.

      Eliminar
    3. Tantas vezes que isso acontece! Quando são posts, sempre dá para recorrer à reedição, mas os comentários não é possível...
      Abraço.

      Eliminar
  3. Olá poetisa! E junto desse rio que flui, correm também outros rios, não em competição mas em solidariedade. Não está só. Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada Manu. Eu vou hoje visitar o Amador do Verso. Tenho sido muito indelicada e não tenho visitado ninguém. Mas continuo online e vou tentando aproveitar...
      abraço grande.

      Eliminar
  4. Respostas
    1. Esse polegar para baixo significa que est´s zangada? Tens razão... eu não tenho visitado ninguém...
      Já fui ao Manu, mas, entretanto, o IE foi-se abixo e não sei se o comment ficou ou não...
      Beijinho.

      Eliminar
  5. O rio e a sua água
    Que caminha, para a foz
    Vão levando, a tua mágoa
    Mas não calam tua voz

    Não deixes que a tua voz
    Fique presa ,na nascente
    Deixa -a correr, para a foz
    Faz-te ouvir, que tu és gente

    Um abraço e bom fim de semana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, minha amiga. Hoje tenho andado virada para as redondilhas. São a sua poesia de eleição e também gosto muito delas porque são muito melodiosas.
      Um grande abraço.

      Eliminar
  6. Respostas
    1. Olá Estrelita. Estou a sentir-me muito mal educada por não andar a fazer visitas...
      Um beijinho também para ti.

      Eliminar
  7. Amiga Maria João,
    Eu fico deslumbrado com elevada qualidade da tua poesia. Gosto de todos os teus poemas.
    És uma fonte inesgotável da melhor poesia contemporânea do nosso país.
    Felicidades muito sinceras,
    Carlos Alberto Borges

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, Carlos. Tenho sido uma mal educada que não visita ninguém... desculpa. As coisas, por aqui, andam menos bem.
      Abraço grande.

      Eliminar
  8. Ah! Grande poetisa! Preparada para um novo livro? Tenha um bom Domingo. Abraço. António

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá meu querido amigo. Quer-me parecer que sim, embora os meus doentinhos estejam ainda muito instáveis. O Kco melhorou bastante com os corticóides que lhe dei, mas a Minervinha tem os ossos a furarem-lhe a pele e requer cuidados intensivos. Mas parece que para escrever, eu arranjo sempre um bocadinho...
      Um grande abraço.

      Eliminar
  9. Desejo-lhe um dia feliz.
    Cumprimentos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada, meu amigo. Fui tomar café à vila de Oeiras, com uma das minhas amigas.
      Para mim já é uma grande diferença e eu fui relembrando coisas da minha juventude... parece que me ando a recordar de tudo isso, ultimamente.
      Um abraço.

      Eliminar

Enviar um comentário