PONTUALMENTE


A vossa indiferença é tão agreste,


Tão gélida, tão falha de calor,


Que, por vezes, perfura o que me veste


E dói-me muito mais que a própria dor.


 


Outras vezes, eu cubro-me de escudos,


De edredãos ou de mantas bem quentinhas,


Afundo-me na terra e ergo muros


Pr`abrigar-me de vós, ervas-moirinhas!


 


Mas por mais que me tape e que me aqueça,


No vento frio ecoa uma cantiga


Da memória a pregar-me uma partida...


 


Se vibra o ar num som que me pareça


Remoto eco ou coisas muito antigas...


Sinto, ao longe, o pulsar das vossas vidas!


 


 


 


 


Nota - Ainda de "O Livro das Horas Convergentes - Trinta e três sonetos e uma estrada".


 


Ainda desafios para os amigos no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/


 


 

Comentários

  1. Oh Poeta eu não aguento com tantos concursos! E ainda não entrei! São medalhas, destaques, eu sei lá! Ando muito cá por dentro de mim e saio pouco...acredita! agora foi para te mandar um beijo!

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    1. Eu já vi, minha Ligeirinha! Tenho andado à tua procura, saltitando de blog em blog... mas também nos faz bem estarmos, de vez em quando, em recolhiment, dentro de nós.
      Beijinho grande!
      PS- Deixa estar. Só aceitas os prémios quando te apetecer, eu compreendo muito bem.

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    2. Ainda bem que compreendes....a certa altura não "há tamanho" de alma para tanta coisa......Estou ainda embasbacada com a minha vida e ....tanto por arrumar......! Nunca te esquecerei , vou sempre espreitando, com o mesmo entusiasmo, mas fiquei "bicho de conta! -"Que um dia se enrolou de tal maneira ....que um menino com ele brincou......

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    3. Os bichos-de-conta acabam por se desenrolar sempre, de vez em quando, para darem umas voltinhas por aí... sempre gostei muito deles, sabes? Até já fiz umas "figuras tristes" - não para mim! - por causa de bichos-de -conta...
      beijinho e vai voltando que eu prometo que não te bombardeio mais com prémios e medalhas!

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  2. Minha Poeta,
    Existem coisas na nossa vida que por mais que usemos a nossa melhor couraça , elas nunca, nunca deixam de doer ou de nos moer...
    Bj da Jo

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    1. Tens razão... mas só pontualmente nos vamos um bocadinho abaixo. Pontualmente...
      Um grande abraço para ti e família e os meus respeitos cumprimentos ao Bloguezi. :)

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  3. Pontualmente só para dizer
    Que este blog é educativo
    Aprendo um pouco ao ler
    Cada verso seu, um motivo

    Felicidades

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  4. Oi amiga

    Este poema é muito bonito, ms muito sentido.

    Abraço.

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    1. É um dos primeiros, amiga. Já tem cerca de dois anos de idade e foi sentido mesmo... tive de o modificar muito ligeiramente porque nessa altura ainda fazia erros de métrica e eu estava mesmo a tentar o soneto clássico.
      Beijo!

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  5. Sonetos mais antigos mas que estão muito actuais, e claro que a indiferença dói , e se essa indiferença vier pelo caminho por onde devia vir o Amor, então a dor ainda é maior. Minha amiga a minha neta ficou radiante com a ideia da tela, porque ela ontem tinha-me dito para eu lhe fazer esse pedido, e eu disse-lhe que não podia fazer isso, hoje quando lhe disse que me tinha feito essa oferta ficou muito contente e até me disse que se eu quisesse ela ia comigo um dia para a conhecer também , ela está muito envolvida com este projecto todo, isto é para ela um objectivo a atingir, como se fosse um sonho dela própria.
    Um abraço e até amanhã

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    1. Isso é óptimo, minha amiga! Tem aí uma amiguinha para partilhar alegrias e trabalhos!
      Ainda bem que vamos no bom caminho.
      Um grande abraço.

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  6. Olá Maria João
    Cá estou eu , para te dizer que a minha memória não me deixa esquecer-te, nem a ti nem aos teus poemas, onde venho sempre que me deixares.

    Passei aqui todos os dias
    A colher teu perfume de nardo
    Sempre tuas mãos me estendias?!
    Nas minhas, teu calor ainda guardo.

    Para ti o meu grander apreço

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    1. Bom dia amigo/a. Não estou a reconecer-te na minha "vida real" mas vem sempre que queiras. Muito obrigada pelo teu poema.
      Abraço.

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  7. Olha amiga não sei que fiz mas o meu comentário ficou como sendo dum tal demasiado tímido, mas fui eu que te vim visitar
    beijinho

    rosafogo

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    1. Olha amiga, e eu respondi-te como se fosses o/a tal "demasiado tímido"... eu explico. Houve um dia em que, não gostando lá muito da carga emocional associada à plavra "Anónimo", fui à personalização intermédia e substituí-a pelo termo "demasiado tímido"... agora quem comente sem se identificar aparece com esse epíteto. Foi o que aconteceu contigo, muito provavelmente.
      Está tudo esclarecido. Um grande beijinho. :)

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