CLANDESTINIDADE


 


Aqui, neste começo de ninguém,


               Na génese do meu desconhecido,


Nesta implosão do que não faz sentido,


Procuro o dealbar de um novo Além.


 


Aqui, onde me sei, se encontro alguém,


Um outro, como eu, que já perdido,


Procure ainda e esteja convencido


De poder encontrar-se em si, também,


 


Eu reconheço ter valido a pena!


Prossigo a caminhada, mais serena


Por saber que outros há que, como eu,


 


Se negam ao torpor das meias-vidas,


Que arriscam caminhadas proibidas


Em busca dessa luz que Deus lhes deu.


- - - * - - - * - - - * - - - * - - - * - - - * - - -


 


 


Este é o soneto com que eu teria concorrido aos Jogos Florais da Associação Portuguesa de Poetas, caso a memória me não tivesse, mais uma vez, atraiçoado. O mesmo aconteceu com o soneto com que eu quereria ter concorrido aos Jogos Florais de Almeirim e que eu ainda nem sequer consegui encontrar, por estar manuscrito num dos milhares de papéis com poemas que vou guardando muito bem guardadinhos e, depois, não encontro...


Não vou entrar em pânico por causa deste tipo de coisas. Raríssimas vezes entrei em pânico em toda a minha vida e nunca foi uma experiência útil.


Apenas peço desculpa pelo facto.

Comentários

  1. Olá amiga João. Até nisso tinhas que ser como eu? Eu também arrumo sempre tão bem as coisas, que quando vou por elas, nunca mais as encontro. Já tenho ido comprar coisas que sei de fonte limpa que tenho cá em casa, mas não sei aonde. Normalmente encontro-as depois quando já não são precisas. Abraço Eduardo.

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    1. Pois é exactamente assim! É isso mesmo que eu faço! Já prometi a mim mesma que nunca mais poderia dizer a famigerada frase "Vou guardar aqui, para não me esquecer!"... mas esqueço-me de me calar e dá sempre, sempre, mau resultado! E s´aparece quando já não é necessário, é verdade!
      Abraço grande!

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  2. Oh poeta, tu agora não ligas nenhuma! Já vi!nos primeiros dias pensei que era por causa da prótese , qual quê! Aqui fresquinha a sonetar!Pois é poeta, fizeste falta no meu blog! Beijinhos, e os livros já os foste buscar? Gostaste?

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    1. Não Ligeirinha! Já lá vou, ao teu blog, mas ainda não fui buscar os livros, ainda não tenho o pivot arranjado - nem sei se terei... -, não poetei hoje - este soneto era para ter sido enviado via CTT e não foi porque me esqueci da data - e não me sinto nada fresquinha, embora talvez esteja menos mal do que estaria a maioria das pessoas na minha situação. E não estou a falar só do pivot, não senhora...
      Até já e um beijinho!

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  3. Boa amiga
    Para mim vale sempre a caminhada até ao teu
    espaço, saio mais serena e com mais vontade
    de seguir em frente.

    Um grande beijinho

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    1. Obrigada amiga! Só por isso teria valido a pena criá-lo!
      Um abraço grande!

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  4. Boa Noite! Mais um belo trabalho como tantos outros. fio pena não ter podido concorrer porque o trabalho é muito bonito, ia enriquecer o concurso sem sombra de duvida, mas não vale a pena afligir-se porque nada acontece por acaso, fica para outra vez.
    Ate amanhã.

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    1. Olhe que eu também penso assim, minha amiga. Embora me tenha sentido bastante frustrada por não ter conseguido cumprir o prazo limite, sempre "senti" que, muito frequentemnete, as coisas que nos parecem frustrantes se vêem a revelar de outra forma. Paciência, eu não fiz por mal, nem por preguiça... aconteceu, como muitos outros disparates que eu ando fazer nestes últimos tempos... mas não há-de ser sempre assim! decerto virão dias mais tranquilos, mesmo que não pareça lá muito provável.
      O seu trabalho vai avançando devagarinho, no que me diz respeito. É melhor assim do que fazer como fiz com o meu e deixei passar duas ou três "gralhas"....
      Um grande abraço!

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