VÊ LÁ TU!

Vê lá tu… é verdade o que me dizes


Quando falas de tempos bem melhores,


Quando evocas, saudoso, outros alvores


Em que éramos, decerto, mais felizes…


 


Mas vê melhor! O tempo tem matizes


Que sempre exibem renovadas cores


E, destes tempos maus, outros piores


Poderão só esperar que os concretizes…


 


Tenta, portanto, – menos pessimismo!


Afastar-te depressa desse abismo


Que teimas em escavar sempre a teus pés.


 


Aproveita este tempo que é tão teu!


O outro, o que passou, já se perdeu


E tu, até morrer, serás quem és…


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Boa tarde amiga, que soneto lindo, é um hino á esperança e á coragem.
    E nós temos que viver o dia a dia o que passou já não interessa, e o que vem aí será decerto melhor.
    Um abraço

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    1. Um abraço, amiga. Estou desejando beber um cafezinho consigo!
      Um grande abraço e obrigada pela visita.

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  2. Respostas
    1. Ai, ai! Vamos lá ver se me aguento nas "canetas"... :)) com tótós e tudo!
      Bêju!

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  3. Soneto realista, sim, senhora.
    A eterna discussão, ou a isso parecida, sobre o choque entre passado e presente, mas sobretudo acerca do pessimismo que o passado pode conter - isto, como sói (desculpe o arcaísmo) dizer-se, dá pano para mangas ... Os poetas, poderia dizer um pouco nós, os que são românticos, melancolistas, passadistas, fatalistas, renascentistas até, e outros «...istas», ligam bastante ao passado e até ao pessimismo, o que não quer dizer que esteja totalmente bem. É necessário, inegavelmente, ter esperança em tudo na vida, e esta semeia-se no presente, realmente, para florescer no futuro. Mas é, também, bom ir ao passado e saborear momentos felizes ou de simplicidade que por lá estão ainda a chamar por nós, não os momentos de desgraça, mas, ainda assim, até esses tanto atraem as tendências poéticas que acima referi.
    Eu acho que cada pessoa, poeta ou não, mas sobretudo poeta por em geral «ter de viver» o sofrimento mais do que as outras pessoas, cada pessoa, dizia eu, é livre de viver mais nesta ou naquela dimensão do tempo, desde que isso lhe traga «felicidade», o que objectivamente não quer dizer que esteja bem.
    Eu, por mim, escrevo muito sobre o passado, acerca do que lá me cativa ...
    Melhoras na sua saúde, ou noutro âmbito também.

    Mírtilo

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    1. Obrigada pelas palavras, meu amigo. Acabo de adicionar o seu post sobre virgulação aos meus favoritos.
      Também eu escrevo sobre o passado, sobre o que lá me cativa e, às vezes, sobre o que me foi mais penoso e ainda não deixou de doer... outras vezes não situo os poemas no tempo. Muitos são narrativos ou descritivos, mas ficcionados... ou talvez não. Surgem-me de imagens que as coisas do dia a dia vão suscitando em mim. Quase todos vocês, os bloggers com que me vou conseguindo relacionar, embora de fugida, são deliciosamente "escrevíveis"! Muitos destes sonetos são, também, vossos. O acto de escrever pode definir-se infinitas formas mas, em todas elas, a partilha está inevitavelmente presente. Mesmo quando o autor afirma exactamente o oposto.
      Abraço!

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