HERANÇA II

 



 


Deixo-vos, filhos meus, depois da morte,


Os raios de luar sobre as cascatas


E, nas horas mais duras, mais ingratas,


O sopro rugidor do Vento Norte.


 


Deixo-vos, filhos meus, palavras, traços


E o barro tenro que haveis de moldar,


Um infinito inteiro a conjugar


Numa premonição de mil abraços.


 


Deixo, de mim, um rasto de cometa,


Um papel escrito, o húmus da caneta


A despontar em verde e negro e branco


 


E deixo estas roupagens de poeta


Lavadas num lagar de tinta preta


Contestando o sorriso aberto e franco...


 


 


Imagem retirada da internet


 


 

Comentários

  1. Mais uma das suas maravilhas.
    Obrigado,por me dar estes momentos, de prazer.
    CASIMIRO COSTA

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    1. Olá, meu amigo! Obrigada pelas suas palavras.
      É impressinante a velocidade a que os poemas se disseminam pela blogosfera, não é?
      Estava agora mesmo a pensar nisso... parece que o mundo, de repente, fica pequenino, pequenino...
      Um abraço!

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  2. E naquela hora mais sombria, sofrida
    Lerão teus sonetos deixados, na solidão!
    E verão quanto amor á poesia e á vida
    lágrimas e sorrisos, quantos?! Houve em
    teu coração!

    Este levo comigo
    um beijinho
    natalia

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    1. Obrigada pelas palavras, amiga.


      Houve lágrimas, sorrisos, mil abraços,
      Houve momentos de pura introspecção.
      Houve o meu partilhar-me em livres traços
      E houve, acima de tudo, inspiração.

      Houve força nos punhos do sentir
      E houve, por vezes, medo... quem diria!?
      Mas houve esta força a permitir
      Desvendar o meu último segredo.

      Bjo gde!

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  3. oi resistente, tudo bem ??? belo soneto, como todos, o que é que havemos de dizer ????peter

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    1. Olá Peter! :) Eu dou um pulinho ao seu blog assim que responda a alguns comments.
      Bacini.

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  4. Que lindo este soneto que mais parece um testamento, mas é muito sentido e nota-se que a minha amiga precisa muito de Amor, mas em contra partida tem muito Amor para dar e deixa esse Amor transparecer neste soneto. Minha amiga tenha um bom inicio de semana.
    Um grande abraço

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    1. Olá minha amiga Idalina! Hoje o seu saquinho vai fazer furor entre as senhoras da Pastoral... trouxe-o comigo e vou exibi-lo logo à tarde.
      Também trouxe o "Palavras Sentidas" para lhes ler alguns dos seus poemas. Tudo isto depois do almoço porque agora estou no gabinete de informática do CJO.
      Um abraço grande, grande e muito obrigada!

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  5. Minha Poeta,
    Que posso eu mais dizer, que ainda não tenha dito sobre os teus sonetos?...
    Obrigada por me proporcionares estes excelentes momentos de poesia, e de simbiose perfeita com a minha amada língua materna.
    Bj grande da Jo

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    1. Minha JO! Caramba "melher", tu nunca te esqueces da velha poeta? :))
      Estou toda vaidosa com o meu novo saquinho de arraiolos que me ofereceu a amiga Idalina do Linhas&letras. É lindo! As idosa da Pastoral vão adorar! Sabes, também lá há alentejanas e uma senhora muito simpática que tem a filha aí nos States. Ando a "namorá-las" para criarmos um blog em que eles pudessem mostrar os seus trabalhinhos, contar as suas histórias de vida, eu sei lá... são infinitas as hipóteses que um blog pode oferecer em termos de expressão, criação e comunicação... o problema é que elas têm tanto horror aos computadores quanto eu tinha há uns tempos atrás... ainda não consegui convencer nenhuma...
      Um grande, enorme abraço para ti, Husband e Martim!

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  6. Mais um soneto fantástico, sei que estou sempre a repetir-me mas é a verdade.
    bj

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    1. :)) E eu até devo ser um bocadinho vaidosa... até gosto das repetições e tudo...
      Bjito!

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  7. Amiga...

    E quase que a morte me leva
    Desta Terra que é a nossa escola
    A aprendizagem ainda é lenta
    Da passagem que a vida nos molda.

    Grande és Tu poetisa do astro Rei!
    Por isso és mensageira dos versos meus
    Versos que eu disse: Senda de Deus!
    Assim também os versos conjugarei.

    O teu último segredo desvendar
    Eu por ser sensível assim como sou
    Não leves à mal, ainda vou
    Minha alma em abraços desnudar.

    Queria apenas neste teu Portugal
    Sentir o calor humano do abraço
    E foi frio que senti sem o tempero do sal
    Senti-me morta, quis voltar p'ro meu espaço.

    Ps. Depois vou postar no meu cantinho estes versos feito para você.

    Abraço.

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    1. Obrigada, amiga!

      Também estiveste doente fisicamente ou foi um problema espiritual? Olha, eu estive bem mal e poderia ter sido ainda pior porque, às tantas, diziam que a infecção era respiratória... depois, como tinha imenso sangue na urina, já era renal... foi uma confusão e eu ia piorando cada vez mais. Não tinha, praticamente, potássio no sangue e estava desidratada, por mais água que bebesse. Forças? Nem vê-las... foi mesmo terrível e perderam, mais do que uma vez, os meus exames. Foi mesmo uma daquelas experiências que eu tudo farei para não repetir!
      Vou agora aos emails. Abraço.

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    2. Oi Maria
      Não diria espiritual, podendo até ser.
      Diria obsessão sobre mim, de vivos e de mortos.
      Mas estou recupernado aos poucos com homeopatia e alopatia e algumas outras ervas, as quaia acredito.
      Falando em ervas, estou com um livro em alemão para traduzir. É sobre a cura atraves das ervas..
      Como pode um poeta escrever 8 poemas em 3 horas ou até menos?
      Disse bem, poeta. o que não sou. Estou tentando estar poeta.

      Abraço.

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    3. Mal vou ter tempo para responder a este. Não quero ficar presa cás dentro...
      :)

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  8. Maria
    Uma pergunta...
    Porque escluiu-me como sua amiga?
    Algum problema que causei?
    Se sim, goataria de saber.

    Abraço.

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    1. Eu excluí o quê???? Eu não excluí ninguém, Vera. Sei que vais acreditar em mim. Jamais faria isso, mesmo que tu te tivesses zangado muito comigo. Agora não tenho tempo. Amanhã verei isso.
      Abraço grande.

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