DÚVIDA METÓDICA

 



DÚVIDA METÓDICA



E se, depois, houvesse um não-sei-quê


Por dentro de outra vaga imaculada?


E se, em lugar de tudo, houvesse um nada


Reflectindo o olhar de quem o vê?


 *


 


E se, em cada ilusão, outra ilusão


Fosse somando, até ao infinito,


Aquilo que tomámos por já escrito


E a que nunca sabemos dizer: - Não!


*


 


E se as certezas só forem certezas


Se nós acreditarmos ser assim?


E se, afinal, não for… como será?


*


 


Se, sorrindo, se fala de tristezas


E, chorando, se colhe o alecrim…


Aonde é que o poema acabará?


*


 


 


Maria João Brito de Sousa - 26.11.2009 - 14.04h


 


Nota - Soneto ligeiramente reformulado a 11.10.2015


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Minha amiga Maria João, que pequeno me vejo quando entro neste blog! Será que sou digno de estar aqui?!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ó meu amigo! Isso nem a brincar! Vou-lhe confessar uma coisinha... acredita que eu, nos primeiros meses, também me sentia assim diante dos outros blogs? É verdade! Achava-me perfeitamente insignificante, mas como sempre fui teimosa e sentia que tinha esta pequenina missão a cumprir, lá fui insistindo e agora estou perfeitamente à vontade!
      Um grande, enorme, abraço!

      Eliminar
  2. pois é poetisa, acho que ninguém sabe...talvez nem seja para saber !!!!! bacio

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu também penso assim, Peter! A magia está em ir aprendendo e aceitando que nunca poderemos saber tudo, tudo... o "mais" é a nossa meta do dia a dia. Uns não o aceitam, outros "não o sabem nem sonham", mas é assim mesmo, segundo acredito!
      Bacio!

      Eliminar
  3. Poetaporkedeusker:

    Pois é ... Dúvida metódica «cheira» a filosofia e a ciência, mas também pode «cheirar» a vida, e é a vida que «cheira» no seu soneto.
    A vida é realmente uma TALVEZ completa dúvida, também TALVEZ metódica, ainda que por vezes nos pareça termos uma ou outra certeza, certeza relativa, entre a infinita dúvida sobre por que nascemos e a, também infinita, de para onde vamos.
    A dúvida dir-se-ia o maior deserto da vida humana, mas SE CALHAR é de dúvida que temos de nos alimentar, de procurar, de desesperar, de morrer, neste mundo que uns ACHARÃO paraíso e outros inferno. SERÁ?

    Um abraço.
    Mírtilo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Até onde eu alcancei neste momento, assim é, Poeta! A fé e a vontade, temperadas pela benção da dúvida, são terrenos férteis, sempre abertos ao cultivo. Obrigada por tê-lo entendido!
      Um grande abraço!

      Eliminar
  4. Mª. João

    A dúvida, é uma constante nas nossas vidas.

    Duvidamos de nós,
    duvidamos de alguns
    duvidamos de tudo,
    duvidamos de todos.

    A dúvida é eterna
    nasceu contigo, comigo
    e talvez com todos.
    Quem sabe?

    E o teu lindo poema não vai acabar,
    É eterno, como a dúvida!...

    Beijos,

    Maria Luísa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes, amiga, eu falo daquela dúvida que nos move em direcção ao amanhã, que nos leva a darmos o melhor de nós mesmos para que a construção vá melhorando ao longo dos presentes infinitos. Não gosto da dúvida que nós rouba a fé e a vontade, da que nos faz não acreditar nos outros, muito embora nenhum de nós possa, pontualmente, considerar-se imune a ela. Gosto da dúvida-ferramenta de trabalho, combustível do sonho!
      Um GRANDE abraço para ti!

      Eliminar
    2. Sei que a tua dúvida não está na tua Fé.

      Sei que procuras o amanhã
      e pretendes fazer o melhor.

      Sei que não gostas da dúvida
      do não acreditar nos outros.

      Podes chamar à dúvida
      "ferramenta de trabalho"
      mas não a podes traduzir
      "em combustível do sonho".

      O sonho para existir
      e ser um bom sonho,
      tem de afugentar a dúvida.
      Não a pode utilizar,
      como "ferramenta de trabalho".

      Assim eu penso,
      Assim eu sinto!

      Mas o teu poema, como sempre, não está
      em causa.

      beijos da amiga,

      Mª. Luísa

      Eliminar
    3. És capaz de ter razão, amiga. Eu, quando falo sobre algo que me entusiasma, torno-me uma "Fittipaldi" das teclas e nem penso no que digo... provavelmente será contraditório chamar-lhe "combustível do sonho"... o sonho nasce e desaparecem todas as dúvidas... mas será que ela não está lá, na génese do sonho? Vou ter de meditar sobre isto. Agora tenho de sair para ir almoçar, mas volto à tarde, se Deus quiser.
      Um grande, grande abraço!

      Eliminar
    4. Mª. João

      Medita e encontras o fruto da meditação.

      Sinto que a dúvida, não deve, não pode,
      introduzir-se nos sonhos.

      E se o fez, foi essa a nossa culpa...

      Um sonho com a dúvida, se transforma num
      sonho de pesadelo (não deixa de ser sonho).

      Beijos amiga,

      Mª. Luísa

      Eliminar
    5. E olha que eu meditei mesmo, amiga! Talvez precise de meditar muito mais...- preciso, mesmo, sem dúvida!- mas ainda penso que o germe da dúvida está sempre lá. Se foi a nossa culpa ou se faz parte integrante da nossa humana condição... isso já é uma outra história. Não sei! Mas vou tentar responder nos sonetos que hoje publicarei, se conseguir tirá-los da pen...
      Um enorme abraço!

      Eliminar
  5. Muito gosto de ler estas conversas entre amigas, este digo eu oura dizes tu ou seja
    Maria Luísa, Maria João, lindas...

    Eu estou com o amigo Casimiro, pequenina me sinto, mas me sinto bem aqui.

    beijinho
    natalia

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ora essa!? Mas não há Poetas pequeninos! Os poetas são todos grandes, grandes como o abraço que aqui te deixo! :)

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas