O LEITO FICCIONAL...

Longínquo fado, o destes mansos dedos
Sobre essa aresta instável do sentir
Onde luto por dar - ou conseguir? -
Bem mais doces volúpias, sem folguedos...
Antecâmara alada do meu espanto
Que me devolve à vida e, no retorno,
Me oferece a nitidez de outro contorno
Depois de adormecido o breve encanto…
Não mais serei mulher… serei poeta!
Luzam-me os olhos de outras tentações
Enquanto as mãos se afogam nas palavras
E aspire unicamente à estranha meta
Que me desdobra em versos- sensações
Num leito ficcional de etéreas lavras!
Maria João Brito de Sousa – Maio 2009
Mª. João
ResponderEliminarO teu soneto está um primor. Emocionante
e belo, inexplicável de uma beleza triste e
linda.
Tu dizes:
"E as minhas mãos afogam-se em palavras,
Num leito ficcional de etéreas lavras..."
Me dá a sensação de desgosto no teu dizer
e me faz sofrer...
Beijos,
Maria Luísa
p.s. não precisas me responder, mas se eu
pudesse, elevava-te ao Cimo da Piramide!
Não, amiga. Estranhamente existe algum orgulhozinho nisso. Claro que também há tristeza... nós somos seres profundamente dicotómicos num equilíbrio quase sempre instável entre a sensação de plenitude e a tristeza. É esta a nossa natureza e o nosso maior mérito estará sempre na gestão desse equilíbrio.
EliminarHoje só vim aqui num pulinho... lembras-te da encomenda de que te falei? Pois ainda não consegui expedi-la! É enorme e eu não tenho força para a levar... fiquei, novamente, à espera da ajuda do meu sobrinho, mas ele também não veio hoje. Dentro de minutos terei de ir para o Centro paroquial pois hoje há um almoço festivo.
Abraço GDE!
É lindo poeta, mas denota também alguma desilusão, um "atirar de toalha ao chão".
ResponderEliminarPrimeiro Mulher, depois poeta, ou ao mesmo nível.
Sabemos que nem sempre o poeta é o sujeito poético dos seus dizeres, espero que seja o caso.
Beijinhos
:) Aqui é, Fá! :) Mas eu até tenho orgulho nisso... não é aquele orgulho "mauzinho", tipo "peneiras" :)) é uma sensação profunda e serena, como se estivesse, finalmente, no caminho certo... mas depois recordo e sorrio... afinal o caminho foi sempre o certo, o possível... é aqui que o Espaço e o Tempo se abraçam. Nesta continuidade, nesta coordenada que está sempre em união, mas da qual nos não apercebemos durante a maior parte da nossa vida.
EliminarAbraço GDE!