UM BICHO SEM-VERGONHA
Sou bicho velho e duro de roer…
Discordo, cá por dentro, a toda a hora,
Não torço e nem quebrando eu “salto fora”
E nunca disse “sim” a um qualquer!
Mas qual raio de sol – um só me basta –
Encanto-me e sorrio e aquiesço…
De forma pendular eu sonho e cresço
Permanecendo firme, embora gasta…
Sou bicho que mudou sem se mudar…
Sigo em frente, porém, sem me esquivar
Àquilo que esta vida me proponha…
Não procuro… nasci para encontrar
Aquilo que nem eu quis procurar…
Mas nenhum dos meus sonhos me envergonha!
M. J.
ResponderEliminarAdorei teu soneto!
Regressei. Problema de saúde não está sanado.
Mas espero por ti!
Com saudade,
M. Luísa
Vou já, já ao teu cantinho, Maria Luísa!
EliminarAbraço grande!
E se dos sonhos meus não me envergonho
ResponderEliminarConquanto o ar que tenho um pouco altivo,
Aqueço os corações nos lares que vivo
Assim como os lugares onde me ponho
Também a dar carinhos me disponho
Se vejo para tal haver motivo!
E o bicho que rotulam de tão esquivo
Faz sempre o dono seu menos tristonho
Reparem nos meus passos... são de dança!
Vejam o ronronar... ele afiança
Que sinto f'licidade à vossa beira
Se não me curvo tanto como o cão
Creiam, não é por mal, ah não é não!
É este o meu feitio, queira ou não queira...
Joaquim Sustelo
Beijinho
:) !!!O GATO
EliminarE, assim, ronronando, eu sou quem sou;
Ternura em quatro patas, muito pêlo,
E, sendo como sou, o que eu revelo
É este ronronar em que me dou...
Feliz daquele que tem amigos destes
E pobre de quem nunca os possa ter
Porque eu tenho, em verdade, esse poder
De amansar os momentos mais agrestes...
Mais feliz do que a própria felicidade,
Cuido tão só de ser e, na verdade,
Me importa cuidar dela a tempo inteiro...
Meu espaço - o meu palácio sobre o mundo-
Me traz bem definido e, cá no fundo,
Serei alegre e sempre verdadeiro!
Abraço!
EliminarMEU MITCH
Ah, deixe-me contar-lhe este segredo:
Tive um gatinho em casa, uns anos bons;
Tinha de pardo e branco uns lindos tons
Nas patas, amarelo, até num dedo...
Subia a minha cama logo cedo
Sabia que eram horas. E os sons
Tinham doçura tanta... eram bombons
Fazendo levantar-me e não estar quedo
Então, despertador, não precisava...
E à noite quando algum de nós chegava
Ele ia sempre à porta em felicidade
Escolheu-me... enquanto eu não me deitava
Vinha chamar-me à sala e retornava;
Morreu duma doença. Que saudade!...
Joaquim Sustelo
Beijinho
Eu sei o que isso é! Sei da tristeza
EliminarQue nos invade quando um deles nos morre...
Já se me foram tantos... falo sobre
Amigas de insuspeitável grandeza!
A Lupa, a linda E.T., a Minervinha...
Todas partiram no ano passado
E por todas chorei! Foi-me levado
Esse enorme valor do que então tinha...
Tenho ainda oito amigos que comigo
Partilham tecto, abrigo e felicidade!
São como meus irmãos... às vezes mestres!
Alguns já são velhinhos... nem consigo
Pensar que chega a hora da verdade
Que me há-de vir roubar amigos destes...
Um grande abraço, Joaquim!
Todo nós temos um pouquinho deste ronronar.
ResponderEliminarAchei muito belo teu soneto!
Abraço.
Obrigada, amiga! Vou tentar visitar-te ainda esta tarde. Agora estou a dedicar algum do meu tempo ao estudo... :) bem, ao estudo disciplinado, com horas marcadas, porque eu acredito que estudo até quando respiro! :)
EliminarAbraço grande!