UM BICHO SEM-VERGONHA

 



 


Sou bicho velho e duro de roer…


Discordo, cá por dentro, a toda a hora,


Não torço e nem quebrando eu “salto fora”


E nunca disse “sim” a um qualquer!


 


Mas qual raio de sol – um só me basta –


Encanto-me e sorrio e aquiesço…


De forma pendular eu sonho e cresço


Permanecendo firme, embora gasta…


 


Sou bicho que mudou sem se mudar…


Sigo em frente, porém, sem me esquivar


Àquilo que esta vida me proponha…


 


Não procuro… nasci para encontrar


Aquilo que nem eu quis procurar…


Mas nenhum dos meus sonhos me envergonha!


 


 


 


 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET


 

Comentários

  1. M. J.

    Adorei teu soneto!

    Regressei. Problema de saúde não está sanado.

    Mas espero por ti!

    Com saudade,

    M. Luísa

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  2. E se dos sonhos meus não me envergonho
    Conquanto o ar que tenho um pouco altivo,
    Aqueço os corações nos lares que vivo
    Assim como os lugares onde me ponho


    Também a dar carinhos me disponho
    Se vejo para tal haver motivo!
    E o bicho que rotulam de tão esquivo
    Faz sempre o dono seu menos tristonho


    Reparem nos meus passos... são de dança!
    Vejam o ronronar... ele afiança
    Que sinto f'licidade à vossa beira


    Se não me curvo tanto como o cão
    Creiam, não é por mal, ah não é não!
    É este o meu feitio, queira ou não queira...


    Joaquim Sustelo

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) !!!O GATO

      E, assim, ronronando, eu sou quem sou;
      Ternura em quatro patas, muito pêlo,
      E, sendo como sou, o que eu revelo
      É este ronronar em que me dou...

      Feliz daquele que tem amigos destes
      E pobre de quem nunca os possa ter
      Porque eu tenho, em verdade, esse poder
      De amansar os momentos mais agrestes...

      Mais feliz do que a própria felicidade,
      Cuido tão só de ser e, na verdade,
      Me importa cuidar dela a tempo inteiro...

      Meu espaço - o meu palácio sobre o mundo-
      Me traz bem definido e, cá no fundo,
      Serei alegre e sempre verdadeiro!

      Abraço!





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    2. MEU MITCH


      Ah, deixe-me contar-lhe este segredo:
      Tive um gatinho em casa, uns anos bons;
      Tinha de pardo e branco uns lindos tons
      Nas patas, amarelo, até num dedo...


      Subia a minha cama logo cedo
      Sabia que eram horas. E os sons
      Tinham doçura tanta... eram bombons
      Fazendo levantar-me e não estar quedo


      Então, despertador, não precisava...
      E à noite quando algum de nós chegava
      Ele ia sempre à porta em felicidade


      Escolheu-me... enquanto eu não me deitava
      Vinha chamar-me à sala e retornava;
      Morreu duma doença. Que saudade!...


      Joaquim Sustelo

      Beijinho


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    3. Eu sei o que isso é! Sei da tristeza
      Que nos invade quando um deles nos morre...
      Já se me foram tantos... falo sobre
      Amigas de insuspeitável grandeza!

      A Lupa, a linda E.T., a Minervinha...
      Todas partiram no ano passado
      E por todas chorei! Foi-me levado
      Esse enorme valor do que então tinha...

      Tenho ainda oito amigos que comigo
      Partilham tecto, abrigo e felicidade!
      São como meus irmãos... às vezes mestres!

      Alguns já são velhinhos... nem consigo
      Pensar que chega a hora da verdade
      Que me há-de vir roubar amigos destes...

      Um grande abraço, Joaquim!

      Eliminar
  3. Todo nós temos um pouquinho deste ronronar.
    Achei muito belo teu soneto!

    Abraço.

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    Respostas
    1. Obrigada, amiga! Vou tentar visitar-te ainda esta tarde. Agora estou a dedicar algum do meu tempo ao estudo... :) bem, ao estudo disciplinado, com horas marcadas, porque eu acredito que estudo até quando respiro! :)
      Abraço grande!

      Eliminar

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