A UMA POMBA QUE TENTEI ENSINAR A VOAR

 


 


 Minha pobre avezinha... perdoaste


Este meu erro, assim, tão sem perdão?


Quis libertar-te e não te dei senão


Esse breve momento em que voaste


 


Por um instante, assim que te soltaste


Do estranho abrigo que era a minha mão


Embora nunca achasses salvação


No asfalto da estrada em que pousaste.


 


Pequena companheira de quem sou,


Nos bons e maus momentos desta vida,


Perdoa, por favor, quem te quis bem,


 


Perdoa, por favor, quem te cuidou


E te chorou na hora da partida


Como se fosse pomba ela também.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 18.03.2010 - 14.41


 


 


À Hope, que partiu ontem à hora do almoço.

Comentários

  1. Olá minha senhora. Não tem que agradecer por adicioná-la. Belíssimo. É um prazer ler quando aqui venho. Cumrimentos.

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    1. :) Mas eu adoro agradecer!!! Vem-me cá do fundo, nasce espontaneamente! Vi-me obrigada a parar porque lhe ia agradecer de novo...
      Abraço!

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  2. Que homenagem!
    O que aconteceu a Hope? Dá a entender que foi atropelada:
    Mas não houve qualquer libertação
    Nesse asfalto da estrada em que pousaste...

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    1. Foi mesmo atropelada, amigo. Ontem, de manhã, trouxe-a na transportadora dos gatos. Soltei-a junto ao pinheiro grande, perto da igreja de St. António de Nova Oeiras e fiquei a ver se ela se juntava às outras. Depois vim trabalhar um bocadinho mas, de vez em quando, ia ao jardim, ver como ela se estava a dar com a sua nova situação. Depois do almoço fui vê-la, com uma das senhoras que almoçam comigo no Centro de Dia e foi nesse momento que ela voou muito alto e acabou por tentar pousar em plena estrada. Vinha, ao longe, um automobilista que nem se deu ao trabalho de abrandar um pouco e pronto... foi assim que terminou a sua curta liberdade. Estava comigo havia dois anos e era uma daquelas sobreviventes a um envenenamento com trigo roxo. Sempre viveu mais dois anos do teria vivido se eu a não tivesse encontrado, mas eu gostaria muito que tivesse sido possível ela recomeçar uma vida livre, entre os outros pombos deste jardim...
      Abraço.

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    2. Oh! Coitada!
      (Trigo roxo? Pensei que agora não os envenavam directamente com o intuito de os matar, mas apenas para diminuir a reprodução...)

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    3. Não foi uma situação pública, de forma nenhuma! Foi uma moradora do bairro que se lembrou de o fazer... ainda andei a varrê-lo do passeio, mas muitos dos animais já o haviam ingerido. Salvei alguns, outros não pude salvar. Esta Hope foi uma das felizardas que conseguiu resistir, embora tivesse estado muito, muito mal. Tanto quanto sei, a nível oficial, pode ser administrada uma ração à qual foram adicionados produtos anticoncepcionais que não os matam, mas reduzem os excessos populacionais de pombos... esta "brilhante" ideia do trigo roxo foi uma "iniciativa" particular e eu sei quem é a pessoa. Claro que não vou dizer, mas sei.
      Abraço!

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    4. Envenenar pássaros! Que inconsciência!

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    5. Exacto! Para além de ser execrável, é também uma inconsciência pois há crianças pequeninas que brincam na zona e nós sabemos como são as crianças no que respeita a levar coisas à boca...e o trigo roxo tem uma cor bastante apelativa para uma criança.

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    6. Ao fazer uma pesquisa no google sobre o envenenamento de pombos, deparei-me com o seu blogue. Adorei a homenagem prestada à Hope . Eu também tenho comigo uma pombinha (o) que salvei quando caiu do ninho, já lã vão 3 anos. Tal como a Hope também não voa e pior ainda, não se alimenta sozinha. Já experimentei deixá-la com fome, mas não consegue dar a volta ao grão e engolir. Parece que os pombos da minha zona, comunicaram uns com os outros, pois quando estão doentes vêm todos bater-me à porta. Ontem apareceu-me um com as patas atadas com linhas - a maldade mais recente inventada pelos humanos!!!. Com muito cuidado, tirei-lhe as linhas que de tão apertadas, já parte dos dedos estavam cortados. Tratei com betadine , e dei-lhe de comer. Depois de recomposta pu-la a voar. Hoje apareceu a agradecer. No mesmo dia, mais tarde apareceu outra que presumo ter sido envenenada. Dei-lhe carvão vegetal, mas infelizmente, não consegui salvá-la. Notava-se nitidamente que estava em grande sofrimento. Morreu e vi que finalmente ficou em paz. Quero acreditar que agora é livre de todas as maldades, que voa alto e nunca mais sentirá dor. Porque são os seres humanos tão maus???

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    7. Boa noite, Ana Paula.
      parece-me que a maioria das pessoas não entende que os animais sentem e sofrem como nós... eu também tenho uma dessas que não consegue ser auto-suficiente para se alimenta... é a Pitinha. tenho de a alimentar directamente "bico abaixo", como fazem os pais pombos aos borrachos... já cá está há mais de quatro anos... nestes casos, temos de os manter em gaiolas grandes... tenho pena de ter duas em gaiola, mas não voam e uma delas nem se consegue alimentar sozinha, como expliquei... mas muitos morrem mesmo quando começam estes envenenamentos...
      É uma dor de alma para quem entende que eles sentem dor, medo e aflição, tal como nós...
      Um abraço! :)

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    8. Obrigada por responder ao meu comentário. Agora sei que não sou a única a ter pena destes bichinhos e é bom ter alguém com quem possa partilhar a minha pouca experiência sobre este assunto. Há 15 dias vieram trazer-me um melro bebé que segundo me disseram eram dois e um deles estava morto. Tentei encontrar os pais, com o melro numa pequena gaiola a chamá-los mas não os encontrei. Pus então mãos à obra e todos os dias vou procurar minhocas para o alimentar como também lhe dou ração própria para melros e uma papa com insectos. Felizmente já come sozinho. Sei que não é pássaro para se manter em cativeiro, e hoje resolvi soltá-lo, acompanhei o voo durante meia hora. Permaneci calada quando se empoleirou numa árvore. Qual não foi o meu espanto quando ao chamá-lo piu-piu ) veio direito a mim e pousou no chão junto aos meus pés. Percebi então que ainda não está preparado para ir em liberdade. Que bom, ele voltar para mim. Assim vou poder devolvê-lo à natureza mas acompanhar a evolução, prestando os cuidados necessários, para que não venha a falecer. Voltando à minha pombinha, confesso que me espanta a inteligência destes bichinhos. Como vivo a maior parte do tempo numa garagem, a pomba (o) Cassiana (o) anda à solta. Quando vou passear com os meus cães, ela acompanha-me dentro do seu cestinho e adora passear e ir à praia. Segue o link da minha menina: http :/ ossodecao.blogspot.pt /2010/12 pomba-cassiana.html

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    9. :D Fico feliz pela sua experiência, desta vez com o pequeno melro, Ana Paula. Ele não deve estar ainda preparado para se tornar autónomo... mas quando ele "sentir" que está no momento certo, irá escolher por si mesmo.
      A sua pomba deve ser pombo. Eles já iniciaram, este ano, a fase de postura mais intensiva e, se fosse "menina", já teria encontrado um ou dois ovos perto dela... as minhas são as duas fêmeas, põem que se fartam... como não têm macho, os ovos acabam por não eclodir mas, entretanto, elas lá se entretiveram a tentar chocá-los até, naturalmente, desistirem deles...
      Todos os animais têm a sua inteligência. Como tudo se vai desenvolvendo em função das características de cada espécie e segundo as suas necessidades, não é uma inteligência que se expresse exactamente como a nossa, mas existe, sem dúvida nenhuma! E o mais interessante é que sentimentos de afecto e até daquilo que podemos chamar de solidariedade, existem nestes pequenos animais. A Pitinha tem dificuldades de coordenação motora e a sra. Capitão ainda não desistiu de a tentar ajudar a alimentar-se, apontando-lhe o alimento com o bico e esperando que ela tente por si. É interessantíssimo e um enorme privilégio poder observar estes tão pouco conhecidos sentimentos de animais tão pequenos que a maioria dos humanos despreza e coisifica... mas eles são muito, muito interessantes.
      Vou visitar o seu link. Obrigada!

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    10. Obrigada pela visita ao meu link e pelos comentários. A Cassiana já não tenho dúvidas que é Cassiano. Quando está com os da sua espécie procura encontrar uma fémea que lhe dê atenção, em vez de aprender a comer. Darei noticias sobre o melro. Um abraço

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    11. :) Obrigada, Ana Paula!
      O Cassiano é uma delícia! Os vídeos... uma maravilha! :D
      Abraço!

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  3. Pobre pomba, teve uma liberdade muito curta, eu sei o que sentiu ,porque há uns anos talvez há treze houve um incendio ao pé de minha casa, e havia muitos gatos a que nós os moradores dávamos comer, nesse dia a nossa aflição para alem do fogo eram os gatos que para fugirem do fogo meteram-se dentro de uns tubos e alguns morreram lá.
    No outro dia de manhã eu comecei a ouvir um gatito a miar e pedi ao meu marido para ir busca-lo, Tinha as patitas queimadas, eu fui á farmácia comprei pomada para as queimaduras e tratei do gatinho em minha casa, pus umas ligaduras e tinha de tratar dele como se fosse um ser humano, e afeiçoei-me ao bichinho, depois de ele estar quase curado e por motivos de saúde da minha filha, eu tive de ir para casa dela e pus o gatinho ao pé dos outros na rua, ao fim de algum tempo o meu marido disse-me que ele tinha sido atropelado.
    Ainda chorei com pena do gatinho, não morreu queimado mas teve uma vida curta .
    Parece uma história mas foi bem real.
    Um abraço e bom fim de semana.

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    1. Eu acredito plenamente, minha amiga Idalina.
      A vida tem destas coisas e nós somos humanos... humanos dos "bons", acho eu. É claro que a vida continua, mas eu também chorei por esta pomba.
      Hoje estou numa pressa porque cheguei à conclusão de que se não escrevesse nada para a Fábrica ainda era despedida com justa causa... nem sequer tenho tido tempo para ler os vossos textos e votar... e tenho mesmo de ir aos CTT levantar o meu vale porque é o último dia para o pagamento do gás. Vamos a ver como me desdobro em duas durante esta tarde...
      Um abraço muito grande e um óptimo fim de semana.

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  4. Quereria que uma ave tão ténue e de sibilar romântico pousasse em meu pequeno jardim.
    Precisaria sentir o seu canto para sonhar, amar e poetar.
    Mas há poetas que criam pássaros os mais exóticos e de cantares ímpares, os quais conquistam os corações do que ouvem seus cantos.
    Assim é a poesia de verão, que vem em turbilhão , quais os versos de Maria João.

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    1. :) Obrigada, Poeta irmão. Não havia nada de exótico na minha pequena Hope... era uma pomba urbana como as outras, mas era minha amiga e eu tinha conseguido salvá-la de um envenenamento há dois anos atrás. Na altura em que tirei a foto, ainda ela estava muito mal. Cheguei a pensar que se não salvaria... e agora é o Spirit - o gatinho mais jovem - que está muito doente. Já fui ao veterinário com ele e hoje vou ter de voltar...
      Abraço GDE!

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