SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA V
AMOR TAMBÉM É
Amor é também este latejar
Das asas invisíveis do meu peito,
Das asas de cristal com que me enfeito
Quando faço um poema e sei voar.
É também este estar sem nunca estar
E esta aspiração ao Ser Perfeito,
Quando a noitinha vem, quando me deito
Debaixo das cobertas do luar.
E tudo quanto vive e me rodeia
Se vem deitar comigo e, num abraço,
Nos recomeça o sono e viajamos.
Todos os rituais desta alcateia
São feitos desse amor, como se um laço
Unisse árvore mãe aos filhos ramos.
A TEORIA
Já vos contei das almas pequeninas Que há por detrás de cada ser vivente? Já vos falei do que é mais transcendente No vislumbrar das almas clandestinas? A vós que acrescentais obras divinas A tudo o que acontece e, de repente, Esqueceis o que, no fundo, é mais urgente Por ser inseparável destas rimas, Vou contar um segredo tão secreto Que é bem possível que me não escuteis, Que penseis que tudo isto é fantasia… Mas faz parte do mundo, é bem concreto E existe para além do que entendeis Embora o apodeis de “teoria”…
OUTRAS ENXADAS...
A insinuação vem de mansinho Sob um anonimato relativo… É com os seus disfarces que convivo Ao longo desta estrada em que caminho. Sei bem quando ela vem porque a conheço, Porque sei bem daquilo que é capaz, Sei que mesmo fingindo vir em paz Traz consigo traições que não mereço… Talvez a minha enxada – a minha escrita – Não escave, como a grande maioria, O alimento ou mesmo a construção… Talvez não seja óbvio o que suscita, Mas escava as fundações da Poesia, Tal como as outras vão cavando o pão.
UMA VISITA
ResponderEliminarFaz tempo não fazia uma visita
A este espaço seu que me deleita;
Hoje arranjei um pouco... e desta feita
Cá vim, ao som de música bonita,
Ver como a poesia em si habita
Em sequência que... direi perfeita!
Como se panaceia pra maleita
Mostrando a cada dia aqui a dita
Nas veias corre em si, tal como um rio...
E nem sequer eu tento um desafio
Se bem que possa ver que me apetece
Prossiga nessa força e nesse brio!
Que o tempo ele é de Inverno, corre frio,
E tantos corações sempre ela aquece...
Beijinho
Joaquim Sustelo
:) Muito obrigada, Joaquim! Tenho imensa pena de lhe não conseguir responder em soneto, mas estou completamente "desinspirada", muito provavelmente porque estou adoentada... só consegui produzir estes três sonetos durante todo o fim de semana. Estou com dores de cabeça - sinusite - e este desconforto físico "roubou-me" a criatividade toda.
EliminarEnorme abraço.
O primeiro é, definitivamente, o meu favorito, especialmente a última estrofe. «Unisse árvore mãe aos filhos ramos.», bela imagem, sem dúvida.
ResponderEliminarNo soneto seguinte, aprecio especialmente a primeira estrofe, com aquele seu termo, "almas pequeninas". Esses dois primeiros sonetos dizem-me mais, talvez pelo carácter mais metafórico/ transcendente que aparentam possuir.
O último soneto, parece trazer uma mensagem mais subtil... ;)
Uma pergunta que me surgiu no outro dia, há alguma razão que a leve a preferir os sonetos para escrever?
Pois essa é uma das tais razões que me transcendem, Talvez... eu escrevo poesia desde os meus três anos de idade e só em Abril de 2007 me apaixonei - loucamente - pelo soneto clássico... neste momento estou a retomar uma linha mais semelhante àquela em que escrevia anteriormente no http://liberdadespoeticas.blogs.sapo.pt/. Há coisas que eu não comando mesmo... apenas posso garantir todo o trabalho e todo o esforço que possa dispender, mas o nascimento de um soneto realmente muito bom só ocorre de vez em quando e eu nem sei explicar porquê... por isso nasceu o porkedeusker do/a poeta. Exactamente porque eu não soube responder a essa mesma pergunta.
EliminarObrigada pelas suas palavras!
Abraço!
Oi amiga
ResponderEliminarQue criatividade heim!
O amor é tudo isso!
Que mais podemos dar...
A este amor tão imenso?
Talvez... A vida.
Abraço
Sim, amiga. É mesmo a Vida!
EliminarAbraço grande. O acesso está quase a terminar!
Que belos sonetos, os dois primeiros para mim são uma maravilha, mas eu sou suspeita porque gosto de todos os sonetos que a Maria João faz.
ResponderEliminarUm abraço
:) Nem queira saber, Idalina! Cheguei agorinha mesmo do dentista e sinto a boca como se estivesse cheia de pedras :)) Vou ter de sair já de seguida. Isto foi só mesmo para vir espreitar se havia algum comment. O refeitório tem horários que eu devo cumprir rigorosamente.
EliminarUm enorme abraço!
Maria João, adorei , mais uma vez. Fim de semana de inspiração. Já tenho saudades de a ver no meu blog. Já conseguiu ultrapassar o problema técnico? Bjs
ResponderEliminarNão Alfa. Ainda não consigo comentar o seu blog... e não é o único. Como estou num serviço público, não posso fazer nada... nem sequer reiniciar o computador porque, se o fizer, fico sem acesso. Naquele dia em que consegui comentar devia estar cheia de sorte! :)) Mas eu volto à tarde e prometo tentar mais uma vez!
EliminarAbraço GDE!
"Versos suaves, inteligentes... e um dos meus "pontos fracos" - ou fortes? - nesse sapinho que faz parte do meu imaginário. Do infantil, do adolescente, do da maturidade e do da velhice na qual vou entrando com muito orgulho :))
EliminarSorte a minha em ter conseguido ver essa imagem! Na grande maioria dos casos, só vejo quadradinhos ou rectângulos brancos em vez de imagens... :)
Abraço GDE, Alfa!"
Peço imensa desculpa mas o comment não saía nem com a minha conta do Google!
É muita inspiração para o início da semana.
ResponderEliminarMas a amiga poetisa tem o dom do verbo e da rima, além de um coração puro de amor e bons sonhos.
Que Deus a ilumine!
Que Deus o ilumine também a si, poeta irmão! Vou ter de deixar a sala porque o horário do refeitório é para ser cumprido e eu já estou um pouquinho atrasada... mas volto durante a tarde!
EliminarAbraço GDE!