SPIRIT II


Quando a Morte se empenha de verdade,


Dá o bote final e já não larga...


Parece desistir mas volta à carga


Com redobrado ardor e intensidade,


 


Tornou-se inevitável a partida,


O extremo sofrimento é já visível


E eu decido alcançar o impossível,


Impondo, a todo o custo, ainda a vida...


 


Mas ela não desiste da disputa


E reivindica o corpo que escolheu


Sabendo ser mais forte, a prepotente!


 


E, nas últimas horas desta luta,


Eu, não querendo admitir que ela venceu,


Sinto-me cada vez mais desistente...


 


 


 


 


IMAGEM - "A Lágrima", Maria João Brito de Sousa, 1999


 


 


 


À vossa espera, no http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/ , mais uma novidade da poetisa Idalina Pata.

Comentários

  1. Será que entendi direito amiga?
    O Spírit partiu mesmo?
    Se sim, minhas condolências.
    Se não... Fé e confiança.

    Ps. É um lindo soneto de dor
    Abraço

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    1. Quando escrevi este soneto já estava a perceber que o Spirit iria mesmo morrer... e morreu, ontem à tarde. Tinha Leucose Felina - extremamente contagiosa entre os gatos - e fez tumores nas vias respiratórias que o impediam de engolir e respirar. Sofreu muito e eu também.
      Bjo.

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  2. ...partir é sempre um momento triste para quem fica...e para quem vai, como será. Adorei a "Lágrima".

    bjs

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    1. Obrigada, Alfa. Quando estava a começar a tentar aceitar o que se tinha passado, recebi a notícia da morte de uma prima da minha idade.
      Hoje não me sinto mesmo nada bem.
      Abraço.

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    2. Alfa, o Moi, les uns et les autres não se entende com este serviço de que estou dependente... mas estive lá, nas suas palavras, e gosto cada vez mais do que escreve... de todas essas pequenas nuances que, exactamente como eu, descobre nas palavras... e nós somos bichos que se identificam com as coisas, com as escritas. É essa uma das mais importantes vertentes da comunicação.
      Abraço grande.

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  3. claro que há outros , somos um pouco das coisas e as coisas um pouco de nós, quando parte alguma vai algo de nós não fica...Mas , como diz a ciência, tudo se transforma....
    Saúde e bacio.

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    1. Sim, Peter... diz a ciência e não só. Eu acredito nesse ponto da transformação a um nível que excede o físico. Mas sou humana e isto está a doer.
      Bacio.

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  4. Maria João nem sei que dizer, mas se o Spirit partiu foi porque estava destinado assim, e o sofrimento é pior que a "morte".
    M as até parece mentira ele era tão irrequieto, tinha tanta vida, mas tal como os humanos quando a doença chega não há nada a fazer, e cuidados não lhe faltaram nem carinho. Um grande abraço

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    1. E mesmo assim, ele sofreu muito nestes seus últimos dias, minha amiga. Coitadinho... estava quase sempre sozinho, fechado na marquise e, para o fim, já não conseguia comer nem respirar. Pobre animalzinho, ainda tão jovem.
      Abraço grande.

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  5. Poetaporkedeusker:

    ... Pois é, é mais que triste, é algo que se nos vai, sem nada podermos fazer, de impotentes, traduzido nessa lágrima que, por vezes hesitante, resistente, ou mesmo contida, escorre do rosto perplexo em sintonia com o coração ferido, ao morrer-nos, como se fosse alguém nosso, o nosso animal de companhia, de estimação, a que(m) devotámos amor e com que(m) conversámos, como se de um nosso igual se tratasse, como se pessoa fosse, ou mais, por sabermos que é mais fraco e contingente que nós perante a civilização dos homens ...
    É difícil mas nada além de lamentar e chorar é possível fazer.
    As minhas condolências e ... paz à alma do Spirit.

    Um abraço.
    Mírtilo

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    1. A lágrima foi pintada há onze anos, poeta Mirtílo, mas hoje está muitíssimo actual. Tudo o resto é a pura verdade. Sempre conversei com os meus amigos animais e eles sempre se mostraram disponíveis para me entender a um nível muito superior ao verbal e a serem as minhas pequenas musas. Mas, tanto quanto me é dado entender, vou continuar por cá e terei de me habituar à perda das minhas musas felinas... o Spirit morreu com Leucose e os outros têm 99,9% de possibilidades de a terem contraído também... e não, não existe tratamento preventivo. Existem apenas manifestações mais ou menos fulminantes da doença. No caso do Spirit houve tumorização das vias respiratórias o que tornou muito rápida a evolução da patologia e o levou à paragem respiratória. As alminhas deles, tanto quanto acredito, estão sempre em paz... eles não são maus, mesmo que o pareçam, e fazem exactamente aquilo para que foram concebidos... o Spirit é que nem chegou a ter tempo para o fazer e, por um lado, foi bom que assim acontecesse, pois as crias viriam todas com Leucose.Um abraço e obrigada pelas palavras.

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  6. Oi Maria

    Porque n~çao aproveitar este momento e participar do concurso poesiacem rede com o tema "A Vida". Acho uma ótima ocasião, esta a qual estes momentos de dor e que está passando.
    O meu já está lá. É o nº 44 com o título
    "A Vida... Entre o querer e o poder".

    Abraço grande e força.

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    1. Mas o meu também já lá está, amiga. Nessa altura saiu um decidido grito de amor à vida... penso que é o número seis e chama-se "Vida".
      Obrigada por me recordares, mas eu, desta vez, não me esqueci.
      Bjo.

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    2. Fogo...fiquei sem palavras!

      ...Apenas um grande abraço

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    3. Desculpe, Vitor. Não era minha intenção chocar ninguém. É este meu hábito de falar de tudo o que faz parte da minha vida; o bom e o menos bom. Vou ficar meia "aparvalhada" durante alguns dias, mas, depois retomo o meu ritmo e volto a sorrir. Por enquanto só me nascem palavras um pouco tristes e eu não gosto de forçar a escrita. Soaria a falso e eu ficaria um tanto ou quanto desiludida comigo mesma... esta poesia é triste, mas é genuína.
      Abraço grande e obrigada pela solidariedade.

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  7. Respostas
    1. Obrigada, minha Ligeirinha. Para ti também.
      Eu volto à minha linha habitual. Estou apenas a dar um tempo. É o tal luto que nos faz falta para ultrapassarmos as situações e continuarmos a viver em plenitude.

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