IN EQUAÇÃO


(IN)EQUAÇÃO


*


Sou a soma de todos os momentos


Que passaram por mim sem me matar


Elevada à vontade de lutar


Do mais rudimentar dos elementos.


 *


Recuso a submissão aos tais lamentos


Que são, da poesia, o mais vulgar


E faço a divisão do que sobrar


Pelas parcelas nuas de argumentos


*


 


Triângulo imperfeito, insubmissão


Na explosão da palavra aleatória


Em átomos que arranco ao que é comum,


 *


Serei sempre a aberrante inequação


Da aritmética vã, contraditória,


Em que o poema e eu somos só um.


*


 


Mª João Brito de Sousa


Abril, 2010


***


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Comentar o poema...
    Seria loucura para mim!
    Estou distante de entender o raciocínio deste soneto.


    Abraço.

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    1. Olá, Vera. Não acredito que estejas longe de entender este soneto! É muito descritivo de mim no momento em que escrevo... e tem uns temperozinhos de "vulcão" em erupção, assim, muito de vez em quando :) é a melhor maneira de me explicar porque há momentos em que a mera racionalização me parece insuficiente.
      Bjo.

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  2. Olá Maria João, eu tambem não tenho talento suficiente para comentar este belo soneto, só sei que gostei.
    E sei que depois de "somar e dividir"o que sobra é uma grande mulher com muito para dar, e naquilo que me toca a mim, muito lhe agradeço, minha amiga.
    Um grande abraço.
    "E que linda foto"

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    1. Olá, Idalina. Estas fotos são todas fruto da impressora que me ofereceu :) Tinha os meus dezoito anitos e estava no jardim de Algés, o hoje é a Alameda Hermano Patrone. Nessa altura ainda o sr. Patrone era vivo e eu conhecia-o muito bem, do Sport Algés e Dafundo. Há um parque infantil a meio da Alameda. Nem queira saber o que eu andei naqueles baloiços!
      O Palácio Ribamar foi o meu primeiro liceu. Foi lá que fiz o primeiro e segundo ano do ciclo preparatório. Só depois vim para o Liceu de Oeiras.
      Um grande abraço!

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  3. Ah, há muito tempo que não resolvo inequações!

    Continue a bela poesia!

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    1. Nem eu, Talvez. Há uns seis anos... mas acho que esta é mesmo irresolúvel :))
      Esta manhão estou "apeada" de sonetos... não consegui produzir nada ontem. Vou ter de recorrer a uns que já fiz há uns dois anos e penso não estarem ainda publicados...
      Abraço!

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