QUEM TEM MEDO DA DONA FÚRIA?


A Fúria despertou! Ninguém a agarra


Pois chispa, estala, salta e faz fagulha,


Estrebucha, rosna, alastra e pede bulha


E só na própria bulha é que se amarra.


 


Tudo o que a Fúria encontra, em fúria estraga


E queima e deixa negro como a hulha


Mas, depois de passar numa algazarra,


Cabe bem no buraco de uma agulha


 


Quem tem medo da Fúria? Quem o tem?


Depois de detonar, toda se acalma,


Chega a pedir desculpa e, de pasmada,


 


Não sabe, nem sequer, que lhe convém


Mostrar tudo o que ainda traz na alma


E fica muda, queda, envergonhada.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


 


18.05.2010 – 20.30h


 


 


 


 


 IMAGEM RETIRADA DA INTERNET


 


 


 


 


 


 


 


 

Comentários

  1. Olá Maria João, que bonito soneto mesmo sendo falando de"Fúria" Eu acho que a fúria é menos "agressiva" se for deitada cá para fora.
    A que fica "retida" cá dentro faz muito mais estragos. Depois de sair perde a força e esfuma-se ao passo se ficar retida está sempre a fazer mal.
    Um grande abraço

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    1. É isso mesmo, amiga... mas eu não estava nada furiosa quando escrevi este soneto... estava apenas a fazer pequenas reflexões sobre a nossa emotividade colectiva. Neste momento tenho muitas, muitíssimas razões para estar triste. O Kico está pior e a medicação que está a fazer é apenas paliativa. Tem um edema muito volumoso na traqueia e, quase de certeza, é um tumor. Estas duas últimas noites foram terríveis para nós os dois. Isto está a ser mesmo muito difícil e eu, ontem, só produzi dois sonetos tão magoados que acho que nem os vou publicar.
      Um abraço grande.

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  2. Mª. João

    Sei que o Kico está a morrer.

    Horrível, minha amiga, horrível.

    Nem comento o que escreveste na tua fúria,
    estás cheia de razão.
    Quanto o lamento!!!

    Coragem - uma vez mais! Coragem!!!

    Maria Luísa

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  3. Mª. João

    Disse tão pouco e tanto deveria dizer.

    Não palavras de circinstância, pois tu estás a sofrer e muito, mas só eu entendo isso!

    Quanto lamento!!!

    Nada mais sei dizer!Desculpa a vida, desculpa
    o que te deixaram. Desculpa!!!
    E desculpa-me a mim!

    Maria Luísa

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    1. Amiga, não tenho rigorosamente nada a desculpar-te! Eu, aqui, vou tentando que o trabalho me distraia, mas é muito difícil estar a vê-lo morrer lentamente. Não vou dizer que não... ontem à noite eu sofri horrores! Pensei que ele ia ficar ali, naquela noite, mas ele ainda luta muito pela vida. Agora vou ter de ir, de novo, ao veterinário... mas não sei o que faça, amiga. Não sei mesmo. Esta minha fúria é quase uma brincadeira ao pé da imensa tristeza que me invade quando o sinto piorar. Antes ele tivesse morrido de repente e eu me tivesse enfurecido... esta tristeza lúcida é muito pior do que qualquer fúria, amiga.
      Um grande abraço!

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    2. Mª. João

      Eu peço desculpa por não estar ao pé de ti e fazer parte do contexto que escreve palavras
      de circunstância.

      "Tu foste a única pessoa no sapo que me entendeu e aceitou como sou!" Entendes?
      E me aceitou como sou!

      Por isso e por tudo, eu deveria estar contigo.

      Sei que estás a sofrer muito e estás só;
      o Kico está a sofrer - não merece, sempre deu Amor incondicional e continua a dar
      até Deus o levar.
      Fala com o veterinário para que lhe deminua
      o sofrimento.
      Ele não tem pecados para sofrer !
      Sofre por ele e por ti.
      Pede conselho e ajuda ao médico.
      Na terra , só o médico pode ajudar.

      beijo,

      Mª. Luísa

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    3. Amiga, não te aflijas, o Kico melhorou um bocadinho e, ontem à tarde, já não estava naquela tremenda aflição para respirar. Está a fazer altas doses de cortisona injectável e Primpéran. Não te vou dizer que esteja bem, mas está bastante melhor... anteontem chegou a estar com a língua azul, tal era a dispneia. Foi terrível e eu temi, a cada instante, que ele morresse no pior dos sofrimentos, mas Deus quis que ele melhorasse por mais um dia ou dias... que sei eu? Sei que, neste momento, ele não está a sofrer.
      Obrigada e um enorme abraço!

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  4. A fúria. O que é a fúria diante do amor?
    Melhor não são os risos da alegria do que o rosnar da fúria humana?
    Vejo fúria quando o amor se vai. Vejo fúria quando a natureza é atacada pela mão do homem. Quando os animais são maltratados pelo homem, que se julga superior.
    Vejo fúria em que exerce o poder por conta e ordem de outrem.
    Mas a fúria é obra da matéria estampada na vaidade.
    A verdade da vida não está na fúria, mas na simplicidade do amor.
    Como a natureza é bela! E nela há pessoas belas! Há belas poesias que engrandecem o coração como os poemas de Maria João!

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    Respostas
    1. Maria João,fúria de poeta...!!!

      Bj*

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    2. Obrigada, poeta irmão! Esta fúria nem sequer é muito mazinha... é uma furiazita de trazer por casa e, como todas as fúrias, não tem grande poder... explode e logo se envergonha e pede desculpa...
      Hoje vou tentar divulgar dois eventos de animação cultural que terão lugar aqui, em Oeiras. Sei que está muito longe , mas vou tentar manter-vos ao corrente dos acontecimentos. Amigo, o soneto clássico vai sair à rua, aqui em Oeiras!
      Abraço granede!

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    3. Furiazita, Vitor :)) era só uma furiazita... aliás, uma pequena dissertação sobre a fúria.
      Abraço enorme e muito obrigada!

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