SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA IX (acho eu...)
Disse-me o sol, um dia, indo dormir;
- Lembras-te, ó ser lunar, dessoutro tempo
Em que outros paraísos do sentir
Te davam melhor cor, maior alento?
Do tempo dos sentidos a florir,
Das vôo singular cortando o vento,
Das horas de encantar, sempre a surgir
Das águas que te inundam lá por dentro?
Lembras-te, ou não te lembras? Se o recordas,
Se, acaso, essa memória te acompanha
E caso em ti persistam tais lembranças,
Vives delas ainda e, se concordas,
Repara bem que é tua – embora estranha... –
Essa imagem de ti com duas tranças.
DOUTA IGNORÂNCIA
Nunca sei se me sei. Eu pouco sei
Pr`além da lucidez do que em mim sinto,
Mas do que sei sentir, nunca desminto
As rotas de quem sou, no que vos dei.
Do muito que senti, pouco pensei
E, ainda desse pouco, quanto instinto,
Quanta intuição! O que pressinto
Pode vir – eu sei lá… – de quanto herdei.
Nesta minha doutíssima ignorância,
Sou igual aos demais que a pouco aspiram
Enquanto sou dif`rente de outros tantos
Que primam por mostrar uma arrogância
Baseada nos bens que conseguiram
E na extrema riqueza dos seus mantos…
MUDANÇAS
Sempre que alguém disser; sempre se fez,
Isto ou aquilo e tantas coisas mais,
Melhor fora lembrar outros que tais
Que, por nunca mudar, perdem a vez.
Um momento, um instante e, sem porquês,
O mundo já mudou! Mudou-se o cais,
Mudaram pedras, plantas, animais
E até se vai mudando o Português…
A mudança, senhores, é tão constante
E, mais ainda, tão inevitável
Quão impotentes somos para a parar,
Por isso, quem agora é importante
Pode, amanhã, tornar-se um imprestável
Apenas por tentar nunca mudar.
Maria João Brito de Sousa
- Ao Poeta António Aleixo
Três sonetos muito bonitos e a garota de trança adorável e linda.
ResponderEliminarComo é bom relembrar...
Abraço.
É verdade, amiga. O cabelo, agora, está mais ou menos com o mesmo comprimento, mas as tranças seriam grisalhas :))
EliminarVai haver uma exposição de Artes Plásticas na Galeria Verney, no Centro Histórico de Oeiras, promovida pela AMNO - Associação de Moradores de Nova Oeiras - e eu vou ter lá duas telas minhas. Depois, logo a seguir, vão ser os Espantalhos que "falam" em soneto clássico, no Jardim Municipal de Oeiras. Todos os sonetos foram feitos por mim e as figuras foram criadas por um elemento da Junta de Freguesia e elementos do corpo de voluntariado do Centro Social Paroquial de Sto António de Nova Oeiras. É bom sentir que estou a contribuir para estes eventos, sabes?
Abraço grande!
Olá Maria João, que belos trabalhos, o primeiro é um auto-retrato, e a foto é muito bonita, e os outros dois são muito bons também , como sempre.
ResponderEliminarUm grande abraço
Olá, minha amiga Idalina! Obrigada pelas suas palavras! Hoje, para não variar, estou cheia de pressa... tenho duas palestras agendadas para amanhã de manhã e vou ter de alterar o horário de uma delas. Eu bem tento, mas não consigo estar em dois sítios ao mesmo tempo :)))
EliminarUm enorme abraço!
Boa tarde Maria João, gostei de sentir que está com a sua "moral" bem lá em cima e que ao sentir-se útil está feliz, isso é muito bom e parabéns pela sua participação nesse eventos todos, se fosse cá mais perto ainda dava um saltinho lá para ouvir esse seus sonetos declamados por esses "personagens". Até amanhã .
EliminarAmiga, eu acho que os Espantalhos de Oeiras vão ser muito divertidos! Representam figuras populares e as diversas profissões dos habitantes do Concelho, mas os visitantes terão de ler os sonetos que estão impressos em letras bem gordinhas. Que vai ser inovador, vai, mas os espantalhos não vão declamar... apenas vão exibir os sonetos que descrevem os seus papéis e funções. E eu estou muito contente, acredite!
EliminarMuito obrigada e uma abraço daqueles bem grandes para todos vós!
Mudanças e mudanças. Mudanças de ares, de cores e de sabores. A própria vida muda com os sentimentos. Ontem o amor; hoje, a dor.
ResponderEliminarTudo muda. As pessoas que eram afáveis por vezes se tornam ásperasl Os dias que eram lindos tornam-se feios. Só ha uma coisa que não muda _ o verdadeiro amor.
Queria mudar. Mudar para melhor. Mudar até mesmo de casa para conversar com o mar.
Cada poeta ver o mundo com suas mudanças, de acordo com o seu sentir e suas esperanças.
Gostei de suas mudanças Maria João!
Obrigada, meu amigo do outro lado do oceano! A mudança é, com efeito, uma constante de todas - absolutamente todas - as coisas... e do contyexto de todas essas coisas.
EliminarAbraço grande!