SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA VII [ou VIII?]


 


PAIDEIA


 


 


Ar, água, terra e fogo, entreteceram


O teu grandioso corpo e, na verdade,


Tu não surgiste isento da vontade


De que tantos de nós já se esqueceram.


 


Pequenos grãos de vida em ti cresceram


Na absurda insensatez de quem te invade,


De quem te pinta, ó mundo cor de jade,


Do sol dessas manhãs que te aqueceram…


 


Eu não te sei explicar, mas sei sentir-te!


Eu sei sentir-te em mim e, se me sentes,


Ó meu planeta Terra, ó cais de areia,


 


És mais “eu” do que eu mesma! Vou pedir-te


Que digas a verdade. Se me mentes,


Sou eu que minto à minha própria ideia…


 


 


Maria João Brito de Sousa – 07.05.2010


 


 


 


 


UMA ERVINHA NO CANTEIRO DO JARDIM


 


 


De quanto grão de mundo existe em mim


Em átomos pulsantes de energia,


Eu serei sempre a soma do meu fim


Com o raio de sol que me aquecia…


 


Em verdade te digo; ser assim


Jamais me decepciona ou contraria.


Não mais do que uma haste de alecrim,


Nem menos do que a própria fantasia…


 


Se te pareço estranha – e sei que sim! –


Espera um pouquinho mais porque a alegria


Está quase a despontar e, qualquer dia,


 


Terás visto, na terra do jardim,


Uma ervita do campo que subia


Mais alto do que a flor do teu jasmim…


 


 


Maria João Brito de Sousa


08.05.2010 – 17.53h


 


 


COORDENADAS PARA UM ARCO-ÍRIS


 


 


Ao longe, um arco-íris. Se o alcanço,


Se lhe provo o sabor – que apetecível… –


Se um dia me aproximo e, nesse avanço,


O tocar e ele estiver `inda visível…


 


Porém se, tanto passo e tal balanço


Provar que é realmente inatingível,


Mostrar que, trabalhando sem descanso,


Mesmo assim, alcançá-lo é impossível,


 


Eu ficarei mais perto um tudo-nada…


Talvez quando eu estiver menos cansada,


Talvez quando ele mudar de posição…


 


É sempre uma questão de persistência,


De nunca desistir porque a aparência


Nem sempre corresponde à situação…


 


 


Maria João Brito de Sousa


08.05.2010 – 17.23h


 


 


 


IMAGEM - A TECEDEIRA DE BARCAS, Maria João Brito de Sousa,


Pastel de Óleo sobre Fabriano montado em tela


 

Comentários

  1. Boa tarde Maria João, que fim de semana produtivo, muito belos estes seus sonetos e encabeçados por um belo quadro, que eu pessoalmente adoro. Ainda tenho que arranjar umas economias e adquiri-lo.
    Talvez quando a crise passar mais.
    Um grande abraço e um bom inicio de semana

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    Respostas
    1. Olá, minha querida Idalina! Pode crer que foi um fim de semana em beleza, em termos de produção poética! E também fiz umas redondilhas que enviei para o Montanhas! Praticamente não parei de trabalhar, mas fiquei contente com o resultado.
      Um abraço muito grande e obrigada pela sua amizade!

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  2. Lindos sonetos.

    Vemos o quanto a própria natureza é sábia e nos ensina e quanto aprendemos com nossos antepassados.
    Ler, estudar significa sempre progredir.

    Abraço.

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    Respostas
    1. Sempre, amiga! Eu hoje tenho um compromisso e vim, de corrida, publicar o soneto do dia, mas não vou poder demorar nadinha!
      Bjo e obrigada!

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