CANTO DE AMOR
Quando canto o Amor, eu canto a Vida,
Sobrevivendo à dor de cada dia
E é meu canto a simples despedida
Deste lado da Vida em que eu vivia...
Soa o meu canto e afasta-se, perdida,
A mais elementar desarmonia
Porquanto este meu espanto dá guarida
À esperança, a crescer, de um novo dia...
Se canto é porque o canto em mim desperta
A sede de cantar que é tão mais forte,
Quão forte for o canto que a motiva
E, pelo canto, eu parto à descoberta
Dos horizontes do meu novo norte
Com a plena certeza de estar viva!
Maria João Brito de Sousa
NOTA - Soneto inspirado num soneto com o mesmo nome de Efigênia Coutinho, Presidente Fundadora da Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores www.avspe.eti.br/
Muito bonito este soneto. E faz lembrar o "ditado" "Quem canta seus males espanta".
ResponderEliminarO que se passa com a Maria Helena, não tem dito nada, espero que seja apenas muito trabalho.
Um bom fim de semana
Amiga, esta manhã fui ao hospital e só agora soube da partida de José Saramago. Ainda não estou em mim, pois não o conhecendo pessoalmente, sempre o tive como um dos maiores escritores de todos os tempos. Não sei a que horas ele morreu... só sei que me vieram as lágrimas aos olhos esta manhã, quando esperava pelo eléctrico, em Algés. Foi uma comoção funda que não soube explicar, mas se o digo, pode crer que é verdade. Li as crónicas "Deste Mundo e do Outro" quando elas foram editadas e, a partir daí, sempre que tinha algum dinheirito disponível, comprava logo outras obras dele.
EliminarDesculpe. Acho que ainda estou um bocadinho sensível demais.
Abraço grande.
Palma com palma,
ResponderEliminarCoração e coração, e gosto de alma
No mais fundo do corpo revelado.
Já a pele não separa, que as palavras
São espelhos rigorosos da verdade
E todas se articulam deste lado.
Linhas mestras da mão abram caminho
Onde possam caber os passos firmes
Da rainha e do rei desta cidade.
Esse poema é de José Saramago que nesta manhã nos deixou um pouco órfãos.
Ele tinha o dom de buscar a realidade das coisas sérias, como a vida de Cristo Homem.
Estamos também de luto, como toda a família latina que ama as letras!
Que em seu sono Saramago desenvolva sonhos que talvez possam vir a lume.
Sim, meu amigo. Eu, distraída como sempre fui, só agora, na homepage do Sapo, soube da partida de Saramago. Este poema tinha sido publicado com pré datação... que possa ser a minha última homenagem a um dos maiores escritores de todos os tempos. Não estou ainda em mim e a morte dele chocou-me muito mais do que eu mesma esperaria. Desculpe.
EliminarAbraço grande.
A SARAMAGO
ResponderEliminarAonde vamos com as letras,
com tantas palavras singelas,
que ligam os mares às procelas
e geram poesias mestras?
Vamos da alegria à tristeza,
mas os caminhos não os sabemos,
pois não temos essa fortaleza,
por isso, às vezes, tanto sofremos.
Hoje se foi um grande mestre
das letras mais puras e reais
E nos deixa grande saudade.
A vida é esse invisível contraste,
de muitos momentos fatais
e o caminho certo da eternidade!
OUTRO POEMA A SARAMAGO
EliminarQue estranhíssimas químicas nos movem
Quando humanas partidas se consumam?
Que inexplicadas lágrimas eclodem
Dos olhos intrigados que ressumam?
Se tremo é de saudade antecipada
Ou da brusca surpresa da partida...
Mas tremo de verdade e, siderada,
Reparo que não posso dar-lhe vida...
Se há gente que não morre, ele é um desses,
Por ter ganho o estatuto intemporal
De quem não pode ser, jamais, esquecido!
Ele é o romancista que não esqueces,
O poeta possível, fraternal,
Aquele que multiplica o dividido!
Sim foi triste, mas previsível . Tem havido vários programas de rádio ao longo do dia. Muito interessantes Deficiência respiratória, coitado! Beijinhos querida amiga !
ResponderEliminarBeijinhos, minha Ligeirinha. Eu, não sei porquê, não estava nada a contar com a morte dele para os próximos tempos... não sei mesmo porquê, mas estava sempre a pensar que sairia mais um livro e ainda outro e outro...
EliminarAbraço grande!
Lindo esse poema a Saramago. Embora ele não acreditasse na vida depois da morte, nós cremos que onde ele estiver, vendo todas estas homenagens, estará decerto orgulhoso do homem que foi.
ResponderEliminarBeijinhos e bom fim de semana
Não sei se não acreditava mesmo, Fá... não sei. Talvez de uma outra forma ele acreditasse... eu partilho, há muitos anos, as opiniões que agora ouvi dos professores Eduardo Lourenço e Marcelo Rebelo de Sousa.
EliminarEncontrei sempre um homem que procura Deus nas obras de Saramago. Mas tudo isto é muito complexo. Muito mais do que possa parecer.
Abraço grande!
PS - Eu sou mesmo uma distraída imperdoável, Fá. Só ontem descobri que tinha entregado a tacinha errada! A sua continua arrumadinha lá em casa e eu troquei-a por uma minha que era parecida...
Lindo canto de amor.
ResponderEliminarObrigada, amiga.
EliminarEu estou hoje ainda mais atrapalhada do que o habitual. Chegou o meu vale dos correios e deveria estar agora a levantá-lo pois tenho contas de água e gás que vencem hoje... mas vou tentar publicar e ir a seguir... mas estou muito cansada e continuo com aquela febre maluca que anda comigo há mais de um mês. Sei que é por causa da sinusite e tenho consulta hospitalar na próxima segunda feira. Espero conseguir ver-me livre destas dores de cabeça atrozes!
Abraço grande!
O Amor sobrevivendo à vida!
ResponderEliminarFaz-nos tanta falta.
Um abraço.
Sim, meu amigo. Eu acredito mesmo que o Amor não só sobrevive à vida como também potencia a própria vida.
EliminarAbraço grande!
Lindíssimo este teu Soneto!
ResponderEliminarPosso pedir que o coloques no Horizontes?
Mil beijocas
Sustelo
Hoje coloco, Joaquim! Tu ainda não te habituaste ao meu ritmo, mas aviso-te que nunca tenho acesso à net durante os sábados, domingos e feriados. Só agora estou a ler este teu pedido e, ainda por cima, tenho 12 cêntimos na carteira e vou ter de ir aos correios levantar o vale do RSI... mas vou tentar publicá-lo hoje.
EliminarAbraço grande!
Há pouco, quando pedi para o Horizontes, referia-me ao Canto de Amor, apesar de gostar de tudo o que escreves.
ResponderEliminarBeijo
Amigo, só agora cheguei e estou a ler este comment pela primeira vez. Vou tentar publicá-lo hoje, ok? Este soneto foi escrito mesmo, mesmo ao correr das teclas, em resposta a um outro soneto com o mesmo nome, da autoria da Poetisa Efigénia Coutinho... este não está mau, mas tenho andado a espreitar os sonetos mais antigos e estou fartinha de descobrir incorrecções métricas e ortográficas. Qualquer dia ponho o poetaporkedeusker de férias e fico a fazer reedição de posts durante um ou dois meses...
EliminarAbraço!