SÁBADO, DOMINGO E SEGUNDA FEIRA XIII
DEPOIS DO ESCURO - Brevíssimo ensaio sobre uma alucinação ou Morte
Quando, em horas lunares, o medo arpoa
A complexa embalagem que te envolve
E te faz recuar, por mais que doa,
Até onde a razão te não resolve
E quando ao teu ouvido a voz ecoa,
Te antecipa um castigo e te devolve
O eco aterrador que em ti ressoa
Enquanto o que Tu eras se dissolve
Deixando a porta aberta ao teu temor…
Saberás tu, então, permanecer?
Saberás aceitar, estando seguro
Do Nada que antevês assustador?
[Flutua sem receio de temer
A luz que vem depois. Depois do escuro].
Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 21,55h
PERCURSO II
Um dia, por razões que desconheço
Ou que já não consigo recordar,
Prescindi da razão. Paguei o preço
De algo que nem sequer ousei usar…
Mas, se está pago e se este recomeço
Puder, de alguma forma, ter lugar,
Eu juro que estou pronta e mais não peço;
“Isto” é tudo o que sou, sem mascarar!
Contudo alguma coisa vai faltando
E essa é a razão que vai fazendo
Com que este meu trabalho de crescer
Possa continuar. Um dia, quando
O corpo que me cobre, envelhecendo,
Me recusar trabalho… é pr`a morrer!
Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 22.58h
O SEGREDO II
Perguntas-me do tempo que me resta…
Amigo, isso eu não digo, isso eu não sei…
Tu nem sonhas o preço que eu paguei
Por esta insubmissão de ser honesta,
Por ser o que outros julgam que não presta,
Mas para mim é tudo o que sonhei!
Portanto, amigo, eu nunca te direi
Que cada dia, em mim, se vive em festa…
Segredos, se os tiver, são coisas fúteis
Na tua perspectiva, mas, na minha,
Mais altos que o castelo em que me abrigo!
Por isso te direi coisas mais úteis;
Falar-te-ei do Deus que me encaminha,
Mas nunca do meu Tempo, querido amigo!
Maria João Brito de Sousa – 27.06.2010 – 18,16h
És tu assim , assim mesmo , como te vejo, e te imagino sempre límpida </a>como a agua mais límpida que houver, correndo fluida e com nexo, pois nexo tens tu, minha querida, e sabes para onde ir, é só uma questão de te deixarem em paz e teres um pouco de saúde, nem precisas de muita! Lá te vais arranjando com poucochinha, bem aproveitada.....! É o calor da amizade de tantos que te aguenta, acredita! E tens a alegria estampada no teu belo rosto ! Assim Deus te criou e assim nós te amamos!
ResponderEliminarAi, minha Ligeirinha... deixaste-me de lágrima no olho! Que palavras tão bonitas! Agora quem ficou sem palavras, fui eu... mas, ainda hoje, enquanto tratava dos pombos, me lembrei imenso de ti. Estes dois não voam e nunca voaram como aqueles dois que tu levaste e que devem andar felizes da vida... mas, no sábado, soltei o Job! O Job é um pombinho que foi apanhado por um cão e ficou sem uma pata e com uma asa quebrada. Esteve lá, no meu hospital, e recuperou, embora a patinha tivesse ficado inutilizada. Soltei-o junto ao pinheiro grande, perto da igreja e ele voou logo. Fiquei toda contente!
EliminarHoje faço-te uma visita!
Bjo gde!
Assim simples...os sonetos saem naturalmente...cada um, mais belo que o anterior...mas todos muito belos!
ResponderEliminarBj*
Obrigada, Vitor :) Estes saíram mesmo com muita facilidade, foi um fim de semana muito, muito produtivo... e não foi só para o soneto! Também produzi poesia livre e muitas redondilhas para o Montanhas.
EliminarEu hoje vou ao "Outro Lado"!
Abraço gde!