TÃO LONGE, TÃO PERTO...


 


Tão longe estão as estrelas e, contudo,


Tão perto podem estar do que sentimos


Quando nós, os cometas, lhes sorrimos


E quando, no sorriso, damos tudo…


 


Tão perto sinto a estrela e, se me iludo,


É porque eu e a estrela somos primos


Nessa família astral que definimos


Na fazenda de um velho sobretudo…


 


Casacas de Cometas, Luas, Sóis,


Palavras que não vergam, que se inventam


Em astros nunca dantes alcançados


 


Pelos descobridores que só depois


Abrirão os portões que em si concentram


Mil mundos que mal foram vislumbrados …


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 20.06.2010


 

Comentários

  1. COLHENDO ESTRELAS


    Ah quem pudesse semear estrelas
    Encher com elas todo o teu cabelo!
    Ter o poder de as alcançar, colhê-las,
    Ornamentá-lo com carinho e zelo!

    Ter esta glória de ter-te e de tê-las
    Quando em afagos de amor e desvelo,
    Olhos extasiados por ficar a vê-las
    Unisse os lábios aos teus como um selo

    Ah quem pudesse... Mas eu quero e pude!
    Por uns momentos tive essa virtude
    Voltar a tê-la, vou ter o ensejo

    Sonhei contigo: brilhantes, desciam...
    No teu cabelo espalhava-as, sorriam…
    E por cada estrela tu davas-me um beijo.

    Joaquim Sustelo
    (em MURMÚRIOS NO TEMPO)

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    1. Caramba, Joaquim! É lindo, este soneto!
      Vou-te contar uma coisa de que não costumo falar muito; aquele quarto verso da segunda quadra, "Na fazenda de um velho sobretudo", não está ali só para rimar em "udo"... o meu avô tinha um amor inexplicável por um velho sobretudo a que chamava "a casaca dos cometas". Passou a chamar-se assim desde que a minha avó o tentou deitar fora, argumentando que tinha buraquitos de traça e nódoas que já nem saíam... :) ele nunca o quis largar... era a sua velha casaca dos cometas, a que oacompanhava naquilo que nele era imutável, sendo, muito embora, um homem aberto à mudança e algo insurrecto, como todos os poetas... lembrei-me de te dizer isto nem sei porquê...
      Abraço grande!

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    2. Obrigado linda amiga, pela apreciação ao meu soneto. E agradeço imenso também a tua explicação sobre aquele verso. Foi bonito saber.
      Uma beijoquita.
      Sustelo

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    3. Abraço grande, Joaquim!
      Hoje estou de todo... nem soneto trouxe...

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  2. Este texto bonito. escrever é uma terapia natural que nos ajuda não só para lançar luz sobre os problemas, mas também para superar

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    1. Obrigada. É isso e não só. Para alguns de nós é a justificação de uma vida.

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  3. Oi amiga

    A Estrela também esteve comigo por algum tempo. Com isto fiz um texto chamado "A Estrela, a Lua e os Grilos".

    Bjos

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    1. Eu já vou ver, Vera. Neste momento começo a ficar um pouco preocupada com as situações que venho vindo a criar, nestes últimos dias. Acreditas que só ontem por volta das 19.30h e sem saber por quê, me veio à ideia que me tinha enganado a publicar o soneto do dia? E agora constato que me enganei mesmo! Re-publiquei o último soneto da trilogia habitual do sábado, domingo e segunda feira e o soneto de ontem continua guardado na pen... eu deixo mesmo de "funcionar" quando tenho várias coisas para fazer em simultâneo... acho que o meu organismo rejeita o stress e pura e, simplesmente, deixa de funcionar. Houve mais um milhar de pequenas coisas que foram falhando... acho que estou mesmo a precisar de abrandar o ritmo sob pena de só fazer asneiras...
      Abraço grande!

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    2. Cuidado o stress. Nada como manter a mente calma. Isto faz-nos muito bem. Isso eu sei.

      Abraço

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    3. É absolutamente necessário, amiga... eu bloqueio completamente quando não consigo responder condignamente a todas as solicitações. Hoje nem trouxe soneto.
      Bjo!

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