O CONCEITO DE "POETA MAIOR"
(Soneto em decassílabo heróico)
Sou Poeta Menor. Se Maior fosse,
Melhores versos faria, com certeza,
- a minha qualidade desgastou-se
na absurda dispersão dessa beleza
nas rimas, como peixes de água doce
expandindo-se em selvagem natureza… –
Mas, Maior ou Menor, o verso impôs-se
Sem pedir meças, nem sonhar grandeza
Noto que muitas vezes se utiliza
A palavra “maior” sem propriedade
E acredito que muitos desconheçam
Que este adjectivo apenas simboliza
O Épico, o que aspira à divindade
Por obra de alguns feitos que a mereçam.
Maria João Brito de Sousa – 11.07.2010 – 15.07h
Imagem retirada da internet
Querida Maria João habituei-me a comentar neste blog e adoro fazê-lo. Adorei este poema aliás maravilho-me com a facilidade e a música das palavras que deixas e encantas. Mil beijinhos amiga com muito carinho tudo de bom.
ResponderEliminarObrigada, Fátima. Fico muito contente por gostares de soneto clássico e dos meus em particular :)Eu, agora ando a apaixonar-me, também, pelos poemas em redondilha maior que passaram a ter "tiragem" diária no http://asmontanhasqueosratosvaoparindo.blogs.sapo.pt/ . Não te sei explicar porque razão me acontece virar-me, de repente, para um determinado estilo de poesia... quando assim acontece, digo sempre que é porque Deus quer...
EliminarAbraço grande!
"Se se é na realidade poeta",
ResponderEliminarSe isso não é inventado pelo Ego
Pela vaidade de quem não sabe...
E milhentas vezes isso acontece
E cada vez em maior número.
Esse de quem falo, nem é poeta menor...
Não é poeta, mas pensa que é!Não há menores. Há ou não há! E acabou!...
Para mim,
"Ser poeta é ser Maior"...Sempre!!!
Maria Luísa
Olá, amiga. Eu tenho a mesma opinião, mas a verdade é que, em termos académicos, se utilizam os dois conceitos, bem como os de poesia "pobre" e "rica", que não têm a ver com a qualidade ou a beleza do poema e sim da raiz gramatical das últimas palavras de cada verso... estava, por acaso, a reflectir sobre isso quando me nasceu este soneto. Eles nascem-me, muitasvezes, destas pequenas reflexões do dia a dia.
EliminarEu cheguei agora mesmo do hospital e tu? Como vai essa perna? Ainda tens dores?
Abraço gde!
Se tu o dizes acredito. Então também há poesia rica e pobre.
EliminarMuito bem! Tens de dar umas lições teoricas.
Eu fui uma boa aluna e muitas coisas mais.
Beijo,
M. Luísa
Amiga eu sei umas coisitas muito, muito poucas... acho que precisava de mais duas ou três vidas para aprender tudo o que quereria, mas estes conceitos faziam parte das conversas de miúda que tinha com o meu pai e o meu avô. Claro que depois se veio a falar disso, no final do liceu... mas é muito capaz de ser um conceito que vai acabar por cair em desuso nos próximos tempos, sabes? Esta coisa das novas tecnologias veio dar voz a muitos, muitos poetas e estão em curso tremendas mudanças de todo o tipo... penso que novos conceitos irão surgir, novos estudos virão a ser feitos... amiga, nós todos estamos a fazer História. Não são só histórias, é mesmo História. Somos os navegadores pioneiros das novas águas da comunicação... eu, muitas vezes, lembro-me que é importante deixar qualquer coisa de "palpável", qualquer coisa "que valha a pena" para as gerações que estão para vir porque, não tenhas dúvidas, este é um momento histórico!
EliminarAbraço gde!
M. J.
EliminarÉ como dizes um momento histórico.
Eu de uma forma
Tu de outra
Caminhamos e nos encontramos
No Final.
Deixei uma pegunta e um pedido nos prémios.
Por agora não tenho mais tempo.
Bºs. M. L.
Vou já aos Prémios, Maria Luísa. Nem queiras saber o que me tem estado a acontecer no Pekenasutopias...
EliminarOi Maria
ResponderEliminarLi teu soneto e pensei...
Será que Maria está se referindo ao ler meus textos e ver o tanto que escrevo sobre a estrela menor?
Se foi isso, passo a explicar-lhe:
Realmente quando saio para minhas caminhadas vejo sempre duas estrelas no céu, uma maior e mais brilhanto e outra menor que não brilha tanto. E elas são minhas companheiras de caminhada. Eu sinto-as falando comigo. Aliás, o Universo conversa comigo todos os dias.
Não sei como é o teu céu aí, se é possível vermos a mesma coisa.
Ps. Por favor não se sinta ofendida, só queria explicar algo que para mim ficou no ar.
Abraço.
Não, amiga! Não tinha nada a ver com isso. Ainda agora expliquei à Maria Luísa, no comentário de cima, porque se utilizam estes dois conceitos. O de Poeta Maior e o de Poeta Menor. E também o de poesia "pobre" e "rica" que também não tem nada a ver com a qualidade da poesia! É apenas uma classificação utilizada pelos académicos. Pronto, penso que não deixo dúvidas nenhumas, até porque este soneto me nasceu quando estava a reflectir sobre as classificações académicas dos poetas e da Poesia que são conceitos que deverão ser conhecidos e utilizados pelos estudantes de Literatura Portuguesa... e a nós, que já o fomos, só nos faz bem recordar. Não teve rigorosamente nada a ver com os teus textos e posso garantir-te que também tenho o hábito de conversar com o Universo... sempre o tive! Quando era pequenina, ia muitas vezes para a varanda com o meu avô e ali ficávamos os dois, a conversar com os astros. Nunca me esquecerei disso! Até durante as grandes trovoadas nós o fazíamos. Eram lindíssimos os relâmpagos muito luminosos, recortados no fundo de veludo negro do céu!
EliminarE agora estou quase a deixar-te aqui um livro sobre a minha infância :)) não ligues! Cheguei agora do hospital e ainda hoje não tinha escrito nada...
Abraço grande!