O CONFRONTO II


Eu visto este insepulto simulacro


Do corpo a que estar viva me condena


E rasgo, véu a véu, o gosto amargo


De tudo o que  nascer da minha pena…





Quantas vezes luzi por entre os astros?


Em que órbitas se traça a estranha cena


Da colisão estelar, nos céus mais vastos,


Quando a nossa visão se torna plena?





Ah, que estranhos caminhos nos apontam


A morte e o nascimento de uma estrela


E esse imenso caos do seu confronto!





Majestosos titãs, quando se encontram


- de uma grandeza absurdamente bela! –


E, à vista desarmada, um mero ponto…


 


 





Maria João Brito de Sousa – 29.07.2010 – 00.02h




 


Imagem retirada da internet



Comentários

  1. ciao poetisa, sempre na busca do que não se encontra. o preocurar porém
    é uma fuga, um pequeno conforto.
    salute e bacio

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    1. Não conheci, pessoalmente, o António Feio, Peter, mas estive lá do outro lado, onde brilha aquela mesma luz que o deve estar a iluminar agora. Que este soneto possa ser dedicado a ele.
      Bacio.

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  2. Soneto de brio incontido. Lembram-me os sonetos do maior poeta de todos os tempos: Camões.
    Continue inspirada poetisa. Nossa missão é levar o amor e mostrar como a natureza em sua imensidão é bela desde o cosmos.
    Adílio Belmonte
    Belém-PA - BRASIL

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada, poeta irmão. Morreu, na noite passada, um actor português, ainda jovem. Não será uma grande homenagem, não será aquilo que ele mereceria, mas este soneto é dedicado ao António Feio.
      Abraço.

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