A VELHA MORADIA DO DAFUNDO


Aquela casa velha que sabia


Todos os tempos de outro verbo “amar”


Era um templo sagrado que se abria


De cada vez que a ia visitar…




 


Havia um areal que se estendia


Da orla ribeirinha até ao mar,


Que rescendia a vida e maresia


Naquele avo de costa por explorar…




 


Morava Deus, naquela velha casa


Por obra de um mistério que defino


Como o mais transcendente do meu mundo




 


Pois despontava-me uma ou outra asa


E renascia em mim um Deus Menino,


Na velha moradia do Dafundo…


 


 




 


Maria João Brito de Sousa


 


 


 


 

Comentários

  1. ciao poetisa , bom dia.
    mais um soneto bonito ...com alma.
    saúde , incluindo todos os amigos do homem.

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    1. Ah, Peter, o Kico está a resistir muito mais do que seria de esperar, mas está muito diminuído... ontem perdeu, várias vezes, a capacidade de andar, hoje retomou-a, mas muito cansado. Sempre muito cansado e dia a dia mais dependente de uma série de medicamentos. Acho que está vivo por pura teimosia... ou porque não me quer deixar...
      Obrigada pelo elogio ao soneto! A casa ainda existe e vê-se bem da Marginal. Se eu soubesse quem lá está a viver, ia até lá,bater à porta... :)
      Bacio!

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  2. Afinal não sou só eu que sofre de saudades do que já "Era"aqui neste soneto também mora a saudade.
    Abraço grande

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    1. :) Um bocadinho... mas, estranhamente, eu encaro a vida como um conjunto de etapas já vividas e nunca lamento as que já passaram. Passaram, passaram! Fazem parte de mim, do meu património afectivo, espiritual e também físico. É como se o passado se perpetuasse neste presente, sempre em direcção a um futuro onde posso não estar fisicamente presente... mas onde terei deixado rasto :) Esta é, de um modo muito resumido, a minha filosofia de vida-vivida...
      Abraço grande!

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    2. ...E quiçá terá aí nascido da vista dessa varanda,tamanha arte e inspiração de tantos sonetos de nos encher o coração,Maria João!

      Bj*

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    3. Se calhar... :) mas redondilhas já eu fazia desde a idade em que os outros começam a falar :))
      Estou a brincar!!! O meu primeiro poema, registado e datado, data dos meus três anos. No liceu fiz meia dúzia - ou mais? - de sonetos, mas eram todos satíricos. Sem excepção. Durante a adolescência fazia muito mais crítica social do que faço hoje em dia... e já cantava a natureza. Não era exactamente a natureza bucólica, era uma natureza mais selvagem, mais viva, mais intensa.
      Abraço gde!

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  3. Repleto de pétalas de flores a caír no chão,
    amargas e secas.

    o tempo passou indiferente,
    muitos levou
    e tu ficaste,
    com teus poemas
    de lembranças
    e de sonhos...

    Maria Luísa

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    1. É verdade, amiga... partiram todos. Primeiro a avó Alice, quando eu tinha 11 anos, depois o avô Basílio, o avô Sousa, a avó Maria , o meu pai, o menino, a minha mãe... e seria um nunca acabar de nomes... e eu ainda por cá ando, estranhamente empenhada em viver o mais possível e produzir, também, o máximo que puder.
      Cheguei tardíssimo. O Kico continua por cá e a dar imenso trabalho, mas o sofrimento pontual pode ainda ser aliviado com medicação.
      Um abraço grande!

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