DÓI-ME O PLANETA...


 


Não dói só o país… dói-me o planeta!


Dói-me a Terra inteirinha; em baixo, em cima…


Enfoco os pormenores, torno-me esteta,


Como se a Terra fosse uma menina…





Eu, lobo solitário, eu feita asceta,


Profunda como os túneis de uma mina,


Afirmo-me magoada e grito, erecta,


A dor imensa desta absurda sina.





Doem-me os rios, os mares, os continentes…


Dói-me, por toda a parte, o mundo inteiro


E a chuva que em mim cai é como o lodo





Que já não é só água, ó indiferentes!


Vem ácida, cinzenta e tem mau cheiro


A chuva que me banha o corpo todo…




 





Maria João Brito de Sousa – 10.08.2010 -01.37h


 


 


Costumo dizer, eu; "A arte é a única forma de obsessão que é saudável e desejável. Se não for obsessão... tenham paciência; não é Arte!"

Comentários

  1. Olá Maria João, que lindo este seu soneto, mesmo sendo inspirado na destruição do nosso Planeta.
    Tem razão quando diz que não é só o Pais que dói , todo o Planeta está muito "doente"e se o ser humano não o tentar ajudar, o caminho que está a seguir é muito "Perigoso".
    Um grande abraço e tenha cuidado com o calor.

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    Respostas
    1. Obrigada, muito obrigada, minha amiga. Nós vamos tentando dar o nosso melhor, mas muitos continuam a não se aperceber disso e, o que é muito mais grave, a partirem do princípio de que já cá não estarão quando as coisas se tornarem insustentáveis... e não se importam mesmo nada.
      Um enorme abraço!

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