QUANDO EU MORRI


 


Quando eu morri, voltei para entender-me


Com as coisas que a vida me negara


E, talvez, para, enfim, reconhecer-me,


Redescobrir, num rosto, a minha cara…





Não me sabia nesse anteceder-me


À noite, sendo ainda manhã clara


E quando a madrugada veio ver-me


Encontrou este pouco que sobrara…





Mas, quando morri mesmo e percorri


A estrada que se julga ser final


E, depois fiz, inverso, esse caminho...





Não sei por que razão me decidi


A este recomeço vertical


Do mundo acidental do que adivinho!




 


 


Maria João Brito de Sousa

Comentários

  1. Voltei...como se não tivesse partido,pois o encanto continua...Maria João!

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    1. Obrigada, Vitor! Então e as férias? Eu estou a contar com as férias de toda a gente, excepto com as minhas :)) Mas não pense que isso me incomoda! Muito pelo contrário. Esta rotina, que nada tem de rotineiro senão a aparência, não é para ser quebrada agora! Não posso, não devo nem quero quebrá-la.
      Um abraço grande!

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  2. Oi Maria


    "Quando eu morri..."
    Sabes... já morri simbolicamente quando apaguei meu blog "Velucia".
    Por isso, mesmo com as maluquices que escrevi no "Simbologia do Amor", ele ficará vivo.
    O teu soneto está muito bonito.

    Abraço.

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    1. Obrigada, amiga. Eu acho que todos nós temos mortes simbólicas... eu, muito de vez em quando, pergunto-me se a chave de ouro de um soneto que acabei de escrever é morte ou vida... e é as duas coisas. Ele morre para mim e nasce para si mesmo e para o mundo, naquele preciso momento... é bom, é óptimo repararmos nestas pequeninas coisas, desde que não fiquemos obcecados por elas, claro. Mas é muito salutar porque nos enriquece o conhecimento e nos ajuda a enfrentar as coisas menos boas da vida com uma muito maior lucidez.
      Um enorme abraço!

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