A VULNERÁVEL


 


 


 


Foi por rumos negados que abraçou


As sobras do que a Vida lhe negava


E quando descobriu que se enganou


Foi só por não saber do que gostava




Mas escolheu contudo e, se o negou,


Decerto terá sido por ser escrava


Do medo que esse rumo lhe apontou


Nos sonhos de luar que então sonhava...


 


Perdeu-se muito cedo e nunca soube


Que pedaço de mundo ali lhe coube,


Que absurda decepção em si crescera


 


Morreu muito mais cedo que o expectável


E, quando recordada, é vulnerável


À expressão mais banal, menos sincera...


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 07.10.2010 - 14.34h




 


Imagem - A Cigana das Sinas - Stuart Carvalhais

Comentários

  1. Bonito como sempre minha amiga. É linda e sublime a capacidade com que rimas e fazes magia com as palavras. Um beijinho Maria João as tuas melhoras e tudo de bom amiga.

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    1. Olá, Fátima :) Ontem fiquei muito contente pois pareceu-me que as coisas estavam resolvidas! :)
      Quanto à minha magia verbal... anda pelas ruas da amargura, amiga! Ando desinspirada de todo, tenho escrito os sonetos em directo, só por escrever, e não me consigo esquecer de que o poetaporkedeusker está infestado de erros tipográficos... e não só. Estou a pensar dedicar uns dias à revisão, até esta crise de "desinspiração" me passar e eu voltar a ter tanta necessidade de poetar como de respirar.
      Mas virei sempre até aos comentários... e tentarei fazer umas visitas, pois claro!
      Abraço grande!

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  2. Ciao, melhor??? Continuar é um óptimo caminho
    bacini.

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    1. Olá, amigo Peter. Tenho estado a produzir sonetos "de última hora" e, na minha opinião, de muito pouca qualidade... acho que vou ter de admitir que estou mesmo a precisar de umas férias dos sonetos, por muito gratificantes que os vossos comentários sejam. Amigo, e se eu dedicasse uns dias a corrigir os disparates todos que tenho ao longo destes novecentos (+ ou -) sonetos que já publiquei? Eu sei que os poetas são todos (ou quase todos) avessos a essa coisa das "férias da criatividade", mas estes últimos sonetos não têm tido aquele "condimento" da absoluta necessidade... são meros exercícios de estilo, não têm "força" nem magia. Hoje continuo sem ter nenhum, não consegui sequer escrever a história para a Fábrica e ando a sentir-me "roídinha" pelos erros métricos, tipográficos e até ortográficos de que o poetaporkedeusker está infestado. Acho que, por uma vez na vida, vou ser muito sensata e dedicar-me à revisão por uns tempinhos. Afinal, como doente anticoagulada que sou, não tenho uma esperança de vida assim tão grande que me permita "deixar as revisões para mais tarde".
      Vou decidir isso ao longo do dia de hoje, Peter! Afinal ter a pretensão de "deixar obra para a posteridade" implica que eu me torne mais responsável pela sua apresentação. Se o sapito não estiver "com os azeites", lá na sala da reedição de posts, deito mãos à obra!
      Mille bacini e escusame*

      * não sei se é assim que se escreve... :(

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    2. Também pode ser mi dispiasce.
      Quanto ao comentário, eu que sou menos prolixo em sonetos, posso dar a minha experIência apenas. Para além disso, cada um é o que é, somos todos diferentes.
      Páro muita vezes. Umas vezes porque me disperso noutras coisas, outras vezes porque de facto não sai nada. Será o que se diz falta de inspiração.
      Quanto a revisões, faço-as muitas vezes e altero palavras ou até decassilabos inteiros., senão quadras.Acontece frequentemente não gostar do que escrevi e modifico ou apago simplesmente. Doutras vezes faço um esquema e faltam-me palavras, então deixo ficar e quando lhe pego mais tarde sai com extrema facilidade. Então altero o que já era para alterar ou mesmo apagar.
      Quando ás suas revisões, acho que sim , que se quiser pode ler e melhorar, se for esse o seu entendimento. De resto, a obra é sempre do seu autor é a ele que pertence e como tal deve ser respeitada.
      Quanto aos que publico, está agora a imprimir um terceiro livro, esses não quero ler mais, regra geral não gosto deles . Quero esquece-los. Têm muito de mim e isso inibe-me.
      Tem outra hipotese que acho melhor, melhora os velhos e escreve novos ao mesmo tempo. O bicho está sempre por perto.
      Melhoras e optimismo. Bacio

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    3. Mas eu faço tudo com o "coração nas mãos" e esqueço-me, invariavelmente, de fazer as necessárias correcções, Peter. Só quando abro o Poetaporkedeusker "ao calhas" é que descubro que há imensos erros... mas como quero fazer mais do que posso,acabo por nunca ter tempo para fazer reedição de posts... mas desta vez tem de ser! :)
      Ciao! Estou atrasada para o almocito!
      Bacini!

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  3. Boa tarde Maria João.
    Nós com o passar dos anos ficamos mais vulneráveis, mais perfeccionistas também ,eu</a> também quando releio os meus trabalhos acho sempre qualquer coisa para corrigir, muitas vezes altero alguma coisa, outras vezes digo para mim mesma que da próxima vai sair melhor.
    Um bom fim de semana

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    1. É desconfortável ter estas duas facetas tão vincadas, minha amiga; o espontaneísmo e o perfeccionismo! Ficamos mais vulneráveis e mais incapazes de coordenar estas duas qualidades de forma positiva... mas terei mesmo de iniciar um trabalho de revisão que estou farta de prometer e nunca consigo cumprir... é muito mais demorado do que eu pensava, sabe? Tendemos sempre a ler o que quisemos escrever e não aquilo que efectivamente está escrito... outras vezes é uma sílaba métrica a mais ou a menos e, aí, é que é a desgraça! Temos de reformular uma boa parte do poema. E há ainda aquela enorme "gaffe" dos sonetos alexandrinos... nem sei como vou emendar aquilo! Acho que terei de mudar as legendas, as tags e até títulos de posts. Vai ser uma complicação!
      Mas há-de ser feito! O poetaporkedeusker é um blog modesto mas tem as suas ambições enquanto veículo da Poesia e da Língua Portuguesa.
      Um enorme abraço!

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