FADO MUDO - sonetilho
O meu fado não tem fado,
Nem tem cama onde dormir;
Só o escuta quem, calado,
O procure e o saiba ouvir…
Se, às vezes, soar magoado,
Se vos parecer pedir,
É, na verdade, culpado
De quanto faça sentir…
O meu fado é solitário;
Se abraçasse uma guitarra,
Seria pr`a desmentir-se
Dizendo tudo ao contrário,
Cortando a última amarra,
Pr`a, no fim, poder sumir-se…
Maria João Brito de Sousa
IMAGEM - "O Fado", Paula Rego
O fato contagia a vida, exalta o amor. É pura poesia, como muito bem retrata esse soneto da mestra Maria João.
ResponderEliminarObrigada, Poeta Brasil! Este é um sonetilho e distingue-se do soneto clássico porque os versos são todos em redondilha maior - sete sílabas métricas. Hoje tenho um outro poema, mas não vai sair no poetaporkedeusker porque ele aderiu à greve dos trabalhadores portugueses. Só o publico depois do almoço, no Mumbles, mas adianto que se chama Fado Sem Gente - a um cão vadio capturado.
EliminarAbraço grande, através deste imenso Atlântico!
O fado é destino, sorte
ResponderEliminartodos nascem pró viver
leva-nos do berço á morte
entre o rir e o sofrer
depois a vida, que é fado
e nos toma sem se ver
para uns é fardo pesado
para outros é bom viver
mas é curto na garganta
e seja lá como for
não escapa nem o que canta
nem o que não é cantor.
Que bonito fado, Peter! E descreve muitíssimo bem o percurso de vida, na sua generalidade. Obrigada por me ter deixado este seu fado nos meus comentários.
EliminarBacini!