UNS TANTOS DE NÓS...
Muito além das conquistas ou dos medos,
E dos bens que, pr`a ter, há que comprar,
Das mentiras, verdades e segredos
Que cada um irá, ou não, calar;
Muito além das sereias nos rochedos
[que inventámos tão só para enganar
as fragatas que lançam seus torpedos
quando nenhum de nós quer disparar…]
Apesar das mil coisas que nos prendem
À nossa condição de seres humanos
E que no dia-a-dia nos constroem,
Há uns tantos de nós que compreendem
Que iremos muito além desses enganos
Das “coisinhas” banais que mais nos doem…
Maria João Brito de Sousa
Maria João... ESTE, gostei particularmente.
ResponderEliminarSentido, profundo, articulado, sequencial e direccional... agarra-nos, prende-nos e faz-nos sentir o quanto somos, podemos e devemos ser!
Gostei muito, mesmo!
Fui ao seu outro "local" dos "poemas sem rima"... e também gostei. Gosto dos poemas soltos, zangados ou doces, mas que partem de dentro e atervo-me atranscrever-lhe um "poema" meu aqui neste seu lugar de partilha e que penso ilustra esta vontade/necessidade de escrever, como uma esplosão que se não controla...
"Não sei porque escrevo.
Por impulso,
por renuncia
ao pensamento elaborado
à justificação
meticulosa das coisas
ao pensamento prévio
ao projecto.
E sinto que o poema em mim
nasce feito
aborto ou
(quase) perfeito,
nasce apenas
sem dó nem piedade."
Um abraço nesta amizade que nasceu... se consolida e cresce, nesta cumplicidade que se desvenda...
Bom fim-de-semana
Sempre,
Isabel Maia Jácome
É isso mesmo, Isabel! Eles nascem-nos "de dentro"! Mesmo os zangados, como este seu que agora partilhou comigo e de que gostei muitíssimo! Um poema "bonitinho" pode até ser feito por encomenda, usando a técnica formal... um bom poema TEM de nos vir cá de dentro! E também de fora! É estranhíssimo, mas eu penso que um BOM poema depende de uma misteriosa convergência entre algo de muito forte, cá dentro, e um milhão de variáveis que parecem reunir-se no momento em que ele começa a nascer! Eu deveria saber dizer isto de forma mais clara, mas não sei! Só sei que é mesmo assim!
EliminarUm enorme abraço!
também não sei como é... mas sinto que é como a Maria João diz...
Eliminardepois, claro a maioria das vezes precisa ser trabalhado... mas nasce assim, "sem dó, nem piedade"
Abraço Maria João...peotaporkedeusker :)
Isabel
:) Abraço grande, Isabel! Passo pelo "Escrever por Dentro" depois de publicar os sonetos de hoje!
Eliminarolá poetisa, tudo bem ???
ResponderEliminaralem do soneto , também a fotografia é bela.
Algés?? Havia um café á beira do rio onde se faziam horas de romantismo puro e ingénuo , tal qual como o tempo que tinha a mesma dimensão. Ingénuo e puro.
Em Algés e no Restelo, no velho cinema Restelo !
Ah! O velho Cinema Restelo! Lembro-me pois! O café que eu mais frequentava, quando andava no liceu, era o Pavilhão Ribamar, à beira da Marginal... ainda o Palácio Anjos era uma ruína. Depois fazia a pé o percurso até ao Aquário Vasco da Gama e, poucos metros depois, era a velha casa do Dafundo, onde eu ia lanchar e dar um beijinho à avó Maria :) Ainda lá está, agora com uns azulejos muito amarelos... mas não conheço os novos habitantes...
EliminarBacini, Peter!
Muito bonito,Maria João...é mesmo uns tantos de nós...para meditar!
ResponderEliminarParabéns.
Bj*
Eu penso que sim, Vitor. Penso - e todos os dias vou cimentando esta minha convicção - que não somos todos tão iguais quanto isso. Claro que todos temos os mesmíssimos direitos, mas temos aspirações e ambições tão diferentes uns dos outros... e é assim mesmo que deve ser porque é na diversidade e na complementaridade que está a riqueza de uma espécie!
EliminarAbraço grande!
Parabéns a você
ResponderEliminarPoeta tão querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.
Atrasada mas parabenizando-a, como dizem os brasileiros, com toda a alegria de o poder fazer.
Agradeço à sua amiga Efigénia Coutinho o lembrete pois me deixou uma cópia da mensagem que aqui lhe deixou.
Um soneto muito bonito. Felizmente que há cada vez mais uns tantos de nós.
Abraço GRD
:) Obrigada, Eva! Obrigada, também, à Efigênia :)
EliminarTambém me parece que estes "uns tantos de nós" estão a crescer em número:) Isso é bom. Muito bom!
Abraço grande!
PS - Ainda não consegui ouvir o Dueto de Gatos, mas vou conseguir! :)