O NASCIMENTO DA PALMEIRA - Uma perspectiva metafísica

 



 


 


Na tarde imaginária e soalheira


De um pedaço de terra por escrever,


Isolada, crescera uma palmeira


Junto a um curso de água por nascer.


 


 


Ninguém soube dizer se era a primeira


Pois não teve ninguém pr`á receber


E ninguém nos dirá se a derradeira


Pois sei que mais ninguém a pode ver.


 


 


Na tarde calma despontou, contudo,


Fazendo ouvir um estranho apelo mudo


Que não seria audível pr`a ninguém.


 


 


Nasceu,  mas foi por pura antinomia


Ou  mera sugestão de uma ironia


Que a neguei mas que quis nascer, também.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.12.2010 – 19.12h


 

Comentários

  1. oi poetisa 1 Em grande forma, pelo que leio!
    força! Bacio.

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    1. :) Olá, Peter! Ando outra vez muito filosófica... :)) mas eu não desgosto destes sonetos metafísicos... sinto-me "renovada" quando eles me nascem...
      Bacini!

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  2. Realmente as palmeiras reproduzem-se com muita facilidade, não precisam de cuidados especiais, são destemidas e corajosas como quem escreveu este soneto. Um abraço Maria João e cuidado com o frio, agasalhe-se.

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    1. Olá, amiga! Estou pura e simplesmente congelada! Tenho 5 camisolas e sinto-me nua... ainda há pouco estive a conversar com um seu conterrâneo e lembrámos o Alentejo e o friozinho que por lá deve estar. Esta ainda é uma das zonas mais temperadas do país e mal se consegue andar de tão geladas que nos ficam as pernas...
      Um enorme abraço e obrigada pelas suas palavras!

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  3. Muito, muito bonito, Maria João!
    Abraço
    Sempre,
    Isabel

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    1. :) Obrigada, Isabel! Agora publico em vários grupos de poetas amigos - os que não eram, passaram a sê-lo! :) - ligados ao Fb e vejo-me aflita para atender todos... quem me dera poder ler tanta coisa! Não gosto de fazer leituras superficiais... gosto de ir "ao fundo" dos poemas e traçar caminhos e teorizar a partir do que vou encontrando... e não é fácil. Este tipo de leitura exige tempo. O preciosíssimo tempo de reflexão que levará a que alguns poemas sobrevivam e outros não...
      Abraço grande!

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