SETENTA E SETE VEZES...


 


Setenta e sete vezes el` tentou,


Setenta e sete, sempre a escorregar!


Só depois disso tudo reparou


Que nunca voltaria a dominar…


 


 


Setenta e sete vezes el` tombou,


Setenta e sete vezes, a bramar,


Tentou erguer-se em vão. Se se queixou,


Foi por já não poder, sequer, tentar…


 


 


Pobre Mostrengo, fraco e desistente,


Que, dantes, derrotara tanta gente


Agora agonizando há tantos meses


 


 


Sem alguém que, doído, o socorresse,


Sem mais erguer-se porque, se o fizesse,


Morria mais setenta e sete vezes…


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 08.12.2010 – 20.46h


 


 


Imagem retirada da internet


 


 

Comentários

  1. ...gosto de a sentir aqui.
    Mais uma vez e na sequênca do que disse após a sua resposta no outro post...
    FORÇA Mª João!
    FORÇA, Poeta!
    Esse abraço...
    Sempre,
    Isabel

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    1. :) Obrigada, Isabel... sinto-me um bocadinho esse mostrengo :)) mas enfim! Experimente, se puder, dar um pulinho a http://premiosemedalhas.blogs.sapo.pt/
      É uma pessoa de uma doçura ímpar que eu, hoje, tentei homenagear!
      Enorme abraço!

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    2. ... e fui Poeta... e é tão bom homenagear alguém...
      Parabéns pela sua solidariedade...
      beijinho
      Isabel

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    3. Foi a única coisa realmente boa que fiz naquele dia, Isabel! A Imiracy é uma pessoa linda, de uma candura rara de encontrar.
      Muito obrigada e um grande abraço!

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    4. E é tão bom quando sentimos isso... e temos o previlégio de encontrar pessaos assim nas nossas vidas.
      Sabe?
      Últimamente tenho encontrado pessoas fantásticas que têm enriquecido muito a minha vida. É bom acreditar.
      Obrigada por ser uma pessao também tão sã e tão autentica.
      Espero que esteja melhor hoje, Mª João
      Bjinho cjeio de carinho,
      Isabel

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    5. Credo!... tantas gralhas no que lhe escrevi. Devia estar dislexica das mãos!
      Estou desculpada?
      Outro beijinho
      Isabel

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    6. :) Não, Isabel, não estou mesmo nada melhor... estou a "agarrar-me" às pequenas coisas boas que também sucederam nestes dias, mas estou lucidamente deprimida... ainda é apenas uma "situação de depressão reactiva" e garanto-lhe que tudo farei para o não deixar avançar. Obrigada pelo seu carinho e espero que este meu "estar menos bem" não contribua para estragar a sua tarde. Já tem tanto que fazer na sua vida profissional que só lhe faltava encontrar uma pessoa que sempre tem afirmado ser feliz - nunca menti quando o afirmei - a autodiagnosticar-se num comentário... esta "tirada" foi tão estranha que me despertou alguma vontade de rir. Refiro-me às últimas palavras que me "saíram"... mas é exactamente assim que me encontro e eu tenho alguns laivos de carácter de "verdadeira compulsiva". Esta é uma auto-denominação que resolvi adoptar depois de anos a constatar que a falsidade me repugnava de uma forma atroz... não consigo dizer uma mentira.. por vezes, nem a brincar. É tremendo, nos tempos que correm... sempre o foi. Os sistemas sociais adoptam e fomentam a mentira, muito embora a condenem publicamente. As dos outros, ainda vou aguentando e desculpando... eu é que não consigo usá-las a não ser naquele grau levíssimo das chamadas "mentiras caritativas"... mas, mesmo assim, não me é nada fácil fazê-lo.
      Ai, coitada de si! Estou a deixar-lhe um verdadeiro "tratado de pequenas reflexões"! Desculpe!
      Um enorme abraço!

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    7. Eu não me importo Maria João e quando não posso, não posso. também eu dificilmente sei mentir, mesmo nessas mentirinhas caridosas e por vezes quase chego a sentir-me penalizada por isso. Mas não. Cada vez mais me aceito e aprendo a gostar de mim como sou e acredito. Os erros que cometo, são para assumir e não gosto de descartar culpas para os outros... e é com a consciência dos nossos erros que se aprendo a ser mais humana, mais capaz e mais próxima dos outros. Ninguém é perfeito. Mas o que a Maria João faz parece-me mais do que correcto. Às vezes a omissão dói muito mais do que um silêncio comprometido e por vezes precisamos e sentimos mais necessidade de falar, precisamente pelos outros que possam eventualmente ter menos voz, ou menas capacidade de se fazer ouvir. Claro que tudo é relativo. A mim, quem me ouve? Mas cada vez mais acredito que não devo calar. Só preciso aprender mais e melhor a saber fazer e encontrar a melhor forma de ajudar. Os outros e amim, mesma, porque não? Só se estivermos bem podemos ajudar os outros. Ou pelo menos fazêmo-lo pela certa melhor. Quanto a ser compulsivo... quantas compulsões por aí que prejudicam tanta gente... acha que a sua, se a tem, faz mal a alguém?
      Quanto a estar deprimida, mesmo sendo uma depressão reactiva, cada um deve saber a ajuda técnica de que necessita. E se sente que precisa de ajuda, por favor não exite em pedi-la...
      ...mas há que ter atenção ao que chamamos depressão! Estar triste é um direito. Calar-se alimenta-lhe a dor e possivelmente a sensação depressiva...
      quanto a mim, neste momento, Maria João, infelizmente estou de baixa com uma crise de coluna... mas como vê, ultimamente já consigo vir aqui, sentar-me por momentos no computador e isso é uma grande conquista. E já estou a sentir-me melhor e com menos dor!...
      Estas crises vêm... mas vão. E espero estar a progredir bem. Por isso, por favor, agora sou eu que não quero que se preocupe comigo.
      Um beijo amigo, a desejar essa força enorme de que precisa, mas sei que tem
      Sempre,
      Isabel

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    8. :)) Não têm conta as que eu vou encontrando no próprio Poetaporkedeusker quando tenho um bocadinho de tempo para tentar fazer uma revisão! Depois fico furiosa porque nunca consigo uma oportunidade para rever a sério... tenho a impressão de que é do ecrã. Melhor; é da conjugação da imagem do que escrevemos, no ecrã, com a pressa, o cansaço e o entusiasmo... :)) já disse a mesma frase - mentalmente - acerca de mim mesma... está desculpadíssima. Até a mim mesma me vou desculpando...
      Bjo!

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    9. É exactamente o que costumo dizer a mim mesma! As crises vêm e vão... é só esperar um bocadinho e já passou! Somos uns animaizinhos manhosos e inventivos, não somos? Conhecemos muito bem os argumentos que devemos apresentar às nossas próprias dorzinhas!:) É bom que seja assim. Muito bom.
      Neste momento estou apenas muito triste mas já tive uma depressão - stress pós traumático - que durou muitos anos e, com a instabilidade financeira que depois se instalou, andou a querer voltar, ora sim, ora não... consigo um grande distanciamento de mim mesma, quando isso se impõe e sei que estou mesmo, mesmo na fronteira entre a legitimidade de estar triste e magoada e a tal senhora depressão. Penso que vou conseguir aguentar, mas é sempre uma situação que depende de um número quase infinito de variáveis... se as coisas piorarem, procuro auxílio. Já o fiz por decisão própria e muito atempadamente. Estou à espera de ver como irei reagir nos próximos dias ao factor desencadeante que existe e ainda não está bem resolvido.
      Tenha cautela com a sua coluna. A minha está um desastre e também estou cheia de dores.
      Um enorme abraço e as suas rápidas melhoras.

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    10. Obrigada Maria João
      Beijinho de força e bom fim-de-semana!
      Sempre
      Isabel

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  2. Devemos tentar ultrapassar as dificuldades. Desejo tudo de bom, tenha bom ânimo. Beijos*

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    1. Muito obrigada, Annallegra! :) Que lindo nome!
      Acredite que poucos saberão ultrapassar as suas dores como eu aprendi a fazê-lo ao longo dos anos... tudo tem o seu tempo, amiguinha. De nada nos serve sorrir quando nos apetece chorar... a natureza não se dá nada bem com esse tipo de violências que fazemos a nós mesmos. O ideal, quando as coisas ultrapassam os limites do que conseguimos suportar, é deixar sair o grito de dor e permitir ao tempo e às inúmeras variáveis de cada minuto que cumpram o seu papel lenitivo. Parece-me que o seu nome me fez bem! :)
      Um grande abraço!

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  3. Querida Jo,
    Não sendo o alegado "mostrengo", sei que já se levantou mais do que as setenta e sete vezes de que fala o seu poema.
    Beijinhos

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    1. :) Já, sim! Muitas mais, sem dúvida... mas aquele número é mágico... acho-o lindíssimo e vejo-o sempre de um amarelo torrado muito bonito... coisas minhas que, desde que me conheço, associo letras, dígitos e palavras, a cores :)) Ora que bom! Já sorri e tudo!
      Afinal eu também nunca quis dominar ninguém, como o mostrengo da lenda... tomara eu que me não tentassem dominar a mim... :)) veio a propósito da conversa com o João Botelho, no Bairro Alto, que ouvi na RTP 2. Ele não falou no Mostrengo, mas quem não se lembra dele quando se fala de Pessoa? Deste poema conheço eu a génese mas, na maioria das vezes, perco o rasto às minhas divagações, quando começo a poetar...
      Obrigada pelo beijinho e pela atenção :)

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  4. Olá minha amiga, este seu soneto tem uma enorme força e coragem ,eu sei que a minha amiga mesmo caindo vai sempre levantar-se e "sacudir" as coisas que não vale a pena perder-mos tempo com elas e seguir em frente, muita força e um grande abraço .
    Bom fim de semana.




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    1. Um grande abraço também para si, minha querida Idalina. Que tenha um fim de semana muito alegre e repousante!

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