TENTEI FALAR-VOS DE MIM...


 


Quis falar-te de mim, mostrar-te os dias


Que prendem, como peias apertadas,


Mas morrem-me as palavras, já cansadas


De saber que jamais me entenderias…





Quis mostrar-te a diferença; as alegrias


Que sabes aceitar, são gargalhadas…


Das minhas, das que nascem rejeitadas,


Ceifaste, agora, mil que nem sabias!





Tu sabes lá o que é ser como sou!


Nestas mãos de aço que outro mar temperou


Trago o recomeçar de cada fim





Do solitário mundo em que me dou,


Mas ninguém, no teu mundo, acreditou…


E há quem possa entender quem escreve assim!?


 


 


 





Maria João Brito de Sousa – 24.01.2011 – 17.29h

Comentários

  1. Boa tarde Poeta!
    Curiosamente não sei se a entendi a si, mas parece que a mim a Poeta entendeu bem pois revi-me perfeitamente no seu poema.
    Abraço!

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    1. Bom dia, Eva! Uma das grandes maravilhas da poesia é exactamente essa... a de tantas vezes o leitor se poder identificar com o sujeito poético.
      Hoje vou tentar ir ao Caminhos. Estou com o Facebook literalmente pelos cabelos, mas não tenho conseguido a concentração que me permita fazer um horário de trabalho normal, aqui no CJO.
      Abraço grande!

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    2. Desculpe-me, Averse! Ainda não tinha lido o comentário da Eva e, não sei como, chamei-lhe Eva...
      mas pronto! O pedido de desculpas está formulado e irá perdoar-me, com certeza. Mas que não é comum, ah, isso não é! A Eva não me comenta muitas vezes e, hoje, comentou... eu é que ainda não tinha lido o comentário dela e, aparentemente, não podia saber que ela me comentou, neste post... gosto destas curiosidades, sabe?
      Abraço gde!

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    3. :D :D :D
      e eu a pensar que era um diminutivo carinhoso
      :D :D
      o cerebro tem aptidões fantásticas!!!
      Abraço

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    4. e tou a ver que acha interessantíssimo :D

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    5. Olhe que acho mesmo! Desde pequenina - devia ter os tais 5 anos :)) - que gosto de apreciar estas potencialidades e partidinhas que o cérebro tem e nos vai pregando!

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    6. :D eu também gosto, quantas vezes dou por mim a pensar no que penso :D :D

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  2. Respostas
    1. Acredito que tu entendas, minha Ligeirinha. Mas olha que eu entrei numa fase em que mal me reconheço... parece que estou zangada com o mundo... ou não parece; estou mesmo e isso que não me acontecia há anos. Acho que rosno em vez de falar e a minha cara não deve estar nada simpática. Eu, que sorria por tudo e por nada, ando de garras de fora e sobrancelha franzida, imagina! Se eu fosse exterior a mim mesma, parece-me que teria algum receio de me aproximar de mim... isto parece um disparate, mas é a mais pura das verdades.
      Um enorme abraço para ti. Caramba! Acho que me conseguiste "amansar" um nadinha! Dei por mim um pouco mais relaxada, enquanto te respondia...

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    2. Faz tão bem desabafar...deitar tudo cá pra fora ....e alguem que apanhe.... beijinhos

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    3. Já reparaste que quase todas as formas de arte se poderiam definir sob essa mesma afirmação? Claro que existe, na maioria das vezes, uma intenção de deixar "mensagem", algo que sirva ou venha a servir "o outro", mas que há uma enorme percentagem de "desabafo" na Arte, isso há!
      Beijinho gde!

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  3. É uma espécie de quase maldição a condição de poeta precisamente pelo facto de navegar em águas doutros mundos.
    Mas o poeta tem também essa função: mostrar pelo menos um vislumbre desses outros mundos.
    E há sempre quem consiga, através dos poemas, intui-los.
    E a Maria João desmpenha magnificamente esse papel de faroleira e navegadora.
    Já agora, Maria João, um pormenor: está um pequeno erro no poema de anteontem nas Liberdades Poéticas em "pariu": Que uma outra mãe Pareiu e embalou.
    Nada de grave e que não se entenda mas como dei por isso, devo dizer-lho.
    Abraço GRD



    Pareiu e embalou

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    1. Muito obrigada por me avisar do erro, Eva! Eu tento fazer revisões, mas nunca arranjo o tempo necessário e, quando encontro um bocadinho para o fazer, fico toda arrepiada com a quantidade de erros que encontro... há erros tipográficos, palavras repetidas, palavras que me esqueci de escrever e que os meus olhos apressados viam mesmo, erros sintácticos, erros ortográficos... enfim, é um verdadeiro "festival" de erros e falhas!
      Muito obrigada pelas suas palavras. Acredita que eu me sinto mesmo assim, como me descreveu? Não digo "magnífica", mas "faroleira e navegadora", sim! Deve ser qualquer coisa que me ficou do meu avô poeta, todo ele um mar de metáforas :)
      Pronto! Agora até sorri! Obrigada por me fazer sorrir! Ando há dois dias "de cara fechada"...
      Abraço grande!

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  4. Respostas
    1. :) pode ser, Peter, mas é um poema "de fronteira"... e aquela tirada "almadiana" também tem a sua razão de ser!
      Bacio!

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