A FORTALEZA
Cobriram-me de pétalas de rosa
E deram-me o plural das transparências;
Inexpugnável fui, nas aparências,
Qual “persona non grata”, mas famosa,
Apenas por escrever poema e prosa
E por não ter temido as divergências,
Mas calam-se-me as mãos e, toda ausências,
Já seiva alguma faz de mim viçosa…
Do que de mim guardei, pouco mais dou;
Devolvo-vos a rosa, enquanto vou
Subindo a fortaleza inacabada
Que também passará, como passou
A força que a subida me roubou
Mas que aqui permanece bem guardada.
Maria João Brito de Sousa – 05.01.2010 – 18.45h
acho que cada vez tenho menos palavras logo após a leitura dos seus poemas. Guardo silêncio... e oiço o eco, ainda nítido do que ficou.
ResponderEliminarNão publica "em papel", poeta?
beijinho... e tenho gostado de a ler no blog da Rita Ferro, ali, acesa e viva, com uma força que transparece, de quem encontra essa fortaleza em si mesma. Vai estar melhor, poeta. Vai conseguir dar a volta as estas questões físicas que a atormentam!
Felizmente pode sentir quantos gostam de si!
Abraço amigo
Isabel
:) Obrigada, Isabel! Já saiu um livrinho meu, o Poeta Porque Deus Quer, da Autores-Editora, mas penso que já não há mais nenhum exemplar. Claro que eu sei que publicar em papel é outra coisa... um livro é sempre um livro... mas sabe que é capaz de ser muito "pesado" ler sonetos "de empreitada"? Alguns destes sonetos oferecem múltiplos caminhos e pedem muita reflexão... outros não valem grande coisa, foram feitos só para não deixar dias "em branco". Uma coisa, porém, é certa; não tenho dinheiro nenhum e, se o tivesse, correria a encher a despensa de Friskies, latinhas e areia para os litters :))
EliminarOs meus gatos - dois são herança da minha mãe - estão muito velhotes mas eu cheguei a temer poder ter de partir e deixá-los por cá... mas foi quando tive aquele pico de hipertensão... agora já tenho os valores normalíssimos, embora continue muito lenta... a primeira segunda feira, depois do RSI, vai ser para ir ao hospital mesmo sem consulta marcada. A cólica renal também já passou. Devo ter expulsado umas pedrinhas das muitas que por cá andam :)) a coluna é que continua rezingona... desde os 30 anos que ela me faz das suas, sobretudo por causa de uma escoliose muito acentuada - acentuadíssima! - na zona lombar... mas já estive muito pior do que estou!
Abraço grande! :)
Querida poeta, perco-me nas suas liberdades poéticas. E perdi-me tanto que não dei pelo tempo a passar. Mas é tão bom quando isso acontece. E com a maria João temos esta certeza: acontece sempre!
ResponderEliminarBem haja
Eva
Bem haja, Eva, por ler o meu trabalho! :) Sabe que eu mesma acho curioso que, sendo esse o tipo de poesia que escrevi sempre, os sonetos venham, agora, com uma premência e um ritmo muito mais constantes? No entanto, este fim de semana foi para esquecer... nasceu-me um único soneto e não fluiu como os outros... levei muito tempo a construí-lo e garanto que não está nada de especial. Enfim, terei de me habituar a esta inconstância e acreditar que se é impossível esgotarmos o tema, não é impossível que o tema nos esgote a nós... :) e eu ando mesmo muito cansada. Já abdiquei da tag "um soneto por dia", pelo sim, pelo não...
EliminarPelas minhas contas, já devo ter mil sonetos publicados. Daqui para a frente, ou eles me nascem com a espontaneidade e a força dos bons momentos, ou opto por não publicar diariamente.
Um enorme abraço e muito obrigada pelas suas visitas!
Gosto muito dos seus sonetos, Maria João. São belíssimos e com uma notável consistência formal e ideológica, o que antigamente se chamava de forma e fundo (hoje deve ter uma qualquer designação inovadora)! Mas confesso que sinto uma comunhão especial com os seus outros poemas de rima livre.
EliminarAliás, aproveitando - e abusando - da sua expressa disponibilidade quero ver se começo a transcrevê-los regularmente no Caminhos.
Quanto às visitas, eu é que sou permanentemente agradecida pelo seu esforço em nos alegrar os dias com a sua poesia.
Abraço GRD
Obrigada, mas penso que não mereço... é que eu posso alegrar os dias de alguns de vós e acredito que alegre os seus, em particular, mas também alegro os meus! :))
EliminarIsto é o que eu chamo de "juntar o útil ao agradável" :)) Sinceramente nem me estou a ver a sobreviver se não for através da expressão poética, sobretudo nestas fases em que ando mais "empenada" e com uma lentidão que faz qualquer caracol parecer o Speedy Gonzales...
Muitíssimo obrigada por querer transcrevê-los para o "Caminhos". Eu não tenho visitado quase ninguém e metade do meu tempo online é passado a excluir mails que nem tive tempo de abrir, dado os muitos sites em que, agora, ando a publicar... mas visito sempre o máximo que consigo...
Abraço GRANDE!
Não é muito elegante ou, melhor dizendo, políticamente correcto, afirmar que é bom sinal não se conseguir visitar todos os blogs de que gostamos, mas eu acho que isso é bom sinal. significa não só que há muitos blogs interessantes como estamos suficientemente ocupados para não conseguir visitar todos. Por isso fico contente que não seja mais assídua nos Escritos ou no Caminhos ou noutros de que goste. Desde que não seja por motivos "técnicos" ou de saúde, acho que é bom, sinal de que está atarefada com outras coisas e não por ter o tempo desocupado.
EliminarAbraço GRD
:) Eu, às vezes, penso que é mesmo por estar velhota e "empenada" :)) e é bem possível que seja isso! Os jovens movem-se na net com uma tremenda rapidez, assimilam instantaneamente e produzem muito mais... tenho de me conformar com este "ritmozinho" de caracol... :))
EliminarObrigada e um enorme abraço!