DEPOIS DE UMA ILUSÃO


 


Depois de uma ilusão… quanta ilusão,


Quantas metas ainda inalcançadas!


Quantas vezes é “sim”, e quantas “não”,


Sob o esforço das mãos já desgastadas?





Quanto trabalho até à remissão


Das negras tatuagens ulceradas,


Quanta fé, quanto amor na confecção


Das coisas que estão sempre inacabadas…





Depois de uma ilusão, resta o que resta


E, desse resto, o tanto que virá


Do muito que sair das nossas mãos…





E que ninguém nos diga: - Isto não presta!


Há sempre alguém que entende o que se dá,


Há sempre alguém que diz: - Somos irmãos!


 


 


 





Maria João Brito de Sousa


 




Ao som de “Todo o Tempo do Mundo”


 


 


IMAGEM - Eu com a avó Alice, mulher do poeta António de Sousa. Esta avó viria a falecer prematuramente, de um súbito agravamento da sua doença de Parkinson, quando eu tinha onze anos de idade.

Comentários

  1. Olá Maria

    Lindo soneto.
    Ilusões... Não apenas uma, mas muitas durante os 365 dias do ano.
    Como Jesus disse... somos sempre irmãos.

    FELIZ 2011!
    Ps. só hoje tive acesso a net

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    1. Olá, Vera! Um Feliz 2011 também para ti! Eu ando muitíssimo dispersa por essa net fora e acabo por não conseguir visitar quase ninguém. Tudo bem contigo e com a tua família?
      Abraço grande!

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    2. Oi Maria

      Ainda estou no Rio de Janeiro na cas de tios. Minha família está bem, mas, desde ontem o meu teto desmoronou!
      Recebi notícias de meu cão boby que morreu ao ser atropelado. Deixei para um sobrinho tomar conta e houve esta fatalidade que ainda deixa-me com lágrimas.

      Abraços.

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    3. Eu sei o que custa, amiga. Tem coragem! Nem sei que mais possa dizer-te... esperemos que ele tenha tido uma morte rápida e indolor. Sei que é terrível e que vai levar algum tempo até que te habitues à separação, mas a vida é assim e nem tudo são momentos de felicidade.
      Um enorme abraço!

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  2. Respostas
    1. Obrigada, Isabel! Esta minha avó era um amor de pessoa. Tenho a certeza de que gostaria de a conhecer!
      As minhas primeiras angústias infantis, desde os meus primeiros anos de vida em que consciencializei a morte, eram em relação à hipótese de a perder um dia. Aprendemos, muito cedo, a gerir esses medos e eu usava a estratégia de imaginar os anos como "coisas" tão longas que mais pareciam eternidades. Mas não foi assim e ela acabou por morrer com pouco mais de sessenta anos, numa altura em que eu ainda não havia consolidado todas as minhas defesas em relação às inevitabilidades. Foi duríssima, a perda desta avó. Foi-o para mim e para o meu avô que, a partir daí, adoeceu gravemente e praticamente não voltou a escrever.
      Abraço grande.

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    2. Oh..... há coisas que custam tanto!... e deve ter sido tão duro para si tb o seu avô ter deixado de escrever...
      bj

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    3. Foi tudo muito duro. Tudo mudou naquela casa. Nunca mais houve tertúlias nem peças de teatro infantil. Tudo mudou, literalmente. A minha mãe contratou uma governanta, a minha Aurorinha saiu para se casar, o meu pai também perdeu grande parte do seu entusiasmo e a casa foi "murchando"... pouco tempo depois, mudámo-nos para uma urbanização nova, em Linda-a-Velha, mas o avô não queria largar a casa e ficou por lá com os seus livros e a sua gata, a Carocha.

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