O MAR DENTRO DE NÓS


 


Por dentro de mim corre um longo rio


De seiva, ao por do sol de um campo arado


E a ceifeira, que ceifa ao desafio,


Esquecida de o ceifar, passou-lhe ao lado.


 


 


Talvez volte amanhã, se fizer frio,


Ou se o vento, ao soprar, tiver lembrado


O leito das razões que nele desfio


Na seiva em que o descrevo humanizado


 


 


Entretanto, outras foices de ceifeiras


Passaram já por ele de outras maneiras


Mas nunca desaguaram nessa foz


 


 


Que, a jusante de mim, beija as ribeiras


Quando elas se lhe oferecem, sempre inteiras


E recomeça o mar dentro de nós.


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 14.01.2011 – 22.00h


 

Comentários

  1. Olá minha amiga, parece que esse mar que existe em sim está mais calmo agora, já o "senti bastante revolto".
    Gostei muito de a "ouvir" falar das suas filhotas, sabe sempre bem falar dos filhos mesmo que seja muito ao de leve, faz bem.
    Eu já estou um pouco melhor ando a fazer exames para ver donde vem esta anemia, hoje fiz uma "eco" ao figado e na quarta feira vou fazer uma endoscopia ao estômago.
    O zumbido nos ouvidos é que veio para ficar e incomoda bastante ,mas parece que tenho de me habituar a ele.
    Um grande abraço para si e um bom inicio de semana.

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    1. Apanha-me num dia em que estou particularmente frágil, minha amiga Idalina. Eu, que não sou nada de lágrimas, tenho os olhos marejados delas... deve ser esse tal mar dentro de mim... está sereno, sim, mas está em maré baixa e sente-se muito fraco para enfrentar alguns escolhos que lhe apareceram... não ligue! Eu hoje estou mesmo muito "lamechas" e muito, muito cansada.
      Espero que todos os seus exames corram pelo melhor e que esse malvado síndroma a deixe sossegar. Eu sei que é muito, muito incómodo.
      Enorme abraço!

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  2. Lindo poema Maria
    E parabéns pelo aniversário do poetaporkedeusker.
    "O mar dentro de mim
    Veio como um tsunami,
    Levou-me o que amava
    E agora não tem nome"

    Já estou de volta na minha cidade.

    Abraço.

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    1. Que bom, Vera! É sempre tão bom voltar a casa! Eu já não viajo há muitos anos, mas lembro-me muito bem do que acontecia quando era pequenina e chegava de uma viagem. às vezes chorava de alegria por poder voltar a casa! Quando era pequena, tinha muitas saudades... tinha saudades de tudo, até dos móveis, dos animais, das plantas, das paredes e das tábuas do soalho...
      Abraço grande!

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  3. Este soneto foi seleccionado para vigorar no dia 22.10.2011, às 12 horas, no Poesia Portuguesa, no Passatempo de Outubro (Condições a ler no Blogue)

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    1. Muito agradecida pela escolha, Poesia Portuguesa! Estou numa ligação muito instável mas farei o possível por ir ao blog ler as condições.
      Abraço grande!

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