OUTRAS JANEIRAS


 


Sobre tantos Janeiros de  nós dois,


Cansou-se a velha lua de sonhar


E, em se indo deitar, surgiu, depois,


Um sol que só nasceu pr`a vir espreitar…


 


 


Se, em cantando as Janeiras, tu me dóis,


Se me dóis mais ainda ao não cantar,


Que fazer se, por ti, me nascem sóis,


Se, enquanto me doeres, irão voltar?


 


 


Não cantaste as Janeiras… que me importa


Se, amanhã, me vieres bater à porta


Por sentires o vazio de uma saudade?


 


 


Olho o céu de Janeiro e fico absorta;


Nem uma estrela brilha, viva ou morta,


E quanto o céu promete é tempestade…


 


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa- 10.01,2011 - 11.57h


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Que bonito que é este soneto... e os outros mais...e que palavras mais posso dizer ou acrescentar, do agrado e bem estar que me causa lê-la a cada dia, sabendo a febre que a domina, conhecendo as profundezas dessa busca e dessa forma de estar?
    Um beijo Maria João

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    Respostas
    1. Olá, Isabel! Obrigada pelas suas palavras, mas eu tenho andado em franca "crise de sonetos"... este foi ficcionado e trabalhado a partir de uma qualquer pequena reportagem sobre as Janeiras, enquanto eu olhava mesmo um céu de Janeiro que prometia a tempestade que, depois, se veio a desencadear. Ando num daqueles momentos em que os "sonetos mágicos" me parecem ter abandonado... ontem ainda fiz um, mas também o tive de "ir buscar", muito conscientemente, às minhas memórias das leituras do dia. Já estou a ficar com algumas saudades dos que me nasciam sem que eu soubesse como... :)
      Mas é assim mesmo e eu só tenho de descansar um pouco... depois, quando menos esperar, lá vêm eles em catadupa e eu quase não consigo "agarrá-los" a todos.
      Abraço grande e obrigada pelas suas palavras!

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