A ÉTICA DA CRISE...


 


Perdão… dá-me licença que o assalte?


Passe o dinheiro todo, por favor,


E queira desculpar-me, meu senhor,


Não vá ser esse pouco o que lhe falte…





Mas, se me der licença, eu explico já


A causa deste roubo que aqui faço


E sela-se este assalto num abraço


Porque é nisto que a crise, às vezes, dá…





Acontece eu estar “liso” e ter dois filhos,


Por isso aqui me vê, nestes sarilhos


Que me irá desculpar porque entendeu





Que a crise toca a todos, meu amigo…


E desculpe-me lá se o pus em perigo!


Com muito amor;     este Assaltante seu…


 




 





21.00h – 08.02.2011 – M. João Brito de Sousa


 




NOTA – Eu tinha – tinha mesmo! – um Soneto Clássico, sem a menor imperfeição formal e de conteúdo menos… “popular”, prontinho para publicar… mas não resisti a postar este, escrito num jacto, entre a gargalhada e a lágrima. Queiram ter a bondade de entender…




Comentários

  1. Aceito, entendo e gosto!

    Olá, poeta amiga, como estás?

    Voltei!...

    Um abraço,

    Maria Luísa

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    1. Já estás por cá, Maria Luísa? Que bom! Pode parecer palermice dizer isto... a distância, na net, não se sente... mas é como se se sentisse... nem sei explicar.
      Estive quase para não publicar este soneto... mas é um soneto, sem dúvida, e eu tinha-me proposto levar o soneto a todos os tipos de temas que me tocassem...
      Abraço GRANDE!

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    2. Tens razão, na Net não há distâncias, mas
      como seres humanos que somos e não máquinas,
      sentimos a distância e de que maneira, meu
      Deus...

      Voltei , como sempre, por uns tempos.
      Longe ou perto, é sempre por uns tempos...

      Tenho Vinicios de Moraes comigo e nos
      prémios. Sei que o teu tempo é limitado e
      por isso aceito o pouco que me possas dar.
      Quando partimos, somos esquecidos - todos,
      sem excepções!
      Esta é das poucas coisas certas que conheço!

      Um abraço,

      Mª. luísa

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    3. Olha que nem todos... posso dar-te o exemplo de V. Van Gogh, de cuja vida me tenho lembrado ao longo de toda a minha vida e mais ultimamente porque veio a debate, no Facebook, um episódio da sua dramática existência. Aquele homem partiu muito, muito antes de eu nascer e, tendo conhecido a sua obra e algumas biografias, nunca me esqueci dele. Esta também pode ser uma forma de não morrer, morrendo. Para mim está a ser e penso que sempre foi. Todos nós temos uma memória algo selectiva; a minha é-o muitíssimo.
      Alguma coisa, em mim, nunca se quis esquecer de Vincent... conheço biografias de outros pintores, escritores e músicos e, no entanto, nenhuma calou tão fundo quanto a dele...
      Vou ver o Vinicius! Até já!

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    4. Aqui temos Van Gogh e a sua pincelada única.

      O reconheço à distância e te disse o porquê no blogs de premios-prosa-poetica, num longo texto de resposta a vinicius de Moraes.

      Obrigada pela visita e sabes? Deu muito trabalho e no Rio minha prima me ofereceu o Livro primeiro dele publicado em 1933.
      Só voltou a ser publicado em 2008.

      Estive nalguns lugares maravilhosos que ele
      costumava frequentar e passar férias (de encanto).
      Passados 2 dias, dá-se a maior catástrofe na
      zona serrana do Rio de Janeiro e Nova Friburgo ficou arrasada, onde tencionava ir...

      Sei que ficou irreconhecível e está a ser apoiada pelos médicos- sem- fronteiras e
      tenho uma amiga psicologa a trabalhar lá e a
      viver lá.
      A casa dela não foi afectada. Está num cónego (não sei definir "cónego" em brasileiro).

      Beijos,

      Mª. Luísa

      Mª. Luísa

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    5. E eu já te deixei um enorme discurso de resposta :))
      Tu nem ligues! Eu reajo instintivamente a certas palavras e começo a "debitar" discurso sem parar...
      Eu soube da tragédia. Vi imagens... só as primeiras. Depois não quis ver mais... há momentos em que é melhor eu não estar a olhar porque a minha imaginação recria todo o cenário da catástrofe e torna-se muito doloroso. Por vezes é assim que acontece.
      Quanto ao local onde residia a tua amiga... seria "córrego"? Em Português de Portugal, cónego é um sacerdote... mas pode ter esse sentido no Brasil...
      Abraço gde!

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    6. excelente ! a ética da crise.
      Parabéns Maria João. Adoro os seus sonetos, toda sua poesia.

      António Garrochinho

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    7. :D Obrigada, amigo António Garrochinho!
      Abraço grande!

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  2. Olá Jo!
    Quase a vejo a "sentir" este soneto, que embora popular está cheio de sentido.
    Beijinho

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    1. É popular, Fá, sim... pus em soneto um episódio que "mexeu comigo" e que tinha acabado de ver no telejornal... mas senti-o, sim senhora. Senti-o e o soneto veio logo de jorro... por isso é que não resisti a publicá-lo...
      Já tenho perguntado aos meus botões se o velho Bolinhas já está "fino"... já aí vou!
      Bjo!

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  3. Olá amiga ,este soneto está muito engraçado, embora seja tão real o que aqui escreve que nos deixa a pensar que qualquer dia estes casos começam a ser tão banais como ir ás compras, mas como não há dinheiro faz-se assim desta maneira.
    Um abraço.

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    1. Pois é aí mesmo que "a porca torce o rabo", minha amiga! Não seria um caso isolado - penso eu... - que me levaria a escrever isto assim, num repente, mas a pertinência deste tipo de situações perante uma crise deste calibre.
      Obrigada pelas suas palavras e um enorme abraço!

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