A RAZÃO DAS NOSSAS VIDAS

 


 


 


Libertem-se as tensões, uma por uma,


Do gesto gasto, impuro, incontroverso,


E cresça a vocação rasgando a bruma


Do despertar nublado de um só verso!


 


Libertem-se as razões que coisa alguma


Prendeu a quanto dele jazer imerso,


Ou, quando essa opressão se lhe avoluma,


Ao que o tornou angélico… ou perverso…


 


Por vezes, as tensões, nem razões são


E esfumam-se ao romper de uma ilusão


Morrendo inoportunas, descabidas,


 


Noutras encontram, nessa dimensão,


A sua mais perfeita tradução


E tornam-se a razão das nossas vidas…


 


 


 




Maria João Brito de Sousa – 26.02.2011 – 22.54h


 


 


 


 


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Porque a poesia é uma das razões das nossas vidas...

Comentários

  1. Respostas
    1. Obrigada, Vera! Nasceu de um daqueles momentos raros em que, no auge do desespero material, conseguimos sobrepor qualquer coisa de belo - neste caso tem um estranho travo de belo e definitivo... - à realidade dura. Duríssima.
      Abraço grande!

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  2. Bonito soneto e um esboço tambem muito bonito a deixar antever um belo trabalho.
    Será que é o"Spirit"esse olhar é de um gatinho feliz mas muito "reguila".
    Um grande abraço e um bom inicio de semana.

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    Respostas
    1. Obrigada, Idalina! O Spirit foi, realmente, um gatinho feliz enquanto viveu, mas tinha leucose felina e estava destinado a uma vida muito curtinha porque, nele, a doença manifestou-se sob a forma de uma massa tumoral que lhe obstruiu as vias respiratórias e lhe provocou um sofrimento atroz. Foi um daqueles casos excepcionais em que me vi obrigada a pedir ao veterinário que o eutanasiasse. De qualquer forma, deixou a leucose lá por casa... todos os meus gatos têm 99,9% de hipóteses de a terem e o Sigmund já tem tido vómitos de sangue vivo... mas está-se a aguentar e ainda come muito bem. O Kico também parece apostado em bater todos os recordes de sobrevivência canina :)) e, apesar de cada vez mais coxo, torcido e desequilibrado, continua a comer que nem um pequeno leão e está cada vez mais meigo, se possível.
      Este rabisco que me decidi a digitalizar é apenas isso mesmo... um rabisquito que fiz enquanto fazia uma pausa para reflectir na minha próxima jogada de xadrez, no 2008. Faço dúzias deles e acabo por deitá-los fora... achei alguma graça a este e lá o trouxe para este poema.
      Uma excelente semana e um enorme abraço também para si, minha amiga!

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