AMPLITUDES


 


Por cada imenso grau dessa amplitude


Gerada em cada abraço, sem mentir,


De súbito, conjugo o verbo rir,


Embora torne inversa essa atitude.


 


Pensas que, na mulher, essa virtude


Se deva, em três pernadas, resumir


Ao acto de gestar e de parir…


E julgas que o que pensas não te ilude.


 


No toque intraduzível de um abraço,


Revelo mar e céu por cada traço


De cada palavrinha que te diga


 


E podes nem o crer mas, se te enlaço,


Será pra mitigar quanto cansaço


Na amplitude do gesto o corpo abriga.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa 24.02.2011


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Respostas
    1. Grazie, Peter! :) Não nos víamos por aqui há um tempinho... o blog continuará "em obras" por muitos e longos meses, mas eu, de quando em quando, não resisto a publicar um novo soneto... e não. Não estou bem. Ninguém pode estar no seu melhor quando está à beira de ficar sem gás, água e electricidade porque se "esqueceram" de lhe enviar o vale de 189 euros com que terá de se governar durante um mês inteirinho.
      Bacini.

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  2. Lindo soneto!
    O abraço revela tudo!

    Abraços :)

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    Respostas
    1. Os sonetos alimentam-lhe a alma,que trespassa a nossa carapaça,e nos eternece com tanta alegria,tão simples,e simplesmente através da escrita.


      Bj*

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    2. Bom dia, Vitor. Acredite que nunca um verdadeiro poeta escreveu só para si. Este processo de interacção entre o poeta e quem o venha a ler sempre foram a "causa última" de todas as obras poéticas... e não só as poéticas.
      Vou tentar visitá-lo ainda hoje.
      Um enorme abraço e muito obrigada pelas suas palavras.

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    3. Sim, Vera, é isso mesmo! Em termos de análise literária podemos dizer que a "Chave de Ouro" está lá, no seu lugar, nos últimos versos e na última estrofe.
      Abraço grande!

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  3. Tão lindos e nos parecem tão simples,
    mas tão difíceis de construir.

    O poeta é o destinado ao sofrimento
    todos somos´...
    Mas a ele lhe clareia a visão da beleza
    a entrega do Infinito distante...
    O Infinito que ninguém compreende.

    Errante dos caminhos, mas envolvido na
    beleza de uma alma com capacidades de
    amar as distâncias...

    Um abraço

    Mª. Luísa

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    1. É verdade, Maria Luísa... parecem muito mais simples do que na realidade são. Devo dizer-te que não está a ser nada fácil o meu trabalho de revisão pois, muito embora tenha sonetos muito bonitos no início do Poetaporkedeusker, estou a encontrar imensos erros e pequenas falhas formais que são dificílimas de reparar.
      Vou tentar ir hoje ao teu blog e conhecer quem tu chamas de "último amor", mas não te vou dizer que esteja bem. Não estou. O vale da segurança social continua sem aparecer e as dificuldades materiais tornaram-se tão prementes que, por momentos, pensei em desistir de tudo. Tudo, mesmo.
      Não me parece nada justo o que me está a acontecer, sabes? Afinal de contas preparo-me para deixar a este país a maior obra em soneto clássico jamais escrita em língua portuguesa e tudo o que pedia em troca eram os tais 189 euros mensais que, embora muito mal, sempre iam garantindo a sobrevivência. Não tenho saúde para tentar trabalhos cujo posto seja muito mais distante do que o CJO - tenho mesmo dificuldade em deslocar-me - mas tenho a sensação de que algumas entidades do meu país prefeririam ver-me como uma má mulher a dias, em vez de uma boa sonetista. Para mulher a dias não tenho, nem forças, nem vocação, embora já tenha feito limpezas, quando era bastante mais jovem e ainda tinha alguma força para gastar.
      Continuo muito zangada... se for ao teu "último amor", espero conseguir ser minimamente simpática...
      No meu caso, no que toca a esse tipo de amor do homem pela mulher e vice-versa, já me aconteceu, já me passou... e garanto-te que fiquei vacinada :) O meu primeiro amor foi e será o último, o resto nem conta. A não ser que falemos de um amor mais abrangente e, aí, ainda tenho muitíssimas cartas para dar... se me não continuarem a empurrar para a desistência... se eu não considerar que a vida tem um preço e que esse preço, no meu caso, é a dignidade.
      Obrigada pelas tuas palavras... estás a ver como eu estou "resmungona"? :)) Agora até me ri. Sou e serei sempre muito sincera, mas este "resmungona" deu-me vontade de rir e não está muito bem empregado... deveria dizer revoltada.
      Abraço grande!

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