REPARA...




Repara; o tempo passa e, ao passar,


Os pássaros que foram, já não são


Aves que, tarde ou cedo, irão voltar,


Já prosseguiram noutra direcção…




 


Mil pássaros cobrindo um céu solar,


Navegantes do ar passando em vão?


E se, nessa aventura de voar,


Eles te pedirem mais do que atenção?




 


Repara que esta vida inexplicada


É bem mais forte e mais determinada


Do que quanto pudeste imaginar




 


E, quando julgas não te faltar nada,


Ela não pára pra medir a estrada


Que tu nem te lembraste de explorar.


 


 


Maria João Brito de Sousa - Fevereiro, 2011

Comentários

  1. Boa tarde amiga, que lindo trabalho como sempre, e esta imagem fez-me lembrar quando eu ia ao Alentejo e via enormes bandos de pombos bravos eram aos milhares , mas agora mal se vêm , até para as aves a crise chegou , não sei se não têm o que comer se já não gostam de visitar Portugal.
    Um grande abraço para si.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Idalina:) Caramba! Tenho andado muito fugida, pouco inspirada e, para cúmulo, o CJO cada vez tem uma maior afluência de utentes adultos o que, se por um lado é extremamente gratificante, por outro, não contribui muito para as visitas aos amigos ... mas hoje visito-a, se Deus quiser!
      Tem razão, tem... parece que a crise chegou aos pombos...
      Abraço grande!

      Eliminar
  2. Olá Poeta
    Mais um e muito bonito
    Um Abraço

    ResponderEliminar
  3. Achei este soneto maravilhoso.
    Lembrei de quanto eu inspirava-me quando observava a natureza e os pássaros me chamavam à atenção. Era um olhar diferente de hoje. Não sei explicar o que aconteceu, mas meu olhar mudou e creio que por isso a inspiração não vem.

    Abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. :) Olá, Vera. Talvez o meu olhar não tenha mudado tanto assim... não sei, mas não falo daquela "inspiração" que termina ali, no substantivo abstracto. Falo de reflexão, também... este é um daqueles momentos em que há que conjugar muito bem as duas coisas.
      Abraço grande!

      Eliminar
  4. "... e se, nessa aventura de voar,
    eles me pedirem mais do que atenção"
    ... eu acho que estou disposta a dar, Maria João. Acho mesmo que procuro para além da aventura, do voo e da própria atenção...
    ... é bom ler estes seus sonetos!
    Força poeta! E obrigada.
    Abraço amigo
    Isabel

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Muito obrigada por gostar e entender, Isabel! Espero continuar a ter força... tenho tido muito mais trabalho, ultimamente, no que toca a lavar e estender roupa e essa tem sido uma das minhas maiores dificuldades, nestes últimos tempos. Hoje trago um soneto completamente "maluco" :)) Ocorreu-me que talvez fosse melhor não o publicar, mas mudei de ideias pelo caminho... fica o aviso. É mesmo um soneto "maluco de todo" e eu não estava muito "mansa" quando o escrevi... acredite que tenho boas razões para andar menos "mansa". Mas fica porque está formalmente correcto e, mesmo sendo um soneto, pode metaforizar a própria metáfora; essa é uma das grandes qualidades da Poesia; pode exceder-se a si mesma e continuar a ser Poesia.
      Abraço grande!

      Eliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

NAS TUAS MÃOS

MULHER

A CONCEPÇÃO DOS ANJOS - Em nove sílabas métricas