FERVURAS...

 


 



 


 


Soube-me a boca ao fel de mil lamentos


E que acesas palavras disse então…


Mas tu estavas ali e eras, em vão,


A Musa que evocava os meus tormentos…


 


Que me importavam prémios opulentos


Se, ao regressar a mim, tanto “senão”


Crescesse, qual fermento azedo em pão,


E, à pressa, me roubasse os meus talentos?


 


Não o quero aceitar! Não poderia!


Inteira, a vocação me morreria


Aos pés dessa incerteza, em parte alguma…


 


Ficando sem saber se outra viria,


Eu, que me sei de cor, nem saberia


Se eu mesma, assim fervendo, era só espuma…


 




 


Maria João – 16.02.2011 – 18.45h

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