TEUS OLHOS


Lágrimas dos teus olhos imploravam


Outros olhos que olhassem para ti,


Que vissem esses teus tal qual os vi,


Afogados na água em que boiavam…


 


Vi nos teus cegos olhos que choravam


As águas desse rio que não esqueci


Mas a salvá-los não me permiti


Pois não era por mim que se afogavam


 


E foi essa a razão que me impediu


De resgatar teus olhos desse rio


Que deles corria em estranho sobressalto,


 


De banhar-me na dor que deles fluiu


Só pr`a que nunca mais tivesses frio,


Para que alguém te olhasse enquanto eu falto…


 




 


Maria João Brito de Sousa  – 29.01.2011 – 02.59h

Comentários

  1. Talvez mesmo que a razão não fosse impedimento, a tentativa de salvamento não fosse bem sucedida.
    Há lágrimas nos olhos que só podem ser salvas pela pessoa pela qual se afogaram.

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    1. É isso mesmo, Raquel. Apesar do jogo de metáforas, há uma mensagem muito real neste soneto.
      Abraço gde! :)

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    2. São as mensagens que nos prendem às palavras :)

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  2. Boa tarde minha amiga, mais um belo soneto. Quantas lágrimas não são vertidas muitas vezes pela pessoa errada.
    Um bom fim de semana.

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    1. Sim, é verdade... pela pessoa errada e no momento errado... porque tudo tem o seu tempo e há resgates que não podem ser repetidos pela mesma pessoa ao longo de uma vida. Pode parecer complicado mas não é se se souberem encaixar as peças certas nos momentos que lhes cabem... e agora é que ficou mesmo a parecer complicado! Mais valia eu ter ficado caladinha :)) Mas continua a ser muito mais simples e real do que o que parece, garanto-lhe.
      Vou já ver o seu Linhas&letras! Até já!

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  3. Roubei para Livro de Horas Tristes.
    Não fui eu que soube escrever o choro dela, mas isso não importa.
    Está escrito.
    Um grande agraço

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    1. :) Olá, meu amigo Artesão. Fico sempre muito grata pelos seus "roubos" :))
      Enorme abraço!

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  4. Continuo com uma dúvida: o blogue 10.100 é seu?
    Um abraço

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    1. Não. O blogue 10.100 não é meu e eu não o conhecia... tanto quanto me recordo, acabámos por interagir a nível dos comentários, mas foi tudo. Como tenho estado com falta de tempo, ainda nem sequer conheço esse blog...

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    2. É para mim este soneto...só pode!
      Beijinhos!

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    3. então, Ligeirinha, a chorar? Estás bem?
      Eu já aí vou dar-te outro abraço:::

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