NASCEU-ME ABRIL, AGORA MESMO...


 


Nasceu-me agora Abril, quando sonhava…


Mas não é por Abril me ter nascido


Que eu deixarei morrer o que me é querido


Ou que me esquecerei do que cantava


 


Nasceu-me de uma corda que vibrava


Num trinado qualquer, mal pressentido,


De um verbo a vacilar no desmentido


De outro que era menor mas que o calava.


 


E o que é feito de Abril no novo Abril


Em que se redefine outro perfil


Para este meu país tão castigado?


 


E vibra-me outra corda… e já são mil


As cordas que, vibrando em tom subtil,


Me falam desse Abril sempre negado.


 


 


 


Maria João Brito de Sousa


 


 


 


Imagem retirada da internet

Comentários

  1. Respostas
    1. Oi, Peter! Tudo péssimo, em termos de saúde e finanças... mas resta este bocadinho de força de vontade que me traz até cá e um ou outro soneto que me vai nascendo. Não foi nada fácil sobreviver a este fim de semana... mas cá estou!
      Bacini!

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  2. Querida amiga... andamos todos contagiados com uma espécie desilusão de um sonho tão sonhado, com um Abril que acabou por não ser devidamente edificado.
    Valem-nos os poetas e aqueles que na sua modesta persistencia procuram não se deixar ir abaixo com desilusões... e persistem no sonho, como arma que nos possa manter no caminho. O caminho do que possa ainda ser edificado!
    Obrigada poeta!
    Saudades
    Isabel

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    Respostas
    1. Saudades, Isabel! Lembrei-me de si e do seu "Escrever por Dentro", durante este fim de semana que me foi particularmente difícil. Tem razão, andamos todos desiludidos com um Abril que, a pouco e pouco, nos foi sendo negado... tenho pena de não estar um pouco mais "móvel" e produtiva. Acreditei que estava a dar o meu melhor, dentro das limitações físicas, claro... e agora sinto que até a criatividade está a diminuir. Sei que assim é. Esta crise está a demorar tanto a passar e tenho tantas dificuldades de locomoção que me parece que este se tornou o meu estado normal... depois, foi um fim de semana inteirinho para um único soneto... e refilão :) Um soneto que só não se rende porque ainda usa a ironia como arma. Depois verá. Vou publicá-lo assim que terminar de responder aos vossos comments.
      Abraço muito grande!

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  3. Cara amiga,
    Gosto mais deste do que do anterior.
    Parabéns.
    Um abraço

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    1. Olá, amigo Artesão! Sabe porquê? Porque este foi um daqueles que me nasceram muito naturalmente, ao correr das teclas. Eu acho que isso se nota. Infelizmente já me não nascem "aos montes", como dantes... penso que tem a ver com a minha saúde que anda mesmo muito por baixo.
      Abraço grande!

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  4. É sempre assim, só falam, mas negam o que foi vivido e conquistado.
    abraço

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    Respostas
    1. É impossível negar tudo o que foi conquistado em termos sociais, Vera. Só quem não viveu aqueles tempos pode negá-lo... ou, então, quem não quer mesmo ver, nem analisar os "podres" do antigo regime. Mas a situação está difícilima,amiga. Eu já não tenho força nos braços para "arregaçar as mangas", mas acredito que outros ainda a terão! Não gostaria nada de me sentir um "peso social" e é por isso que vou dando tudo o que ainda posso dar ao meu país. Nem todos o entenderão, mas eu sei que sim.
      Abraço grande!

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