É DAQUI QUE TE ESCREVO


É daqui que te escrevo,


desta vontade que me veste de Abril,


de poemas e de farrapos também,


 


Daqui,


de onde me reconheço em ti espelhada


embora o perfil simples do meu cravo


sem nome, sem espinhos


e tão menos glorioso,


pareça negar cada verso que nasce…


 


Mas é daqui,


deste lado aguerrido de mim


onde vestida de um Abril em farrapos,


não dispo Abril apesar dos farrapos


de uma resistência que te não sei explicar


mas, presumo,


ninguém imaginaria que florescesse ainda…


 


Daqui,


de onde também eu


aprendi a amar a solidão


e a recriar o mundo


na sombra das ausências,


nos anos – tantos… -  do verde caule


de um mesmo sonho de pétalas ao rubro,


 


Daqui


e porque o poema me apeteceu,


insurrecto e vermelho,


este escrever-te sem rima, nem medo,


com as armas florindo num canto menor.


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa – 19.06.2011 – 16.31h

Comentários

  1. “Atenção”

    Eu daqui respondo a esse cravo
    Abril madrugada sonhada, suada
    Militares na calçada polida, doída
    Obuses, canhões calados, soldados

    Música do Paulo e do Zeca também
    Marchar sem parar e o povo juntar
    Gritar junto ao convento, o momento
    De o sonhar ao luar, cravo na lapela

    Cravo na janela e na G3, porquê?
    Então não se vê, é dos cravos Abril
    Madrugada, sonhada, suada, esgotada

    Desbaratada, no que deu esta alvorada
    Dos capitães de Abril, foram mais de mil
    Terá sido um ardil? Atenção redobrada.

    Poeta Zarolho – 22.06.2011 – 05.29h

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    1. Está tão bonito o seu soneto, Poeta ... e eu não consigo responder-lhe condignamente. Hoje não consigo mesmo. Mas agradeço-lhe muito e deixo-lhe o meu abraço. Espero conseguir voltar na segunda feira. Antes não poderei porque o CJ vai estar encerrado.
      Abraço grande!

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    2. Não, não sou poeta sou apenas um operário especializado ( engenheiro ), curiosidade, o que é o CJ ?

      Bjos da planície alentejana.

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    3. Eu também não tenho nenhum curso de poesia, Poeta!
      Nem sequer sou engenheira. O CJ é o espaço público de onde eu acedo à net. É um espaço reservado aos jovens, mas eu acredito que me deixam cá trabalhar por ser jovem de espírito... e até já estou um bocadinho mais bem disposta! Bem haja, Poeta!

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  2. Estou muito preocupada com o estado de saúde da Maria João. Mas como sabem vivo no Porto, por isso é muito complicado poder ir a Lisboa. Caso haja algum amigo que more perto e lhe possa dar algum apoio acho que seria sem duvida muito bom. Abraço a todos!

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    1. Ainda aqui estou, minha querida Ligeirinha e, desta vez, até eu estou preocupada comigo mesma... mas ainda tenho alguma esperança de que o problema se resolva e eu recupere alguma da pouca força que tinha e a minha fluência de escrita. És um amor de pessoa e eu agradeço-te muito o cuidado. É possível que eu vá mesmo necessitar de ajuda para voltar para casa pois quase não consigo andar, mas há pessoas que se ofereceram caso fosse necessário um transporte e eu, se vir que não posso, telefono. O raio do vale da segurança social também ainda não chegou e isso não ajuda mesmo nada porque estou completamente sem "cheta"... mas, se eu faltar amanhã, não te aflijas porque é feriado e o CJ vai fazer uma ponte grande, até 2ª feira. Vou deixar um soneto "dorido" mas não te impressiones porque eu, no geral, não tenho essa postura... foi o que senti naquele momento em que, nem sei como, o escrevi. Também não sei quanto tempo me vou aguentar aqui... estou no terceiro dia de jejum - bebo muitos líquidos - , estou sem força nenhuma e com imensas dores. Se me for embora, não estranhes.
      Obrigada pelo teu cuidado e pelo teu carinho sempre pronto para ajudar nos piores momentos. Um abraço muito, muito grande e eternamente grato!

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    2. Tem que se fazer este alerta, estamos na altura de arregaçar as mangas por todos nós, sobretudo aos doentes! Toca a dar uma ajuda á Maria João! Não sei se não come porque não tem (o que é muito possivel...) ou se ´
      e por indicação médica(custa-me a crer). Como irá sobreviver nos dias em que o Centro está fechado? Olha Maria João e fica sabendo que não faço mais do que a minha obrigação! Quantos de nós partilhamos os teus lindos poemas, a "custo ZERO"????Todos!!!!Beijo grande. Ainda hoje te telefono!

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    3. Minha querida Ligeirinha... isto não é lá muito bonito para eu te poder explicar mas , neste momento, não como porque não posso mesmo comer nada! Só posso beber água e chá! Eu vou enviar-te um mail a explicar melhor... mas também é verdade que se a segurança social não enviar o vale na sexta - e já duvido... - vou continuar sem comer mesmo que o meu problema se resolva...e também já duvido... mas pronto, talvez eu melhore um pouco.
      Beijinhos! Vou ao mail! Não te aflijas por favor!

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    4. Eu já ofereci os meus préstimos, continuo disponível para o que fôr necessário ( vou enviar o telemóvel por mail ), também até estou de serviço à fábrica por isso o acréscimo da Maria João não será muito, embora a responsabilidade seja incomensuravelmente maior ( estou a escassos 75 minutos ).

      Disponha, o alentejo é solidário.

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    5. Muito obrigada, amigo Poeta! A si e ao Alentejo que eu sei bem que é uma terra maravilhosa e solidária! Fico agradecida do fundo do coração, mas penso que vou conseguir sobreviver a mais esta... ou então não, mas eu nem penso nisso! :)) Agora ri-me mesmo! Vou anotar o telemóvel e prometo contactar se as coisas piorarem... mas não me leve a mal se eu não voltar a contactar porque eu nunca telefono a ninguém por falta de saldo... só mensagens e é preciso ser festa ou aflição...
      Enorme abraço!

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    6. “Coração aberto”

      Aqui estou eu coração aberto
      Perguntar-me-ão é possível ?
      Tão pouco sei se é impossível
      Sei que nunca estive tão perto

      É certo que responder não sei
      Mas também não vale especular
      Apenas poderei experimentar
      E desta forma descobrir-me-ei

      Agora já sabes com que contas
      O meu coração vou tentar abrir
      Já sabes não há receitas prontas

      E até pode a minha receita falir,
      Ultrapassarei todas as afrontas ?
      Só saberei se o coração se abrir.

      Poeta Zarolho - 19-12-2010

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    7. Obrigada! Obrigada aos dois, mas eu acho que ainda vou conseguir chegar a casa... vou anotar o número. Obrigada!

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