QUE CULPA?


Que culpa tinha ele da sua dor


Sem medida, nem fundo ou amplitude?


Que culpa, a dessas asas de condor


Em constante mudança de atitude?


 


Que culpa tinha o mar da sua cor?


Que culpa tinha a Culpa se a Virtude


Se culpava a si própria e, nesse ardor,


Mostrava quanto dela nos ilude?


 


Mais tarde serenou, calou bem fundo


As paixões funcionais que convocara


E encomendou ao Tempo a sua cura.


 


Sobreviveu culpando meio mundo


Por cada cicatriz que lhe ficara


De um tempo em que essa dor fora mais dura…


 


 


 


 


Maria João Brito de Sousa

Comentários

  1. Aceitar-se no maís íntimo de si
    e ver que tudo à sua volta tem razão
    esta foi, de todas, a mais difícil lição
    será que posso já, dizer que aprendi?

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    1. :) Olá, de novo! Nunca aprendemos tudo, nunca temos certezas acerca de tudo... este soneto não me tem a mim por sujeito poético, embora tenha sido escrito por mim. Nós tendemos a analisar os poemas como se eles estivessem obrigatoriamente situados no espaço e no tempo e isso é redutivo para a poesia. Todos nós o fazemos... eu, que tenho experiência disto, já dei comigo a fazer esse tipo de análise... penso que tenha a ver com o suporte em que, agora, escrevemos e com a interacção com outros bloggers... mas um bom poema não deve ser moralista. Deve poder ler-se - com excepções, claro... - para além do seu sujeito poético...
      Se um dia tiveres aprendido tudo, avisa-me! Eu cada vez aprendo mais e, em contrapartida, vou descobrindo quão imensa é a minha ignorância... :)
      Bjo gde!

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    2. Eu, parece que desaprendo, ao invés de aprender.
      Mas, na verdade, não analisei como sendo tu o sujieto poético e sim, a partir do teu pensamento, disse a "ele" que aceitar o barro de que somos feito é sempre um aprendizado... difícil! Expliquei? Ou compliquei tudo?

      Bjs

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    3. Desculpa, Ivete! Tenho o correio todo misturado e atrasado! Mas tens razão... :) Obrigada e um abraço gde!

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  2. Espetacular esse soneto. Um encanto!

    Ainda não te encontrei. Que se passa?

    Maria Luísa

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    1. Ai, amiga! Nem sei se me encontras... estou lentíssima, não pude vir trabalhar de manhã e parece-me que ainda tenho febre... mas eu vou já ao Face! Beijo!

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  3. Sinto-me com profunda culpa em sentir o amor que não era sonho. Em viver o sonho que não era amor. Talvez o amor e o sonho estão com os deuses. Mas sinto-me feliz a voltar a ler e sentir seus belos sonetos.
    Parabéns pelo seu estro!
    Adílio Belmonte

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    1. :) Olá, Poeta Adílio Belmonte! Talvez o amor e o sonho estejam mesmo com os deuses ou sejam um atributo de Deus, mas eu fico muito grata pelas suas palavras e pelo pedacinho de tudo isso que me calhou, a mim. Se eu pudesse aconselhá-lo, pedir-lhe-ia que não sentisse culpa... a culpa leva muito facilmente ao remorso e o remorso não é um sentimento produtivo... mas eu sei que não devo aconselhar ninguém. Quem sou eu para o fazer?
      Um abraço grande!

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  4. Belissimo... como sempre :))
    Um abraço!

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    1. :) Olá, Averse! Estou numa pressa, mas vou tentar visitar-vos ainda hoje! Obrigada pelas palavras!
      Abraço grande!

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