MADRUGADAS E OUTROS RECOMEÇOS


Fica tão triste a cor das madrugadas


Em que o sol se esqueceu de vir brilhar


E as nuvens plúmbeas crescem, desoladas,


Sobre os últimos raios de luar


 


Mas, em compensação, outras, ousadas,


Rompendo o escuro manto irão mostrar


O azul do céu às vidas ensonadas


Que agora mesmo acabam de acordar


 


Há sempre um cravo aberto na janela


De cada madrugada que não esqueço


Nas horas de um porvir que se aproxima


 


E, se alguém se esqueceu de olhar pr`a ela,


Eu escrevo outro poema e recomeço


No primeiro amanhã que nasça em rima


 


 


 


Maria João Brito de Sousa - 2011.07.22 - 12.17h

Comentários

  1. Olá Maria João, Tive de ler este soneto várias vezes e em voz alta para o interiorizar e levar comigo para o ouvir e sentir durante toda a tarde.
    É simplesmente maravilhoso.
    Um abraço muito grande.

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    1. Obrigada, amiga. Este é um daqueles mais espontâneos... é dos que eu costumo dizer que "nascem sozinhos" :))
      Abraço grande!

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  2. Estou bem Maria, e tu?
    Admito que às vezes sou um pouco confusa, mas gosto de deixar as pessoas a pensar, para chegarem a diferentes conclusões :)

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    1. :) Olá, Paper! Eu estou meia "clandestina" :))
      mas ainda deu para vir até cá...
      Não estou a dizer que sejas confusa... deixa ver se eu te consigo explicar... nas poesias mais herméticas - e eu também as tenho - nós percebemos que o autor queria dizer qualquer coisa que nós não conseguimos entender à primeira, na tua o que eu senti foi como se tu quisesses "não dizer" ou "esconder" qualquer coisa propositadamente... mas isto pode ser bom e não quer dizer que eu esteja correcta... é assim que eu sinto, só isso :)
      Agora vou ao correio porque hoje já fiz "despesa"... o Kico estava a precisar de um banho - ele está incontinente e suja-se sem querer - , dei-lho e não resisti a tirar-lhe uma fotografia e enviá-la em mms para o meu endereço. Se conseguir, publico-a no Face!
      Abraço grande!

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  3. “Olhar derradeiro”

    Tu que tens os deuses dentro
    Sabes que viver vale a pena
    Que o entusiasmo é epicentro
    Da mudança que nasce serena

    Rejeitas a mesquinhez actual
    Das verdades feitas a pedido
    Que querem mostrar só o mal
    Te prendem à vida sem sentido

    Olhas este circo em teu redor
    Cada dia uma pirueta diferente
    Oferecida pelos malabaristas

    É necessário outro circo melhor
    Que este está velho e decadente
    Constrói o novo, nunca desistas.

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    1. :) Olá, Poeta!

      Dir-nos-ão que não podemos
      Mudar seja quanto for
      Mas todos nós o fazemos,
      Uns melhor, outros pior...

      A mudança é tão constante,
      Sempre tão inevitável,
      Que não há um só instante
      Que não tenha variável

      E, a cada instante que passa,
      Sendo o melhor que sabemos
      E tentando ir mais além,

      Conseguiremos a graça
      De ver além do que vemos
      E, assim, sentir-nos bem...

      :) Estou aqui um bocadinho... um bocadinho "ilegalmente" :/ e em condições muito precárias, mas ainda deu para um sonetilho :)) Um excelente domingo para todos vós! Abraço grande, grande!


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  4. “Juros d’arrasar”

    De Portugal são amigos
    Vêm mais 3 mil milhões
    Vamo-nos a eles galifões
    Eu cá chamo-lhes figos

    A dente de cavalo dado
    Não se olha certamente
    Nem se fica indiferente
    Pior é se é emprestado

    Com tanta falta de pilim
    E os juros que irão cobrar
    Eu nunca vi nada assim

    Este país ir-se-á afundar
    Será enorme o frenesim
    Quando fôr dia de pagar.

    Prof Eta

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    1. Neste preciso momento,
      Sem ter feito um só soneto,
      Só sei dizer que lamento...
      Já nem faço o que prometo!

      Não sei que me aconteceu...
      Se por aceder à net
      Nenhum soneto nasceu...
      Não sou já quem se promete!

      Nem os juros a subir
      Me trazem inspiração
      Para um poema fraquinho

      E agora, quase a dormir,
      Já perdi a direcção
      Do costumeiro caminho...

      Poeta, estou mesmo sem um soneto para publicar amanhã... que remédio senão admiti-lo, por muito que me custe. Acho que nem sequer tenho um daqueles de segunda escolha que eu guardo para as "faltas".
      Vou tentar ir ao Blog Not, mas não consigo comentar daqui... daqui posso ouvir, mas estou muito limitada em termos de net.
      Um enorme abraço para todos vós, sem esquecer a D. Laura! :)


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  5. “A besta”

    Entre o bicho e o homem
    Vai uma distância enorme
    Os bichos matam e comem
    Homem mata sem ter fome

    Homem mata só por prazer
    Até mesmo o seu semelhante
    E grita na hora do ver morrer
    Esta é uma vitória retumbante

    Este homem é mais que bicho
    Mata, destrói e canta vitória
    É uma aberração da natureza

    Filho de Deus, satanás ou lixo?
    Muitos houve ao longo da história
    Encarnações da besta com certeza.

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    1. :) Olá, Poeta!

      E é sempre de madrugada,
      Comigo quase a dormir,
      Que começa a desgarrada
      Dos poemas que hão-de vir... :))

      Em boa verdade diz
      Que o mais cruel animal
      É o homem que não quis
      Parar de fazer o mal...

      Bichos não têm maldade,
      Vão seguindo a natureza
      Como a vida os ensinou

      O ser humano, em verdade,
      Tem ódios, tem avareza
      E mata aquele que o poupou...

      Bem, também temos o nosso lado bom e muito bom, até! :) Caminhamos em direcção ao nosso melhor, enquanto indivíduos e enquanto espécie... haverá altos e baixos, como sempre houve, mas caminhamos em direcção ao nosso melhor! :)
      Até manhã, aqui ou no CJ, se o Kico estiver melhor. Abraço grande!

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